<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621</id><updated>2012-01-13T13:45:20.121-02:00</updated><title type='text'>Asinum Asinus Fricat</title><subtitle type='html'>Como dizia o velho provérbio latino, "um asno coça o outro"</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>260</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-1068303201712733124</id><published>2011-06-02T10:56:00.003-03:00</published><updated>2011-06-02T12:02:36.428-03:00</updated><title type='text'>Ars poetica</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Si uis me flere, dolendum est primum ipsi tibi&lt;/span&gt;. Eis a famosa sentença horaciana em sua &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ars Poetica&lt;/span&gt;. Não tenho muito tempo para desenvolver um assunto tão rico, mas eu gostaria de dizer que é muito importante ao escritor possuir a capacidade aludida por Horácio: se quiser comover, é preciso que você primeiro se condoa. É necessário um patrimônio de experiências a fim de que nossas palavras signifiquem algo mais do que meros conceitos destituídos de concretude.  Em certo sentido, é bom ser pedestre. Esse patrimônio não precisa advir de ferimentos em nossa própria carne: uma sensibilidade cultivada e uma boa capacidade imaginativa bastam. Para eu entender as degraças que se abateram sobre Cartago, Atenas ou Alemanha, não preciso ter eu mesmo compartilhado dos males de seus habitantes, a não ser imaginativamente, bastando para isso que sejam ativadas experiências correspondentes. Podemos aplicar ao assunto o que disse Eric Voegelin em certa passagem de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A nova ciência da política&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O teórico talvez não precise ser a encarnação do próprio modelo de virtude, mas deve ao menos ser capaz de reproduzir imaginativamente as experiências que sua teoria busca explicar. (...) A teoria como explicação de certas experiências só é inteligível para aqueles em que a explicação desperte experiências paralelas como base empírica para testar a validade da teoria. Se a exposição teórica não chegar, pelo menos em parte, a ativar experiências correspondentes, dará sempre a impressão de ser conversa fiada ou poderá ser rejeitada como expressão irrelevante de opiniões subjetivas. O debate teórico só pode ser conduzido entre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;spoudaios&lt;/span&gt;, no sentido aristotélico [i.e, o homem maduro, aquele que realizou em grau máximo as potencialidades da natureza humana, que formou seu caráter na realização das virtudes intelectuais e éticas, o homem que, no auge de seu desenvolvimento, atinge o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bios theoretikos&lt;/span&gt;]; a teoria não tem argumentos contra o homem que se sente, ou finge sentir-se, incapaz de reproduzir a experiência. (pp. 56-7)&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa palavra, é preciso que se estabeleça entre o leitor e a história uma espécie de simpatia fundamental que ative nele experiências correspondentes ou que ele seja capaz de reproduzi-la ao menos imaginativamente. Lembremos da reação de Ulisses ao ouvir um aedo recitar na corte dos feácios a queda de Tróia. Tal processo não ocorre somente na literatura, mas também na música, na pintura e na fotografia. Um caso interessante é o da canção &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Tod, wie bitter bist Du&lt;/span&gt;, de Brahms. Ela ativa imediatamente em nós um sentimento compreensível em última análise pela experiência da morte (note o leitor a ênfase na palavra &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bitter&lt;/span&gt;). O texto da canção foi extraído do capítulo 41 do Eclesiástico. Ele nos convida à meditação profunda, enquanto a música explora suas possibilidades dramáticas de forma inesquecível. Dor também pode ser ouvida -- se podemos dizer que ouvimos uma dor -- em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fili mi&lt;/span&gt; de Heinrich Schütz, em texto também bíblico, que conta a dor de Davi ao saber da morte de seu filho Absalão. Tanto num caso como no outro temos a música nos ajuda a reproduzir imaginativamente o sentimento dos textos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Tod, wie bitter bist Du&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe src="http://www.youtube.com/embed/9t4IREKbYjU" allowfullscreen="" frameborder="0" height="390" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Fili mi&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe src="http://www.youtube.com/embed/9_YrlDNrKD0" allowfullscreen="" frameborder="0" height="390" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-1068303201712733124?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/1068303201712733124/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=1068303201712733124&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1068303201712733124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1068303201712733124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2011/06/ars-poetica.html' title='Ars poetica'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/9t4IREKbYjU/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-8441341738147741652</id><published>2011-06-02T00:00:00.007-03:00</published><updated>2011-06-02T00:37:45.629-03:00</updated><title type='text'>A imprensa mal divulgou a manifestação ocorrida em Brasília contra o PLC122</title><content type='html'>Trabalho numa empresa de monitoria de informação, o que me obriga a  passar quase o dia inteiro assistindo a telejornais. Hoje não foi  diferente, mas o que me chamou a atenção foi nenhum dos programas que  monitoro ter sequer soltado uma nota sobre &lt;a href="http://juliosevero.blogspot.com/2011/06/manifestacao-contra-plc-122-sofre.html?utm_source=feedburner&amp;amp;utm_medium=feed&amp;amp;utm_campaign=Feed%3A+JulioSevero+%28Julio+Severo%29"&gt;a manifestação havida em  Brasília contra o PLC122, que reuniu cerca de 20 mil pessoas&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria dos programas que vejo são da Record, tanto canal aberto como  fechado. Pois bem, nem o Página 1, que vai ao ar das 10h às 11h, nem o  Direto da Redação, das 14h30 às 15h30, nem o Hora News, que costuma ir  das 16h40 às 17h30, nem o Jornal da Record, das 20h30 até por volta das  21h25, enfim, nenhum deles citou absolutamente nada. Monitoro também o Jornal  da Globo News, edições das 16h e das 19h: nenhum deles também citou  nada. Alguém poderia argumentar que o fato de a manifestação só ocorrer  às 15h excluiria necessariamente da programação matutina informes a  respeito, mas respondo dizendo que a afirmação é absurda, já que é mais  do que comum a imprensa cobrir um evento até dias antes de ele ser  realizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As únicas notícias que vi sobre gays foram acerca de agressões contra um  homossexual e uma lésbica no Rio e sobre o TCU querer saber se houve  desperdício de verbas públicas com a retirada do tal kit gay, ambas na Rede Record. Houve também uma sobre prostituição masculina e consumo de drogas -- amanhã será a vez dos travestis, numa série de reportagens sobre prostituição no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tão flagrante a completa falta de parcialidade da imprensa que, se bem  me lembro, monitorei notícias em vários veículos sobre um abraço  simbólico em torno do Planalto dado por militantes do movimento gay no dia em que  estiverem em Brasília semana retrasada. Por que divulgaram essa notícia  e se calaram sobre o que ocorreu nessa quarta? O mais estranho é que a  Record, pelo que percebi ao monitorá-la, tem feito uma quantidade  impressionante de comentários contra o tal kit gay. Não sei se o fato de  o pastor Silas Malafaia ter encabeçado a manifestação em Brasília  provocou algum ressentimento no pastor Edir Macedo, mas que isso tudo é  estranho, é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como citei a Rede Record, aproveitarei a oportunidade para fazer um testemunho da mendacidade cultural a que chegamos. Numa matéria sobre o acesso das classes baixas a colégios particulares, o Jornal da Record mostrou um grupo de crianças tocando um trecho da Ode à alegria, mas em off a jornalista afirma que executavam Vivaldi. Que o leitor testemunhe a ignorância jornalística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="445" height="270" frameborder="0" marginheight="0" marginwidth="0" scrolling="no" src="http://www.r7.com/r7/service/video/playervideo.html?play=true&amp;idMedia=4de6d8ab3d148986844625fa&amp;video=http%3A%2F%2Fvsh.r7.com%2F4de6d8ab3d148986844625fa%2FER7_RE_JR_BUSCAENSINOMELHOR_452kbps_2011-06-01_f00d0c8d-8cae-11e0-b35a-b37dd1565489.mp4&amp;linkCallback=http%3A%2F%2Fnoticias.r7.com%2Fvideos%2Fjovens-da-classe-d-conseguem-vagas-em-escolas-particulares%2Fidmedia%2F4de6d8ab3d148986844625fa.html&amp;thumbnail=http%3A%2F%2Fvtb.r7.com%2FER7_RE_JR_BUSCAENSINOMELHOR_452kbps_2011-06-01_f00d0c8d-8cae-11e0-b35a-b37dd1565489.jpg&amp;idCategory=66"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não duvido nada que as crianças sejam mais cultas que esses jornalistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o acesso das classes inferiores ao bom estudo, lembro de uma instituição que sempre primou pelo acesso de humildes aos níveis hierárquicos mais elevados: Igreja Católica. A título de exemplo, basta a lembrança de um filho de camponês chamado Hildebrando, homem do séc. XI, que entrou na história como papa Gregório VII e nos céus como santo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-8441341738147741652?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/8441341738147741652/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=8441341738147741652&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8441341738147741652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8441341738147741652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2011/06/imprensa-mal-divulgou-manifestacao.html' title='A imprensa mal divulgou a manifestação ocorrida em Brasília contra o PLC122'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-4144228064797972252</id><published>2010-09-22T05:01:00.001-03:00</published><updated>2010-09-22T05:03:32.156-03:00</updated><title type='text'>Ainda do desejo de ser promovido em empresas bagunçadas</title><content type='html'>Pois novamente direi algo acerca de ser promovido em empresas  bagunçadas.  É semelhante a uma cena do filme "A Queda", em que um  general alemão, após ter sido nomeado comandante das forças de Berlim, diz  morrer era mais vantajoso que receber tal honra. A quem as entrelinhas  foram sutis demais, explico que às vezes é melhor permanecer  mediocremente oculto a brilhar montado num enorme pepino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-4144228064797972252?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/4144228064797972252/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=4144228064797972252&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/4144228064797972252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/4144228064797972252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2010/09/ainda-do-desejo-de-ser-promovido-em.html' title='Ainda do desejo de ser promovido em empresas bagunçadas'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-6632270027188644510</id><published>2010-09-16T14:06:00.002-03:00</published><updated>2010-09-16T14:18:28.520-03:00</updated><title type='text'>Do desejo de ser promovido em empresas bagunçadas</title><content type='html'>Refletindo acerca da cobiça por cargos mais altos em empresas bagunçadas -- a experiência é pessoal, ainda que a vontade seja de terceiros --, lembrei-me, por estranho que pareça, de um episódio do desenho "Liga da Justiça". O poderoso Darkside, para variar, queria subjugar a Terra, mas precisava de ajuda. Convenceu o líder de uns criminosos que o tornaria um grande rei caso o auxiliasse. Não sendo difícil instigar a cobiça de criminosos, foi feito o acordo. Pois bem, após plantar um artefato nuclear num ponto estratégico, o criminoso entrou em contato com Darkside a fim de ser resgatado do local o mais rapidamente possível. O super-vilão, contudo, disse-lhe que já estava satisfeito e simplesmente se despediu. Tendo ficado compreensivelmente indignado, o criminoso disse a Darkside que ele havia quebrado o acordo de lhe tornar o rei do mundo, ao que obteve como resposta: "Mas eu lhe tornei efetivamente rei. O rei dos tolos." Ora bem: eis ao que leva o desejo de promoção em determinadas circunstâncias...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-6632270027188644510?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/6632270027188644510/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=6632270027188644510&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/6632270027188644510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/6632270027188644510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2010/09/do-desejo-de-ser-promovido-em-empresas.html' title='Do desejo de ser promovido em empresas bagunçadas'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-6839072312434712437</id><published>2010-06-10T00:50:00.003-03:00</published><updated>2010-06-10T01:17:20.978-03:00</updated><title type='text'>De um breve comentário sobre um espetáculo artístico</title><content type='html'>Tenho diante de mim uma cabrocha executando passos ao som de Jeux d'eau, de Ravel, em programa da TV Brasil. Não posso dizer que o espetáculo esteja sendo do meu agradado, e isso por uma dupla razão. Ora, tendo os movimentos de dança me feito lembrar da menina possuída pelo demônio em O Exorcista, custa-me captar qualquer beleza ou sentido artístico no que está sendo executado, descontando, é claro, a minha supina ignorância em matéria de dança. Digo, aliás, que a beleza da cabrocha é proporcional à sua performance, o que muito me entristece. Ao menos para mim, embrutecido pelos sentidos como sou, não é fácil contemplar os passos de dançarinas um tanto desprovidas de recursos estéticos. Contudo, posto que há sempre rastros de bem por toda a parte neste mundo admirável, ao menos é possível dizer que dança e estética estão assaz harmonizadas, embora sob a classe do mal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-6839072312434712437?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/6839072312434712437/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=6839072312434712437&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/6839072312434712437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/6839072312434712437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2010/06/de-um-breve-comentario-sobre-um.html' title='De um breve comentário sobre um espetáculo artístico'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-9146229207517772721</id><published>2010-02-16T23:53:00.000-02:00</published><updated>2010-02-16T23:56:17.564-02:00</updated><title type='text'>A. da Silva Mello, "Mistérios e Realidades dêste e do outro Mundo" (3ª ed, pp 35-41)</title><content type='html'>Queremos lembrar os célebres cavalos de Eberfeld, que constituíram um dos mais assombrosos acontecimentos do mundo civilizado, dando lugar a elevado número de publicações, mesmo de autoridades científicas. O ruído feito em torno da descoberta foi imenso e só diminuiu quando encontrada explicação para o fenômeno. O professor Claparède, da Universidade de Genebra, proclamou-o como "o acontecimento mais sensacional que jamais surgiu na Psicologia". Karl Krall, no seu livro "Animais que pensam", baseado em suas experiências, que foram a continuação das de Von Osten, o descobridor da maravilha inesperada, fêz um estudo minucioso da questão, já estribado em considerável bibliografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato capital, de onde partiu todo o movimento, proveio das experiências de W. von Osten, um velho oficial alemão aposentado, que dedicou parte da sua vida ao estudo da inteligência dos animais. Em 1900, adquiriu um cavalo russo, que se tornou célebre sob o nome de Hans, apelidado "o sábio", ao qual ensinou cálculo por meio de quilhas, e, depois, de números. Os resultados foram tão extraordinários que se falou de uma transformação da psicologia animal e de descobertas que o homem estava longe de suspeitar. O cavalo aprendeu a contar, a calcular e a resolver pequenos problemas. "Mas Hans não sabia sòmente calcular: podia ler, era musicista, sabendo distinguir acordes harmoniosos de dissonantes. Possuía memória extraordinária, conseguindo indicar a data os dias da semana. Numa palavra: sabia resolver tôdas as operações que um bom colegial de 14 anos é capaz de efetuar." Em poucas semanas aprendeu a extrair raízes quadradas e cúbicas e, logo depois, a soletrar e a ler, servindo-se de um alfabeto convencional imaginado por seus mestres. Durante muitos anos Osten entregou-se, com dedicação nunca vista, à educação do animal, que recebia aulas uma a duas vêzes por dia. A tarefa foi árdua e só prosseguiu a passos muito lentos, pois tudo era desconhecido naquela nova aprendizagem, cheia de mistérios e surpresas, tanto para o mestre, quanto para o discípulo. Osten, de temperamento excêntrico, considerado por muitos como verdadeiro maníaco, não conseguiu, durante longo espaço de tempo, despertar interêsse em tôrno da sua descoberta, que não foi mesmo tomada em consideração. Já desesperado da situação, tentou, por meio de anúncio de jornal, chamar a atenção sobre o extraordinário fenômeno, propondo vender o animal, do qual enumerava as singulares capacidade intelectuais, que demonstraria, gratuitamente, aos interessados. Nessas circunstâncias, apareceu-lhe Eugen Zobel, escritor e profundo conhecedor de hipologia, que, vivamente interessado pelo assunto, publicou diversos artigos sôbre Hans, desde então conhecido como o cavalo sábio. Daquele momento em diante, houve imensa agitação em tôrno do fato, que despertou a curiosidade do grande público, sem contar muitos psicólogos e cientistas. A casa da rua Griebenow 10, na região norte de Berlim, onde morava von Osten e se encontrava o animal, passou a receber tal número de visitantes que se tornou necessária a intervenção da polícia para regular o trânsito circunvizinho. Até do estrangeiro chegavam personalidades de renome para estudar o estranho fenômeno, que vinha revolucionar tudo o que sabíamos dos animais, que agora apareciam como possuidores de inteligência idêntica à do homem, sob todos os pontos de vista! Hans fazia cálculos de alta matemática, conhecia linguagem humana, compreendia alemão, entendia perguntas que lhe eram feitas e dava-lhes respostas inteligentes, demonstrando que raciocinava de maneira idêntica à do ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É natural que se levantasse grande agitação em tôrno da descoberta, que, desde logo, conduziu às mais desconcertadas opiniões, das mais favoráveis e entusiásticas, às mais céticas e negativas. A imprensa publicava artigo sôbre artigo, surgiam livros sôbre a questão, dando lugar a discussões tão vivas e apaixonadas, que o govêrno e as universidades se sentiam na obrigação de dar atenção ao assunto, estudando-o objetivamente. Eberfeld tornou-se um verdadeiro centro de peregrinação, sobretudo para sábios, que acorriam de diversos países e de todos os recantos da Alemanha. Entre êles, foram registrados: Edinger, o eminente neurologista de Francfort; Claparède, da Universidade de Genebra; Kraemer e Ziegler, de Sttutgart; Sarasin, de Basilea; Besredka, do Instituto Pasteur de Paris; Ostwald, Schoeller e o físico Gehrke, de Berlim; William Mackenzie, de Génova; Assogioli, de Florença; Freudenberg, de Bruxelas; Hartkopf, de Colônia; Buttel-Reepen, de Oldenburg; Ferrari, de Bolonha, Goldstein, de Darmstadt, e inúmeros outros, alguns dos quais se convenceram de que os animais realmente calculavam e que as operações matemáticas eram manifestações da sua inteligência. Maeterlinck, vindo da Bélgica para estudar o fenômeno, ficou maravilhado diante do que pôde observar. Ele próprio confessa ter sido sempre fraco em Matemática e que se sentiu emocionado ao propor ao animal problemas dessa natureza. Realizou experiências com o cavalo Muhamed que, ao lado de Zarif, se revelou ainda mais inteligente que Hans, todos agora sob a direção de Karl Krall, autor do livro fundamental sobre a questão. Maeterlinck relata que devido à sua ignorância em Matemática, formulou erradamente o problema que apresentou ao cavalo e que êste, sem poder resolvê-lo, ficou perplexo, com a pata suspensa no ar. Não foi senão quando Krall descobriu o êrro e corrigiu o problema, que o animal encontrou a solução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira comissão científica para estudar o caso de Hans iniciou seus trabalhos em setembro de 1904, sendo composta de professores de Psicologia, Fisiologia, Zoologia, Veterinária e de especialistas em equitação e adestramento de animais, além de oficiais de cavalaria, do diretor do Jardim Zoológico e do diretor do Circo Busch, de Berlim. Essa comição comprovou a veracidade dos fenômenos relatados e nada tendo encontrado de falso ou suspeito, concluiu que os fatos eram reais, sendo merecedores de profunda investigação cientítica. Imediatamente depois, em Outubro de 1904, o Ministério da Educação nomeou nova comissão para ocupar-se do assunto, desta vez formada pelo professor C. Stumpf, diretor do Instituto de Psicologia da Universidade de Berlim e dos seus dois assistentes, O. Pfungst e Hornbostel. Depois de algumas semanas de trabalho, chegou a comissão a resultados completamente diferentes, apresentando um extenso relatório, no qual "sustentava que o cavalo não era dotado de inteligência, não reconhecia letras nem números, não sabia calcular, obedecendo simplesmente a sinais imperceptíveis, que, inconscientemente, escapavam à argúciado seu próprio mestre". A verificação parecia de grande evidência, pois experiências feitas no escuro ou depois de se haver tapado os olhos do animal fracassaram por completo. O mesmo aconteceu quando eram os resultados desconhecidos das pessoas presentes, ou, simplesmente, da pessoa que dirigia a pergunta ao animal, assim como quando êste não a podia ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emilio Rendich, pintor italiano que vivia em Berlim e acompanhara cheio de admiração as experiências de von Osten, acabou por duvidar dos fatos, sobretudo de que o animal agisse servindo-se ùnicamente da sua própria inteligência. Rendich percebeu que o cavalo se orientava por movimentos quase imperceptíveis  fornecidos inconscientemente pelo instrutor, cuja boa fé e honestidade estavam fora de dúvida. Bastava um movimento mínimo da cabeça de von Osten para o animal orientar-se quanto ao momento em que devia bater a pata, tudo de acôrdo com os resultados esperados. Para demonstrar que o mecanismo de transmissão era realmente êsse, Rendich realizou experiências com uma cadela de sua propriedade, Nora, cujos resultados foram inteiramente semelhantes aos de von Osten com seu cavalo Hans. A cadela lia, calculava, reconhecia notas musicais e, por meio de latidos, dava respostas às perguntas que lhe eram feitas. E ninguém percebia os sinais que o dono lhe transmitia! Por meio dêsses sinais inconscientes e imperceptíveis, foi encontrada explicação para os fatos em questão, desde logo aceita pelo professor Stumpf e seus auxiliares, que assistiram às experiências de Rendich.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já antes, em 1903, Albert Moll, então presidente da Sociedade de Psicologia de Berlim, havia feito verificações idênticas, chegando à conclusão de que o cavalo nada apresentava de extraordinário, pois apenas reagia a sinais que lhe eram dados imperceptìvelmente. Mais tarde, isso foi demonstrado experimentalmente por Pfungst, que conseguiu verificar os sinais dados inconscientemente, reproduzindo-se conscientemente. Dessa maneira, êle obteve as mesmas reações do animal, independentemente das questões que lhe eram propostas. Por vêzes, mesmo sem formular a pergunta, apenas nela pensando intensamente, obtinha-se do animal a resposta esperada, pois o simples ato de concentrar a atenção sôbre determinada questão já era suficiente para levar o experimentador a executar movimentos imperceptíveis, que serviam para estabelecer a resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aconteceu com Hans, o cão Rolf, de Marnheim e a gata Daisy, e outros animais, reproduziu-se com Basso, um chimpanzé do Jardim Zoológico de Frankfurt, que se se tornou centro de atração devido à sua capacidade intelectual, idêntica à do cavalo Hans, sobretudo para cálculos. Houve, igualmente, aí, muita disputa em tôrno dêsse caso, tendo-se apelado até para a telepatia, com o fim de explicá-lo. Finalmente, tudo acabou nos sinais imperceptíveis fornecidos pelo guarda e dos quais êle próprio não tinha conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa maneira, foi abandonada a explicação da transmissão directa de pensamento, assim como da telepatia e do mediunismo, que alguns autores quiseram explorar para interpretar os fenômenos em questão. Tudo terminou no mais puro cumberlandismo, isto é, na averiguação de que a pretensa transmissão de pensamento não passava do emprêgo de sinais convencionais, reduzindo-se o processo ao simples mecanismo da "dressagem", pela qual são transmitidas ao animal as ordens do domesticador. Aliás, parece que o interêsse e a atenção do animal eram despertados e mantidos pela ofêrta de pão, cenoura e outros alimentos, recurso muito usado nos habituais processos de adestramento. Em todo o caso, não foi fácil pôr a claro o mecanismo dessas manifestações, que a princípio deram lugar às mais fantásticas suposições. O próprio professor C. Stumpf, que fizera parte da primeira Comissão, concluindo pela realidade e inexplicabilidade do fenômeno, é o mesmo que assina o segundo parecer, que destruiu o mistério, explicando-o de modo tão simples e natural. "Pelo relatório da Comissão científica foi destruído o limbo de glória que havia cercado o cavalo de von Osten, no que êle tinha de mais extraordinário e mesmo inacreditável. Apesar de tôda a sua arte, saber ler e calcular, tornou-se um simples cavalo de circo, semelhante a muitos outros, apenas reagindo a sinais menos perceptíveis. Com isso desapareceu também o interêsse que havia em tôrno dêsse prodigioso animal, raramente aparecendo, desde então, qualquer pessoa para assistir às novas experiências". É o que nos diz Karl Krall, enquanto Maeterlinck acrescenta: "Houve na opinião pública uma grande e brusca reviravolta. Sentia-se uma espécie de alívio algo covarde, vendo-se sùbitamente extinguir-se um milagre que já ameaçava lançar perturbação nesse pequeno rebanho tão satisfeito com as verdades já adquiridas. Ao pobre von Osten nada valeu protestar; não foi mais ouvido, a causa estava perdida. Também não se levantou mais dêsse golpe oficial, tornando-se motivo de chacota de todos aquêles que, a princípio, havia maravilhado. E assim morreu na amargura e no isolamento, a 21 de julho de 1909, na idade de 71 anos." É dessa maneira, românticamente, que Maeterlinck descreve o final da vida de von Osten. Na verdade, êle morreu de um câncer do fígado, que o fêz sofrer enormemente. E, durante a doença, não cessou de praguejar contra o pobre Hans, amaldiçoando-o de tôdas as maneiras, como responsável por todos os seus males. Talvez constitua isso um elemento psicológico de valor para esclarecer a marcha que tomaram os acontecimentos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra de von Osten foi, como dissemos, prosseguida por Karl Krall, a quem aquêle doou o seu Hans e que fêz experiências com outros cavalos, sobretudo os de nome Muhamed e Zarif, que, sob muitos aspectos, se revelaram mais inteligentes que o próprio Hans, cognominado o sábio. Krall procurou demonstrar que as observações de von Osten eram exactas e que os animais em questão realmente possuiam as qualidades intelectuais que lhes eram atribuidas. Procurou excluir as causas do êrro, sobretudo em relação aos sinais imperceptíveis e, com auxílio do seu colaborador, Dr. Schoeller, tentou ensinar a Muhamed, o seu cavalo mais inteligente, a se exprimir por meio da palavra articulada. O animal fêz esforços para consegui-lo, mas terminou por parar de repente, dizendo em alemão, por meio de pancadas dadas com a pata, na sua estranha linguagem fonética: "Ig hb kein gud Stim", que quer dizer: "Eu não tenho boa voz!" Essa simples frase possui incalculável valor para decidir a questão, pois traduz raciocínio de caráter puramente humano, que mostra capacidade de expressão em idioma também puramente humano. Já se tem alegado, com tôda a razão, que a sabedoria animal atribuída aos cavalos de Eberfeld pressupõe o conhecimento de um idioma humano, no caso em questão da língua alemã, o que ultrapassa tudo o que se pode admitir, mesmo por hipótese. É verdade que Krall, no seu livro, fornece protocolos dando a impressão de que mantinha conversa com os seus cavalos em têrmos estritamente humanos, até porpondo-lhes enigmas, que êles conseguiam resolver. Em vez, porém, dêsses exageros possuirem qualquer valor de prova, o que antes demonstram é quanto deve haver de falso e errôneo em tais interpretações. Antes de tudo, é preciso considerar que os conhecimentos em causa em nada adiantariam aos animais, estando fora das suas tendências e necessidades biológicas. Se não fôsse assim, seria mais fácil, em vez das complicas experiências realizadas por Krall e outros autores, que se dissesse simplesmente ao animal onde se encontravam guardados os seus alimentos, deixando-os procurá-los por simples informação verbal. Certamente, teriam êles mais interêsse em realizar essa prova do que em fazer cálculos matemáticos, inteiramente estranhos à sua maneira de viver e que as próprias crianças, nas escolas, têm dificuldade de aprender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charles Richet, referindo-se aos animais sábios, apresenta um argumento de grande valor: "Não podemos admitir que Muhamed, Rolf, Hanschen e Berto sejam sêres excepcionais. Se êles deram provas de inteligência, é quase certo que tanbém outros animais as dariam. Porque, então, os fatos relativos aos cavalos de Eberfeld e aos cães de Mannheim não se repetiram? Porque ficaram isolados na ciência, ou na lenda? Se a aptidão de cavalos para o cálculo fôsse um fenômeno verdadeiro e não uma ilusão, poder-se-iam criar centenas de cavalos calculadores. E não foi isso o que aconteceu. O silêncio fez-se em tôrno dos cavalo de Eberfeld. Não apareceram outros! Porque, se não foi uma ilusão, idola temporis? Tal é, penso eu, a mais grave objeção que pode ser feita aos fatos alegados por Krall. E é uma objeção tão grave, que arrasta à negação".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, não era a primeira vez que se pretendia haver descoberto características de inteligência humana no cavalos e outros animais, pois, já em tempos passados, haviam aparecido casos idênticos aos de Eberfeld. Basta recorda o que nos conta Guer sôbre um célebre cavalo exposto na feira de Saint Germain, em 1732, e que andou em excursão por outras cidades da França. Êsse animal reconhecia cartas de baralho, dados de jogar, horas e minutos no relógio e dinheiro em moedas, batendo com a pata para designar os seus valores. O filósofo Le Gandre, que descreve o fato, diz nada haver nêle de falso ou exagerado, pois tudo era executado diante de numerosos observadores. Conclui, porém, que o cavalo era guiado por sinais, por gestos e pela voz do dono, acrescentando que o extraordinário é que esse sinais fôssem imperceptíveis, passando despercebidos à assistência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-9146229207517772721?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/9146229207517772721/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=9146229207517772721&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/9146229207517772721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/9146229207517772721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2010/02/da-silva-mello-misterios-e-realidades.html' title='A. da Silva Mello, &quot;Mistérios e Realidades dêste e do outro Mundo&quot; (3ª ed, pp 35-41)'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-3993798794733652113</id><published>2009-10-04T12:44:00.004-03:00</published><updated>2009-10-04T12:58:10.244-03:00</updated><title type='text'>De como a união entre beleza e toleima numa só mulher é das primeiras causas de espanto</title><content type='html'>Minha intenção primogênita era continuar a saga do desempregado, no caso eu, mas todavia atualizada, posto que desempregado não mais sou, e aliás me pus a formalizar esse artigo em meu emprego -- o esboço foi feito em casa --, emprego que talvez seja mais próprio da verdade dizer um quase-emprego. Porém minha vontade soberana cometeu uma revolução: pareceu-lhe mais superior rabiscar  acerca da pedagogia do cemitério, assunto que me tem gentilmente atormentado e que considero bastante fundamental. Mas uma derradeira viragem   minha vontade inquieta deu, motivada, é certo, por uma razão mais urgente, altaneira, elegante e agradável: mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos assuntos são mais interessantes que as mulheres, embora elas sejam mais interessantes que mero objeto de debate. Pois se há um problema fundamental na vida de todo homem, sem dúvida  é o belo sexo, expressão que já demonstra quão admiráveis são essas criaturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para  dar uma razão ao nosso ataque, caríssimo leitor, tratemos de duas questões a esse respeito. Para uma alma sensível -- em verdade mais acossada pela tolice da rasa experiência que pela presunçosa aspiração angélica de vida --, há duas fontes monumentais de espanto motivadas pelo feminino. Poucas coisas superam a desconcertante descoberta de que nas mulheres também reside a tosquice, não raras vezes perigosamente ombreada à tosquice viril. Não se trata aqui apenas da tosquice reinante nas despossuídas de graça ou das sumamente atrasadas mentalmente. É uma espécie de modo de ser universal. Não posso duvidar que tal coisa é manifestação daquilo que filósofos chamavam de indeterminado: ele constrange o feminino. A quem está tolamente acostumado com delírios amorosos, chocar-se com essa tosquice feminina pode ser um episódio sumamente deprimente. Não sejamos tolos a ponto de acusá-las de pecado, posto que talvez seja exatamente esse constrangimento que as torna palpáveis e interessantes, o que não significa, em nenhuma hipótese, que a palpabilidade é proporcional à tosquice. Apenas é preciso haver uma justa medida. Ademais, contra todos amantes do amor cortês algo cartesiano, é parte intrínseca da experiência de vida saber cumprimentar  o que se demonstra insólito. Toda a experiência humana -- incluo aí até as mais variadas formas de técnica -- confirma que nada há de mais insólito que determinadas manifestações do feminino. Faz parte das regras inquebrantáveis da civilização, por conseguinte, tratar com algum carinho esse aspecto misterioso da nossa realidade: não nos foi dada argúcia suficiente para entender tal mistério. Bem como há o Cristo Todo, há também a mulher completa, a quem devemos amar, em toda a sua glória e em todos os seus constrangimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda fonte de desconcerto, talvez pela ação do indeterminado, é a união entre a mais rica beleza e a mais pobre argúcia numa só mulher. Eis o assunto da breve meditação a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher por natureza identifica  um modelo moral que configura essencialmente seu padrão estético, o que lhe impede muitas vezes de perceber a gravidade do desequilíbrio que assinalei. Não digo que ela não o perceba completamente: ela simplesmente não se choca. Devido a essa identificação, o próprio modelo de beleza da mulher, pautado em considerações algo estapafúrdias a nós homens, parece eivado de bizarrias. Seus padrões nos parecem incompreensíveis. O homem só consegue compreender certas considerações femininas acerca da beleza ao imaginar que elas estão repletas de subjetivismos e competições. Numa palavra, freqüentemente os juízos femininos parecem motivados pela inveja ou pela caridade. Ao tecermos a uma mulher observações objetivas acerca das justas proporções de outra, ela não raramente fará críticas ininteligíveis do ponto de vista objetivo, fisicamente falando, quando não considerará nossa afirmação estritamente objetiva um insulto pessoal. Se ela consentir, será a contragosto e com afetação de superioridade. O reduzido número de mulheres capazes de uma avaliação desinteressada é prova do que afirmo. Até quando elas concordam acerca da má catadura de outra, o prazer de sua concordância demonstra que também não é por uma questão objetiva, mas por algum senso competitivo. Quando elas consideram sinceramente alguém admirável do ponto de vista estético, normalmente é devido a considerações estrangeiras: como se o comportamento mudasse a aparência física. Força é considerarmos portanto que só aos homens foi dada a real capacidade de espanto acerca desse problema,  o qual  exige de nossa parte um esforço reflexivo assaz agudo e que já engendrou as mais formidáveis filosofias deste mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, como ficou suficientemente demonstrado, a mulher articula misteriosamente o físico e o psicológico, tecendo juízos estéticos que são assaz insólitos a nós homens: eis a razão da relativa falta de espanto feminino quando aqueles dois campos parecem antagônicos. Já o homem não faz essa articulação, pelo menos não inicialmente. E isso é pedra de escândalo às mulheres. Por termos a capacidade natural de realizar esse tipo de abstração, bem ao contrário das mulheres, elas consideram os nossos juízos fundados numa impostura moral. Se o leitor tiver suficiente coragem e for amigo da verdade, louve os atributos corporais de uma mulher a outra. Aos olhos da mulher, o leitor rapidamente se transformará num bárbaro ou num cretino. Porque do ponto de vista feminino, uma observação tão crua da natureza, tão desimpedida de critérios exóticos, só pode ser realizada por uma criatura no mais pleno estágio da natureza, ou então por um monstro desprovido de moralidade. O requinte de perversidade chega ao ponto de o homem considerar a beleza um salvo-conduto da tolice. Torna-se suportável uma mulher tola na proporção de sua beleza. Ouso afirmar que tal caridade mulher nenhuma é capaz de praticar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cara leitora, se é que ainda me resta uma eventual leitora, digo, pois,  que muito embora seja verdade inconcussa que a beleza nos serve como estimulante, reconheço que a  falta constante de agrados mais espirituais convida a toda sorte de dores e constrangimentos. Não é difícil de gerenciar os  rompantes de toleima caso forem esporádicos e suportáveis. Se contudo forem excessivamente intensos e constantes, tais como uma dor de dente, apenas uma fortaleza heróica tornaria capaz de suportar tantas adversidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso desfazer um eventual mal-entendido antes de terminar. Talvez o leitor tenha se perguntado como é possível ao homem ficar espantado com o choque entre beleza e falta de espírito, já que ele lida tão bem com a união de ambas em uma mulher. A resposta está precisamente na constatação das duas realidades distintas. A mulher não se espanta porque percebe de uma forma bastante insólita a união entre beleza e espírito, enquanto o homem as percebe inicialmente como duas realidade separadas e distintas. Só com o desenvolver do tempo é que o problema começa a se lhe tornar nítido. Antecipando-me a uma eventual leitora irônica, em nada isso demonstra a falta de capacidade cognitiva masculina. Ocorre no caso apenas operações mui distintas. A intuição feminina e a operação de síntese masculina são de natureza diversa, produzindo, no fim, resultados igualmente diversos. Prova  é que por maior que seja a operação de síntese masculina, muito dificilmente ele considerará que o espiritual de uma mulher predomina e reconfigura a sua aparência. Entre a  espirituosa mas desgraciosa e a graciosa mas desespirituosa, esta última normalmente lhe chamará mais a atenção. Já a mulher, ainda que não desprovida de percepção objetiva, muito dificilmente enfrentará dilemas ao lidar com alguém espiritualmente agradável mas de aparência assaz original. Nisso, como em quase tudo, homens e mulheres são fatalmente diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No futuro, talvez eu continue a tratar dessa questão, mas por enquanto adeus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-3993798794733652113?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/3993798794733652113/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=3993798794733652113&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/3993798794733652113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/3993798794733652113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2009/10/de-como-uniao-entre-beleza-e-toleima.html' title='De como a união entre beleza e toleima numa só mulher é das primeiras causas de espanto'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-7964368452616877577</id><published>2009-07-02T18:03:00.003-03:00</published><updated>2009-07-03T14:26:29.301-03:00</updated><title type='text'>Rito tridentino no Rio de Janeiro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/Sk4_PIrNAZI/AAAAAAAAADU/70rHJwfd4Aw/s1600-h/missa_rio_extraordinaria.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 271px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/Sk4_PIrNAZI/AAAAAAAAADU/70rHJwfd4Aw/s400/missa_rio_extraordinaria.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354286536249377170" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-7964368452616877577?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/7964368452616877577/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=7964368452616877577&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/7964368452616877577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/7964368452616877577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2009/07/rito-tridentino-no-rio-de-janeiro.html' title='Rito tridentino no Rio de Janeiro'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/Sk4_PIrNAZI/AAAAAAAAADU/70rHJwfd4Aw/s72-c/missa_rio_extraordinaria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-7820888651334437134</id><published>2009-04-22T00:29:00.002-03:00</published><updated>2009-04-22T00:45:52.159-03:00</updated><title type='text'>No qual continuo o post anterior</title><content type='html'>Mas eu tive a sensação de que "tudo está dominado" ao ver um monge batendo palmas e fazendo coreografia, empolgado com as festividades, ainda que fizesse tudo discretamente. Diante de situações desse tipo, lembro-me de Matatias e de sua fúria santa, que desencadeou a revolta dos Macabeus. É duro permanecer impassível, quiçá sorridente, em meio a tantas coisas. Esperemos que D. Orani dê um jeito nessa situação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-7820888651334437134?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/7820888651334437134/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=7820888651334437134&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/7820888651334437134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/7820888651334437134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2009/04/no-qual-continuo-o-post-anterior.html' title='No qual continuo o post anterior'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-2595920488033110759</id><published>2009-04-22T00:16:00.003-03:00</published><updated>2009-04-22T00:26:41.439-03:00</updated><title type='text'>Da cerimônia de posse de D. Orani, novo arcebispo do Rio de Janeiro</title><content type='html'>Confesso que no momento em que nosso arcebispo fez seu pronunciamento, eu simplesmente me desliguei no meio das intermináveis saudações às autoridades, quando ele virou a primeira ou segunda folha e continuou saudando-as, o que me fez lembrar da Doação de Constantino, em cujo início há tantos títulos referentes ao imperador que aparentemente a doação é apenas um detalhe no documento, e só retornei a mim nos aplausos finais. Se de fato o discurso de D. Orani foi de cerca de meia hora, então bizarramente fiquei meia hora em transe. Conforme um amigo me disse, não foi nada fácil acompanhar a litania das autoridades feitas pelo núncio, D. Eusébio e D. Orani.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele domingo, por acaso eu folheava à noite meu catecismo, no qual está dito que a igreja é um excelente local para oração, mas aparentemente isso não é aplicável a certas zonas do Rio de Janeiro. Acho que foi a primeira vez em que realmente tive dificuldade de orar numa igreja no momento da comunhão, tamanha a baderna. O negócio estava tão feio que no banco à minha frente havia duas ou três pessoas que simplesmente estavam ouvindo uma partida de futebol no meio da missa. Não sei se na Idade Média havia bagunças nas igrejas -- acho que já li em algum lugar sobre gente entrando com bichos em igrejas e que isso não era raro --, mas atualmente a situação está se tornando insuportável, se é que já não o está em determinadas igrejas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só gostaria que as pessoas não berrassem na igreja, não fizessem tumultos por farra, nem que transformassem as missas numa ode à breguice e ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;kitsch&lt;/span&gt;, mas aparentemente é pedir demais. Qualquer dia, do jeito que a banda toca, haverá lutas de sumô em plena missa, a fim de atrair mais fiéis e de tornar tudo mais intrigante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-2595920488033110759?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/2595920488033110759/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=2595920488033110759&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/2595920488033110759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/2595920488033110759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2009/04/da-cerimonia-de-posse-de-d-orani-novo.html' title='Da cerimônia de posse de D. Orani, novo arcebispo do Rio de Janeiro'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-8286821164760391452</id><published>2009-04-10T22:08:00.005-03:00</published><updated>2009-04-18T17:20:25.164-03:00</updated><title type='text'>De como tento me livrar de certos ranços que me impedem de usufruir bem da vida religiosa</title><content type='html'>Antigamente, e devo alertar que por esse advérbio entendo um passado de seis anos, eu era de certa forma influenciado pelas opiniões dos assim chamados "tradicionalistas", cujo mote é que houve na década de 60, devido a um concílio infeliz, a criação de uma igreja diferente da Igreja: seria a "Outra", nas palavras de Gustavo Corção. A "Outra" seria uma espécie de anti-Igreja e até mesmo parasita: dentro da própria Igreja ela lhe consumiria. Vem disso a célebre expressão "auto-destruição da Igreja." Dadas as dificuldades que atualmente cercam a Igreja, o poder de atração dessa idéia é hipnotizador, pois parece explicar de modo mais ou menos simples praticamente tudo. Todavia, nada como um ano após outro. Atualmente, acho que me livrei em boa parte dessa explicação, pois ela me parece não só desprovida de sentido mas também maléfica. Meus motivos não são difíceis de entender, embora sejam, talvez, difíceis de vivenciar. Tentarei, pois, explicar esse meu aparente enigma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tocarei em questões teológicas nem filósoficas, pois não quero me enrolar ridiculamente. Ademais, a prudência exige que não nos atiremos de cabeça em águas que não conhecemos a profundidade. Portanto peço ao leitor católico que aceite tão-somente algumas idéias bem simples. Com efeito, sabemos por exemplo que a Igreja foi fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, e que "sobre ela as portas do inferno jamais prevalecerão". Precisamos então confiar na Igreja assim como confiamos em Jesus Cristo: é absolutamente impossível separar um do outro. Sabemos também que o Espírito Santo sempre estará ao lado da Igreja, afinal "o Senhor é meu pastor e nada me faltará". Certa vez Bento XVI, na época cardeal, disse que a Igreja é um barco antigo mas seguro e bem provado. Ele tinha razão, porque se ainda que estivermos no vale da morte o Senhor estará conosco, também Ele estará com a comunidade de fiéis em meio às tribulações que ela vier a atravessar ao longo dos séculos. Jesus Cristo, conforme as Santas Escrituras, diante do temor dos Seus ministros quando da tempestade no mar, acalmou-a, e todos seguiram boa viagem. Do mesmo modo, sendo a Igreja um barco e o mundo águas revoltas, o Espírito Santo estará sempre presente a fim de que tudo concorra bem. Nossas preocupações são decorrentes da nossa pouca fé: acaso não disse o Senhor que "não vos preocupeis com o dia de amanhã"? A Igreja também é nossa "mãe e mestra", "mater et magistra". À certeza inabalável de suas decisões como mestra, junta-se a doçura da mãe que cuida de seus pequeninos. Ora, quando alunos acatamos aquilo que o mestre nos ensina, e como filhos confiamos em nossas mães sem temor algum. A Igreja não ensina novidades, mas guarda e atualiza todo o patrimônio sagrado. Doutra maneira, ela nos ampara em todas as nossas necessidades, pois é a Esposa de Cristo e nós os Seus filhos. Daí que devemos acatá-la como mãe e como guardiã do que há de mais precioso, que é a tradição sagrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o leitor é católico, tais pontos, simples, são indisputáveis. Nessas questões de princípio ninguém deve tocar. Porém sabemos como a nossa fé caminha aos solavancos, principalmente nas adversidades. Quantos podem resistir aos assaltos daqueles que, vendo-nos em circunstâncias miseráveis, caçoam e dizem: "Esperou no Senhor, livre-o; salve-o, se é que o ama"? Eu próprio tenho dificuldade de entender muitíssimas coisas. Contudo, aqueles pontos simples precisam ser a minha rota de fuga. Se dissermos todos os dias "creio", e se pedirmos a Deus força para crermos n'Ele e na Santa Igreja, enfim, se aceitarmos a graça de Deus, ela será derramada em nós e nos fortificará. Nossas dúvidas serão aos poucos saciadas, pois Jesus Cristo já dissera: "Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á, porque todo o que busca, recebe: e o que busca, acha: e a quem bate, abrir-se-á". É preciso, portanto, ter confiança, pois se nossas dúvidas forem sinceras elas serão satisfeitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, preciso dizer ao leitor que tudo aquilo que for ocasião de perda deve ser dispensado. Compreendo perfeitamente o quão difícil é às vezes agir assim, porque há momentos em que uma renúncia parece uma afronta não só a nós mesmos como também aos outros. Darei como exemplo todas as discussões acerca da licitude do último concílio. Ora, as discussões a respeito moveram escândalo após escândalo. Isso é absolutamente inaceitável. Tal como a Reforma produziu um escândalo tão imenso que pôs as almas de todos os fiéis em perigo, as discussões acerca da validade do último concílio também têm sido ocasião de muitas perdas: o que mais tem havido são insubmissões, mentiras e calúnias. Numa palavra, tem havido ataques constantes à caridade. Note o leitor que nem entro na questão de nossa irrelevância diante desses problemas. Realmente, por uma questão de humildade, seria ridículo nos revolvermos demais a esse respeito. Todavia, estou atacando o problema de um modo que vai mais além. Considero extremamente maléfico se envolver demais nessas discussões, porque são de fato motivo de perda. Já dissera Nosso Senhor: "Se o teu olho direito te escandaliza, arranca-o, e lança-o fora de ti: porque melhor te é que se perca um de teus membros, do que todo o teu corpo seja lançado no inferno." Que palavras formidáveis e aterrorizantes! Assim, em termos práticos, eu tento evitar, na medida do possível, entrar em discussões acerca do concílio, a não ser para lembrar que a Igreja é fiel a Deus e que o concílio, sendo da Igreja, é também fiel a Deus. Por outro lado, já que o próprio Jesus Cristo dissera que é necessário tirar antes a trave de nosso próprio olho antes de falar do cisco no olho de outrem, tento evitar, na medida do possível, falar ou pensar mal de alguém, a não ser de brincadeira. Claro que freqüentemente me pego nessas faltas, mas se eu próprio não consigo me submeter à Igreja como é preciso, até que ponto é justo eu reclamar de um padre ou leigo insubmissos? Finalmente, se porventura eu observar que a pessoa, mau grado ter opiniões estranhas (uso "mau grado" porque não compreendo a forma "malgrado"), está sinceramente em busca de uma resposta pessoal, serei o último a denigri-la: o problema não é a busca em si, mas o jeito como conduz suas buscas. Seria um problema de direção espiritual -- não que eu esteja me considerando um diretor espiritual, é óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito a dizer ainda sobre o assunto, mas basta por enquanto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-8286821164760391452?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/8286821164760391452/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=8286821164760391452&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8286821164760391452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8286821164760391452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2009/04/de-como-tento-me-livrar-de-certos.html' title='De como tento me livrar de certos ranços que me impedem de usufruir bem da vida religiosa'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-1915793753094235147</id><published>2009-03-12T00:17:00.010-03:00</published><updated>2010-02-19T21:43:35.095-02:00</updated><title type='text'>A saga de um desempregado</title><content type='html'>Blogs foram feitos para relatar experiências pessoais, ou essa é a fama que em geral eles têm. Eu diria de outra forma: blog é um dos vários meios pelos quais compartilhamos nossas misérias com estranhos. Somos como uma dessas pessoas que ficam tão loucas para desabafar que não perdoam o primeiro gaiato que aparece na frente, que no caso presente é você, caro leitor. Essa minha observação, aliás, modéstia de lado, é muito interessante, porque costumeiramente tendemos -- inclusive eu -- a considerar blogs como exibicionismo. Isso não está totalmente errado. Blogs, bem como qualquer outro meio de escrita, são, do ponto de vista de quem escreve coisas pessoais, como estar nu em alguma avenida: uns gostam mais, outros menos, mas é exibicionismo. Contudo, o que nesta vida não é vaidade? Não, caríssimo leitor. Meus colegas blogueiros ou eu passarmos determinada imagem, conscientemente ou não, a ti, não é apenas uma questão de identidade. O que está em jogo é um catolicíssimo compartilhar de lágrimas dos degredados filhos de Eva. Desde aquele que exibe suas medalhas ao que aponta para suas dores, tudo é uma busca pelo irmão perdido, a fim de que ele nos acompanhe fraternalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu objetivo agora não é fazer o leitor chorar, nem muito menos pretendo reclamar como velho da vida. Imagino que todos nós já sabemos que a vida tem um aspecto bastante complicado. Porém é bom senso ter noção de que não vivemos numa Sibéria stalinista. Nem eu poderia reclamar exageradamente, a não ser para efeitos retóricos; confio no leitor inteligente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarta passada, enquanto eu zanzava pelo Centro do Rio atrás de algo para fazer, dei-me conta da quantidade de pessoas que possivelmente também ficam zanzando com o mesmo objeto no Centro. Neste bairro, diariamente, a quantidade de gente que está procurando algum emprego deve ser realmente muito assombrosa. Dei-me conta disso desde que vi as filas em agências de emprego, cotidianamente lotadíssimas, ou quando vi a quantidade de pessoas que vão aos montes a consultorias de trabalho. Devido à minha própria situação, fiquei mais sensível a essas coisas, da mesma forma que pensei nas pessoas que ficam vagando pelas ruas sem muita razão, após a perda de entes queridos, como Gustavo Corção e eu mesmo já fizemos, ainda que eu não tenha a chegado a agir exatamente como o velho católico, que por um tempo seguia às vezes, como que hipnotizado, transeuntes de madrugada. Mas já dei boas voltas de madrugada como espécie de distração. Não sei muito bem a razão de tal comportamento. Pode ser, talvez, porque achamos de alguma maneira que a pessoa amada e falecida vai cruzar conosco na rua. Porém estou fugindo um pouco do meu propósito neste parágrafo, que é comentar acerca da quantidade nebulosa de pessoas andando no Centro do Rio atrás de emprego. A fim de me repetir, torno a dizer que as agências de emprego são sintomáticas. Há uma delas, governamental, próxima da Igreja de São José. Tenho o hábito de passar ali perto, e não me recordo de um só santo dia em que não tenha visto filas de manhã. É algo que me faz lembrar das históricas filas de desempregados no período do entre-guerras, com a diferença de não aparecerem agitadores profissionais querendo incitar as multidões à revolta. Um fato auxiliar é a quantidade de gentes em locais para concurso público. Essa manada de gente só pode indicar que a insegurança quanto ao emprego é ampla, geral e irrestrita. O outro fator, agências de recrutamento, é também eloqüente. Não cometerei o absurdo de exigir do leitor a ida a uma dessas agências: confie na minha experiência. Fui a uma e fiquei espantado com o enorme número de pessoas indo e indo e indo tão-somente para entregar currículos e pedir qualquer salário baixo – isso quando não diziam que topavam qualquer coisa, usando o termo “a combinar”. O mais impressionante é que pelas conversas eu tive a sensação de que ninguém tinha muita noção do que queria, exceto trabalhar: gente de todas as idades. Aliás, quando a tormenta se acalmou, perguntei à atendente se sempre era daquele jeito, ao que ela me disse que normalmente era muito pior. A sala de espera, se é que podemos chamar assim um local onde só cabem três pessoas sentadas e outras três de pé, parecia um formigueiro. Ninguém ficava muito. Mais lá para dentro, havia essas dinâmicas de emprego que mais me parecem humilhações adicionais criadas por algum sádico contra quem topa tudo por dinheiro. Por amor a um possível emprego, todos se submetem a tudo, o que não é de se estranhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui no Centro há o Mosteiro de São Bento. Esse ano, graças a um amigo, passei a freqüentá-lo durante as manhãs, 7h15, umas duas vezes no meio da semana, sempre que minha preguiça é vencida. Gosto de ir andando. Nessas idas, passo geralmente no maior zunzunzum já às 6h20: o mundo se levanta cedo. Fico sempre impressionado com a quantidade de pessoas por essas redondezas. É normalmente gente de todos os cantos da cidade, e isso quando não são de fora. Em meu prédio, por exemplo, há dois porteiros que moram em cidades próximas. Aproveito para dizer que é totalmente falsa a impressão de que cariocas não toleram trabalho: ao contrário, topam tudo e em qualquer horário. A visão das hordas na praia é enganosa. A população em geral não fica só na praia. Suspeito que o problema é que ela não parece ser bem qualificada, para usar um termo econômico. Isso por si não me parece justificar tamanho desemprego, porém não sou especialista nessas coisas. A única pessoa satisfeita com a economia do país é o presidente, porém todos sabem que ele não é autoridade para nada. Por outro lado, é freqüente observar como as pessoas tentam se virar do jeito que dá. É o caso dos vendedores ambulantes. Eles são o maior exemplo de como é falso também supor que o brasileiro, ou pelo menos o carioca, não tem espírito empreendedor. Muito pelo contrário: estamos lotados de espíritos empreendedores, mas que não conseguem avançar de vez por alguma razão que me escapa. Perto do Campo de Santana, na altura da Biblioteca Estadual, há sempre muito cedo uma lanchonete improvisada ao ar livre. Vendem caldo de cana, suco, pastel e sanduíches a trabalhadores. Quando passo por ali bem cedo, jamais deixo de ver uns vinte clientes, sem contar os outros que se dirigem àquele “estabelecimento”. Essa lanchonete improvisada só funciona bem cedinho: pouco mais tarde desaparece, junto com o vermelhidão da aurora. É de se crer que ocorram iniciativas semelhantes em muitos outros lugares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme eu tenho visto anúncios de emprego, chamou-me atenção a admirável formalização do nome dos cargos. A maioria das pessoas e eu sabemos o que é um faxineiro e um varredor. Contudo, ai daquele que buscar vagas pela Internet com esses nomes! Hoje em dia, por um motivo que me escapa inteiramente, nossos caros faxineiros e varredores se transformaram em um insosso "auxiliar geral. Peão-de-obra também desapareceu: acho que se transformou em “auxiliar de produção". São nomes mais elegantes, sem dúvida, porém totalmente vagos. Isso me parece algum ranço técnico-jurídico ingrato, misturado com o politicamente correto. Os juristas medievais eram mais criativos. Como disse Marc Bloch, algum deles, de veias poéticas, cunhou o termo "feudo do sol" aos alódios, isto é, terras que não eram enfeudadas, desprovidas de encargos feudais. Como eram terras que não foram dadas por ninguém ao seu proprietário, daí a expressão "do sol". Hoje em dia, época da exatidão técnico-matemática e do politicamente correto, expressões poéticas como aquela são inimagináveis no sistema jurídico. O concreto faxineiro se torna um abstrato "auxiliar geral".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, que nunca tive empregos formais, vi-me numa situação inusitada. Ao ter de fazer currículos online, freqüentemente tinha de mencionar um emprego bem específico, o que é normal. Contudo, jamais tinha me dado conta da tecnicidade dos empregos e da pluralidade de funções. Há semanas venho lendo isso e até agora não consegui entender a diferença entre um emprego profissional e um operativo, conforme li nalgum site de empregos. Tampouco sei o que significa a hierarquia auxiliar-técnico-estagiário-júnior-gestor, e que o leitor me corrija se acaso tropecei na hierarquia correta. Dentro do meu mundo, inicialmente há professores e os outros, sendo que dentre os primeiros a gradação se dá pelo título adquirido: isso por si só já é um verdadeiro inferno. Quanto aos outros, até pouco tempo atrás achei que havia o jornalista, o editor, o advogado, o faxineiro, o lanterninha... Porém descubro que há assistentes, que são diferentes dos auxiliares. Há igualmente um bando de júniors, certamente, imagino, antecessores dos sêniors. Para mim, um assistente e um auxiliar são a mesma coisa, porém na tecnicidade empregatícia há diferenças. Se o leitor me permitir uma referência filosófica assaz bizarra, eu chamaria essa explosão de tipos de emprego e especializações de "kantismo empregatício positivista", já que após Kant e positivismo tudo virou objeto de ciência, mesmo as coisas mais inusitadamente irreais. Contudo, faltaria com o bom senso se durante uma entrevista de emprego eu objetasse que tal emprego, mau grado -- faço de bom grado um assassínio lingüístico -- remunerar bem, é um delírio de inspiração kantista-positivista, portanto necessariamente inferior a outras funções. Conhecer monstruosidades lingüísticas como “endomarketing" só me causam furor e ressentimento. Calo-me quanto a empregos cujos significados, a partir do nome, são ininteligíveis, ainda que bem remunerados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha situação só me tem confirmado aquilo que eu já havia percebido: sou pária. Aparentemente, estou um pouquinho acima da média educacional, porém um pouquinho abaixo da excelência do ensino superior. Vivo portanto num intramundo, e aqui, gentil leitor, não há empregos. Se eu fosse um ex-clérigo, vivesse enfurnado num bar e amasse vagabundear pelas estradas e saias alheias, talvez eu poderia ser um goliardo, se é que isso significa pertencer a uma classe. Estou muito mais próximo do clérigo que disse a Raimundo Lúlio que havia passado a juventude estudando e esmolando. Seria esta situação, aliás, concebível para nossa imaginação, um estudante universitário literalmente mendigo? Só consigo imaginar algo parecido a partir das pobrezas estudantis russas de Dostoievski. Atualmente conseguimos ser universitários sem piolhos, sem lepra e, o que é melhor, cercados de belas universitárias, ainda que isso varie dramaticamente de curso para curso: eu, por exemplo, desde meus tempos de segundo grau de Eletrotécnica, jamais tive a sorte de estudar com beldades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui do intramundo observo o quão distante é a perspectiva de emprego de um intelectual de quem não é intelectual. Se um historiador do futuro investigasse nossa época, analisando que tipo de emprego costumeiramente era oferecido em 2009, talvez ele concluísse que nós éramos criaturas excepcionalmente inteligentes, posto que aparentemente ninguém quer saber mais de professores ou qualquer coisa desse gênero. Há milhares de cargos para “auxiliar geral”, para técnico de informática, jornalista... A demanda de cargos burocráticos ultrapassa o infinito. E para quem quer dar aulas? Só se for de idiomas. Obviamente isso é um exagero retórico: a questão é a baixa quantidade de cargos daquele tipo. É também óbvio que existem mais varredores que professores, mas isso não explica a inacreditável baixa demanda. Existe realmente um abismo entre intelectuais e a população em geral, de modo que o contato entre eles é puramente acidental ou cercado de misticismo de ambas as partes. O povo é uma coisa que o intelectual vê de longe, enquanto o intelectual é algo que escapa completamente do horizonte do povo. Não que isso seja totalmente estranho por si: o problema é que por essas bandas a situação é muito dramática. Mas estou já escapando do assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como só podemos viver no intramundo comendo e bebendo o que as pessoas do mundo comem e bebem também, não dá para ficar contemplando aristotelicamente a realidade. Porém as pessoas no mundo exigem qualificações excessivamente formais ou se agrupam em convênios: ambos, em português bem claro, significam tão-somente armação e boquinha. Os “superiores” usam de esperteza a fim de restringir o acesso aos seus cargos. Qualificações excessivamente formais e convênios são seu escudo protetor contra as hordas vindas do inframundo. Aliás, o mesmo se dá com concursos públicos: são a chance dos “superiores” viverem tranqüilamente. Assim, um concurso público que exige 2° grau e que dá todo o tipo de benefícios a quem passar será disputado preferencialmente pelos “superiores”: o mesmo ocorre em concurso que exige tão-somente 1° grau. Na realidade, concurso público é a boquinha dos “superiores”. Os que estão entre os “superiores” e não conseguem participar da boquinha vão ocupar cargos imediatamente inferiores, supostamente destinados aos do inframundo, e os que estão no inframundo mas são melhores que seus companheiros vão ocupar os cargos destes. Os últimos, no fim das contas, vão pastar e comer grama. As regulamentações a fim de proteger os direitos dos trabalhadores servem apenas para dificultar contratações e arremessar todo mundo na rua o mais rapidamente possível. A acrescentar as autênticas sacanagens empregatícias, é de se espantar como chamam tudo isso de exemplo autêntico da maldade inerente ao capitalismo, quanto é apenas exemplo de pega-pra-capar tupiniquim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizendo assim, até parece que meu caso específico é culpa da maldade ambiente. Não é bem assim. Como esse blog não é um confessionário, não devo me dirigir ao leitor como se você fosse meu padre confessor. Digo tão-somente que, dada a situação ambiente, eu também fiz questão de me enrolar. Creio que ter escapado heroicamente da universidade não foi uma ação virtuosa. Certamente as universidades têm problemas muito graves, porém a solução não me parece fugir, ainda mais quem não tem muitas fontes de renda. É uma simples questão de bom senso. Sou o primeiro a dizer que freqüentemente topamos com situações deprimentes em faculdades, mas também quero ser um dos primeiros a dizer que cada faculdade é um microcosmo: o que ocorre na faculdade de História da UFRJ é diferente do que ocorre na da UFF. E mesmo em cada uma delas existe um tremendo saco de gatos. Passados quatro ou cinco anos sem pôr os pés numa sala universitária, hoje tenho melhor noção dos problemas que o positivismo trouxe aos estudos. Eles chegam a ser ininteligíveis para quase todo mundo, tal é a influência dos seus pressupostos metodológicos aparentemente sensatos e humildes. As opiniões e estudos esquerdistas certamente estão bem disseminados e são irritantes. Todavia, uma faculdade não é só isso: bem ou mal, determinadas coisas você só conhecerá, ou pelo menos conhecerá mais facilmente, numa faculdade. Ademais, digo por experiência própria que se na universidade já ficamos angustiados por encontrar pouca gente disposta a estudar verdadeiramente assuntos amplos, fora dela é virtualmente impossível encontrar alguém. Não acho essa concentração toda benéfica: a academia nunca poderia ter o monopólio do que é intelectual. Mas sejamos práticos: a verdade é essa. Em termos gerais, vida intelectual não existe fora dos muros da universidade, pela simples razão de a maior parte das pessoas simpáticas ao estudo estarem nas universidades. Posso estar enganado, porém nas atuais condições a universidade, mesmo do jeito que está, é, no final das contas, um lucro. Há também o problema tradicional da confusão entre estudo acadêmico e estudo academicista. O primeiro é um autêntico estudo superior, enquanto o segundo é tão-somente sua cópia exterior. Como macaquear é mais fácil e cômodo, onde não houver seriedade haverá academicismos. Tudo isso é de conhecimento geral, mas é necessário enfrentar a selva e reter o que vier de bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus gostos históricos são bem variados: vão desde a Antigüidade até Segunda Guerra Mundial. Sei muito bem que este último assunto, na UFRJ, foi tomado por loucos esquerdistas, de modo que é impossível estudar adequadamente o assunto. Por outro lado, estudos sobre a vida de Jesus foram tomados por outros loucos, esquerdistas ou não. Em se tratando da minha faculdade de Histórico, busco me ater ao meio termo, ou melhor, na Idade Média, não toda, é claro. Também por experiência pessoal vi que é possível estudá-la sem cometer indecências. O fato de haver uma propensão enorme a se estudar meia dúzia de autores franceses não é um problema tão grave. Nenhuma dessas coisas serve de impedimento grave aos meus estudos, exceto circunstâncias externas, isto é, conseguir novamente minha matrícula e ter condições materiais para me manter estudando e vivendo adequadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu tivesse tido essas precauções eu não estaria tão enrolado. Mas “o tolo só aprende por experiência”, nos dizeres de Homero. Vejamos se consigo levar adiante o que aprendi com minhas tolices.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-1915793753094235147?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/1915793753094235147/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=1915793753094235147&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1915793753094235147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1915793753094235147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2009/03/saga-de-um-desempregado.html' title='A saga de um desempregado'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-3900312782042611600</id><published>2009-03-06T21:25:00.003-03:00</published><updated>2009-03-14T15:22:01.642-03:00</updated><title type='text'>Do último post do Omayr</title><content type='html'>O blog do Omayr é um dos mais felizes que há. Sempre há textos muito interessantes, ou citações muito boas. Porém eu gostaria de convidar o amigo leitor a ler &lt;a href="http://salterrae.org/2009/03/06/bach-letras-e-missais/"&gt;seu último post, um relato pessoal, que está magnífico&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-3900312782042611600?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/3900312782042611600/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=3900312782042611600&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/3900312782042611600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/3900312782042611600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2009/03/do-ultimo-post-do-omayr.html' title='Do último post do Omayr'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-3013205734363126939</id><published>2009-03-04T14:44:00.000-03:00</published><updated>2009-03-04T14:45:49.581-03:00</updated><title type='text'>Divórcio e barbárie</title><content type='html'>(Nota: Mais um post requentado.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente o leitor acharia muito estranho se um filho fosse ao cartório para anular sua união com os pais ou vice-versa. Isso não seria menos esquisito se ocorresse com nossos irmãos, tios, primos, avós, etc. Mas é bem possível que o leitor não estranhe tanto se um marido insatisfeito fosse ao mesmo cartório para anular suas ligações com a esposa. Estamos tão habituados com a idéia de divórcio que ela se tornou algo tão natural quanto o Corcovado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é o casamento? É a união indissolúvel entre marido e mulher, visando constituição de família. Atentemos para a palavra “indissolúvel”: se é assim, então onde fica o divórcio? Não fica; aliás pode até ficar no caso do casamento civil. Pois o Estado até matrimônios gere, como se não bastasse sugar nossos míseros centavos a cada mês com dezenas de impostos, obrigatoriedade do voto, do serviço militar... Até violar seus cidadãos quando mortos, sob o pomposo nome de “autopsia”, ele quer. Só que, em se tratando de casamento, o Estado não supre uma peculiaridade desta união. É que a Igreja une sob os auspícios de um dom sobrenatural, criando no instante dos votos um parentesco que não foi o de nascimento. Assim, por causa desse dom, os nubentes vêem suas famílias crescer: surge uma segunda mãe, um segundo pai, um segundo primo, um segundo avô etc. etc. Quando um casal se une desse modo, pode-se dizer que cada um se casa com a família do outro. E o resultado dessa união, realmente espantosa, é a junção de várias pessoas em uma só: de um pouco de sangue de cada família surge uma nova criaturazinha, que é conclusão concreta (melhor: carnal) dessa união. Eis que a ligação de sangue sobrenatural se desdobrou e criou uma ligação carnal em forma de pessoa. A palavra empenhada ao pé do altar se fez carne: é o nascimento da criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se pai e mãe são tão parentes quanto primo e tia, como é possível haver o divórcio? Só pode ficar no casamento civil, que une sem unir. Não quero dizer com isso que os anjos não desceram dos céus e transformaram a união de duas pessoas no cartório no principal acontecimento do universo naquele exato instante. E se várias pessoas se casam ao mesmo tempo, então por um mistério também cada uma será o centro do universo. Porém o que eu quero dizer é que o Estado não tem o poder sobrenatural para sacralizar esta união. Tenho um certo receio de usar a palavra “conveniência” para explicar isso, pois dá margem a equívocos. Se o leitor tiver boa vontade, entenderá que com isso digo que o casamento em cartório acaba se baseando em formalidade jurídica, um assinar de papéis, embora um assinar de papéis todo especial. Mas é apenas ali no papel que está a salvaguarda do casamento. E sabemos como papéis são frágeis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um agravante nesta já insólita situação, que não sei dizer se filosoficamente é causa do movimento ou final disso tudo. É o problema da palavra empenhada. Antigamente, quando quase ninguém sabia escrever, só alguém muito original consideraria indispensável um contrato por escrito e assinado para empenhar um juramento. Em épocas muito remotas, as pessoas juravam nas e pelas coisas mais insólitas: água, vinho, fogo... Até os coitados dos santos eram empenhados, ou as mães. Coitados de ambos! Esses hábitos até hoje podem ser vistos na nossa própria sociedade, ainda que tenham perdido a freqüência e importância original. Em pleno século XX, meu avô, segundo lendas, quando empenhava a palavra, dizia também que jurava pelo seu bigode, pois aquilo era a prova de ele ser um homem, e homens não quebram a palavra. Bigode! Não sei dizer se ele se viu muitas vezes com o bigode aparado; em todo caso, é um exemplo engraçado de como essas coisas permaneceram até os dias de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos acrescentar na nossa breve história dos juramentos que eles sempre tinham um caráter sagrado. Ninguém escolhia a água por ela ser uma substância intrigante ou o vinho porque o juramento era coisa de gente bêbada. Jurava-se sob a água porque muitos acreditavam que no princípio tudo era água, sendo as coisas agora compostas substancialmente por ela – era a substância mais importante que existia. Ou o fogo, segundo outros. Quanto ao vinho, não sei dizer o motivo, mas imagino que tenha alguma relação com Baco ou outro deus. Além disso, não podemos esquecer que a palavra, por si só, é um atributo que os deuses gentilmente nos emprestaram. Se atentássemos para a sua importância, pensaríamos cinco, dez vezes antes de usá-la. Então o juramento é (ou era, se formos muito pessimistas) algo muito especial e até misterioso, sagrado quanto à sua natureza. Quebrar uma promessa, um pacto, só gente impiedosa, só gente completamente afastada da civilização, só teria coragem um bárbaro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que seria o divórcio senão uma quebra de um juramento? Para piorar a situação, um dos mais importantes juramentos que duas pessoas podem fazer? Não é verdade que apenas os bárbaros não empenham seriamente a palavra? Pois aí está, leitor: nós somos incivilizados, impiedosos, pois em uma quantidade absurda de casos, além de não pensarmos no absurdo que é o desligamento de um laço de parentesco, não levamos a sério nossos próprios votos. Não medimos as conseqüências da nossa própria palavra empenhada e não hesitamos em quebrá-la quando melhor nos convém. Elegemos a eficiência como o mais soberbo princípio e, a partir daí, vivemos na mais medíocre prática de conveniências, de egoísmos e do amor-próprio. Esse problema é tão grave que chega a ameaçar uma sociedade. Se do ponto de vista individual cria inimizades, de um ponto de vista mais geral o juramento se torna uma prática vazia. A sociedade acaba aceitando o império universal da desconfiança. Por que não poderia alguém se “divorciar” da sociedade e, por razões de conveniência, realizar um golpe de Estado e rasgar a Constituição? E o que impediria, em um mundo assim, de um país quebrar tratados cuja tinta que serviu para sua assinatura mal secara? É o mundo das traições, das apunhaladas, dos advogados e promotores em número absurdo, do medo, da desconfiança e do descrédito. É a volta a quatro patas a um estado primitivo, onde tudo parece conspirar contra nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-3013205734363126939?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/3013205734363126939/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=3013205734363126939&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/3013205734363126939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/3013205734363126939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2009/03/divorcio-e-barbarie.html' title='Divórcio e barbárie'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-3951179165916306977</id><published>2009-03-03T21:00:00.003-03:00</published><updated>2009-03-03T21:05:04.459-03:00</updated><title type='text'>O sultão e o Anjo da Morte</title><content type='html'>(Nota: Já publiquei esse texto, mas decidi reescrevê-lo parcialmente. No futuro escreverei uma segunda versão com um final levemente alterado.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contarei a vocês, amigos, uma história oriental. Não é minha: faz parte desse conjunto de lendas que simplesmente brotam das névoas da história, portanto verdadeiras em espírito. O fim é meio abrupto, mas não contarei a moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez o sultão contemplava orgulhoso e solitário a sua cidade da varanda de seu enorme palácio. Toda aquela opulência lhe parecia a manifestação e testemunho de sua própria glória, como se uma idéia grandiosa tivesse sido atualizada por uma pessoa semelhantemente grandiosa, um milagre que havia se tornado ato em todos os pormenores. Certamente não havia cidade em todo orbe tão bela quanto àquela. Essa contemplação tinha traço de Narciso, porque ao olhar a cidade ele via tão-somente a si mesmo. Todavia, eis que de repente o sultão sentiu um calafrio tremendo, prenúncio de toda a calamidade. Do alto da abóbada celeste escura e estrelada, desceu, tal como um raio, um anjo de beleza terrível. Não era uma criatura qualquer, mas aquele que é a boca de Deus para o flagelo. Estava ali o Anjo da Morte. E o sultão estremeceu. Com uma voz indescritível, logo disse o Anjo: "Ó homem, eis que Deus me enviou para te anunciar terrível desgraça. Prepara-te, pois tocarei a tua cidade como jamais fora antes tocada." Tendo ouvido tão sinistro oráculo, o sultão lhe respondeu: "Que fiz de mal? Ora, diga-me conforme a verdade: quantos hão de tombar? Se foi o Senhor que te enviou, então pela graça de Deus misericordioso te rogo para que me digas!" Falou o Anjo: "Cinco mil tombarão nas próximas semanas de doença terrível. Prepara-te e te alegra, ó homem, porque nem sempre é dado conhecer a extensão da própria desgraça. Tu és pecador, mas Deus é fiel." E voltou aos céus o Anjo da Morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal tendo desaparecido o Anjo, o sultão, homem extremamente prático como todos bons governantes devem ser, tratou de expedir ordens o quanto antes para que a cidade suportasse o flagelo vindouro. As ordens eram dadas com certa melancolia, pois ele considerava a empresa difícil e o fato vindouro brutal. Mas não se discute a vontade de Deus. A cidade foi preparada, na medida do possível, para suportar a calamidade iminente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A semana seguinte chegou e as pessoas começaram a morrer. O sultão, bastante apreensivo, observava os acontecimentos e agia de acordo com suas possibilidades, sem jamais deixar de contabilizar o número de mortos: estava certo que a desgraça cessaria tão logo a quantidade de almas mencionada pelo Anjo subisse aos céus. Na primeira semana Deus chamou aos céus setecentas almas. Na segunda foram mil e quinhentas. Na terceira foram mais mil. O pânico era generalizado. O espírito do povo sofria golpe atrás de golpe. E não cessava de morrer gente até que houve um total de mais de trinta mil mortos em pouco mais de um mês, o que deixou indignado o sultão, que repetia de si para si: "Para o inferno aquele demônio mentiroso!" Eis então que novamente o Anjo da Morte apareceu e lhe perguntou: "Ó homem, por que blasfemas?" Respondeu-lhe o sultão: "Tu me enganaste, demônio! Falaste que cinco mil homens tombariam de doença terrível. Ora, em pouco mais de um mês morreram mais de trinta mil!" Disse-lhe o Anjo: "Decerto, ó homem, cinco mil tombaram de peste terrível." O sultão, ao ouvir tais palavras, sentiu o coração queimar, e sua alma se inquietou, e uma ira aparentemente justa se apossou dele. Exasperado, disse, com a voz irada: "Zombas de mim, maldito cão dos infernos! Seis vezes mais homens tombaram do que isso!" Então lhe respondeu o Anjo da Morte: "Ó homem de pouca fé e insensato, que duvida do aviso do céu! Celerado! Cinco mil tombaram de peste. O restante, em verdade vos digo, o restante morreu de medo da peste."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-3951179165916306977?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/3951179165916306977/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=3951179165916306977&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/3951179165916306977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/3951179165916306977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2009/03/o-sultao-e-o-anjo-da-morte.html' title='O sultão e o Anjo da Morte'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-6565777447305968044</id><published>2009-03-02T10:45:00.004-03:00</published><updated>2009-03-04T14:23:57.605-03:00</updated><title type='text'>Da Igreja e o comunismo</title><content type='html'>Olavo de Carvalho, tanto no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;True Outspeak&lt;/span&gt; de segunda última, bem como em muitíssimas ocasiões, tem dito que a Igreja silenciou publicamente acerca da perversidade do comunismo desde o último concílio. Essa acusação, no entanto, está longe da verdade. A tal ponto a Igreja condena pública e expressamente o comunismo que no próprio catecismo há referências a malignidade do comunismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está claramente dito, &lt;a href="http://www.vatican.va/archive/compendium_ccc/documents/archive_2005_compendium-ccc_po.html#OS%20DEZ%20MANDAMENTOS%22%20target=%22_blank%22%3Ehttp://www.vatican.va/archive/compendium_ccc/documents/archive_2005_compendium-ccc_po.html#OS%20DEZ%20MANDAMENTOS"&gt;na seção acerca do sétimo mandamento&lt;/a&gt;, que o comunismo e o socialismo são pecados contra este mandamento, e contrários à doutrina social da Igreja:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;512. O que é que se opõe à doutrina social da Igreja?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2424 – 2425&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Opõem-se à doutrina social da Igreja os sistemas económicos e sociais que sacrificam os direitos fundamentais das pessoas ou que fazem do lucro a sua regra exclusiva ou o seu fim último. Por isso, a Igreja rejeita as ideologias associadas, nos tempos modernos, ao «comunismo» ou às formas ateias e totalitárias de «socialismo». Rejeita, além disso, na prática do «capitalismo», o individualismo e o primado absoluto da lei do mercado sobre o trabalho humano.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso significa que todo católico deve (ou deveria) saber que professar o comunismo é um pecado grave, e que a Igreja está clara, visível e inequivocamente em combate contra o comunismo, como aliás sempre esteve. Ora, o pecado contra o sétimo mandamento não é o único mal do comunismo. Sendo uma ideologia atéia, e sendo o ateísmo igualmente um pecado gravíssimo, o comunismo é uma afronta ao primeiro mandamento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;445. Que proíbe Deus ao ordenar: «Não terás outros deuses perante Mim» (Ex 20,2)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2110-2128&lt;br /&gt;2138-2140&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este mandamento proíbe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o politeísmo e a idolatria, que diviniza uma criatura, o poder, o dinheiro, e até mesmo o demónio;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a superstição, que é um desvio do culto devido ao verdadeiro Deus, e que se expressa nas várias formas de adivinhação, magia, feitiçaria e espiritismo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a irreligião, expressa no tentar a Deus com palavras ou actos, no sacrilégio, que profana pessoas ou coisas sagradas sobretudo a Eucaristia, e na simonia, que pretende comprar ou vender realidades espirituais;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o ateísmo, que nega a existência de Deus, fundando-se muitas vezes numa falsa concepção de autonomia humana;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o agnosticismo, segundo o qual nada se poder saber de Deus, e que inclui o indiferentismo e o ateísmo prático&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo o comunismo ateu e contrário à doutrina social da Igreja, aquele que o professa está queimado em pelo menos dois mandamentos. Todavia, o comunismo também é uma idéia genocida, totalitária, contrária à família e às autoridades legitimamente estabelecidas, promovedor de discórdias, inimigo da propriedade privada e defensor de muitas outras coisas absurdas. Portanto, logicamente ele está em choque contra virtualmente todos os mandamentos de Deus, não havendo sequer necessidade de sempre repetir a palavra "comunismo" em cada exemplo de pecado contra os mandamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tudo isso é dito expressamente no próprio catecismo, que é ensinado a todos os fiéis do mundo inteiro, fica evidente que a Igreja permanece em combate feroz contra o comunismo desde sempre e com toda a sua força, não sendo verdade, pois, que a partir do último concílio ela deixou de condená-lo. Tudo isso é de conhecimento básico para todo católico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, eu gostaria de dizer que já vi missas em que padres condenavam explicitamente o comunismo. É verdade que já vi uma missa em que um padre criticava a propriedade privada, como se ela fosse pecaminosa de fato, porém esse pretenso ensinamento é um absurdo total, claramente contrário ao catecismo da Igreja, que, ao contrário, considera a propriedade privada legítima, desde que fundada na justiça. Ademais, infelizmente sempre houve heresiarcas no seio da Igreja, mas ela sempre soube defender o depósito da fé da maneira mais sábia e inequívoca. Por mais terríveis que sejam os inimigos da fé e por mais que eles cerquem a Igreja, ela nunca se deixou acovardar nem se amesquinhar: todos os erros em todos os tempos foram combatidos com bravura e nunca deixaram de ser denunciados pelas principais autoridades sacerdotais. Acusar a Igreja atualmente do contrário está em desacordo com a tradição e bem longe do que tem acontecido na realidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-6565777447305968044?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/6565777447305968044/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=6565777447305968044&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/6565777447305968044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/6565777447305968044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2009/03/da-igreja-e-o-comunismo.html' title='Da Igreja e o comunismo'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-1793826199232687862</id><published>2009-02-24T12:20:00.003-03:00</published><updated>2009-02-24T13:29:47.929-03:00</updated><title type='text'>Pedagogia do cemitério</title><content type='html'>A disposição de certos locais mais ou menos próximos de onde moro me chama a atenção, tanto por ter sido fruto do acaso como pela significação simbólica. A Lapa, chamada de área boêmia do Rio, é um bom exemplo. Logo no início, há vários estabelecimentos festivos, onde há tanta gente apinhada que não raro é difícil de andar. Não raro também é o consumo de drogas e prostituição. Se continuarmos andando e passando pelos Arcos de Lapa, ainda haverá as mesmas coisas, porém bem mais a frente está uma funerária, e ao seu lado o Instituto Médico Legal. Caminhando mais um pouco, deparamo-nos com o INCA e o Hospital da Cruz Vermelha, embora haja outros estabelecimentos de saúde próximos. Ora, o sentido disso sempre me foi muito presente: além do desregramento está a morte. Não sei se muitas pessoas fazem alguma reflexão desse tipo ao passar por todos esses lugares, mas deveriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem próximo de onde moro, a ponto de ser impossível de dormir no meu quarto quando há carnaval, há o Sambódromo. O que muitos não sabem ou não se deram conta é que ali perto há o Cemitério do Catumbi, talvez a menos de duzentos passos. Considero simplesmente inacreditável que nenhum carioca tenha refletido acerca disso. Os mortos jazem a não muitos metros das extravagâncias. Deveria ser, aliás, costume fazer uma peregrinação até aquele cemitério após ir ao Sambódromo, como medida educativa. Vejam os gregos por exemplo. Lembro-me muito mal de uma aula em que um rapaz falava acerca de uma festa muito estranha na Grécia clássica. A certa altura das festividades, as pessoas, dentro de tavernas, ficavam por algum tempo caladas e concentradas, de cabeça baixa e olhando para suas canecas. Não me lembro exatamente da razão desse comportamento, mas tinha alguma coisa a ver com a presença de espíritos: era como se cada um se concentrasse a fim de não ser perturbado pelos mortos. Em seguida elas voltavam ao normal e voltavam a beber e conversar. É algo análogo à missa: há o momento em que todos se confraternizam dando a paz de Cristo, mas também todos se calam imediatamente após a comunhão, sendo que anteriormente os mortos são lembrados: Memento etiam, Domine...    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fosse eu pastor ou padre e teria feito um sermão de domingo levantando esses pontos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte é uma das realidades da nossa existência. Assim, toda a nossa vida está ancorada, queiramos ou não, em sua presença. Contudo, mais de um século de positivismo escamoteou tudo aquilo que não passava pelo crivo da ciência experimental. Como a morte poderia ser considerada do ponto de vista científico, ou, melhor dizendo, que ciência teria a morte como objeto? Um materialismo implícito fez com que simplesmente uma das realidades mais próprias de nossa existência fosse considerada um não-assunto. Ela ficou, no máximo, relegada ao domínio das crenças subjetivas e à conversa informal. Todavia, seria injusto considerar o positivismo o único vilão. Por mais estranho que pareça, os avanços técnicos e políticos, que permitiram a existência de uma enxurrada de pessoas como nunca se vira antes, contribuíram igualmente para o quase esquecimento da morte. Com as expectativas de vida subindo cada vez mais e com a relativa melhoria das condições de vida, uma quantidade imensa de luxo e conforto foi disponibilizada para virtualmente quase toda a humanidade. A existência começou a parecer não mais tão penosa como no passado -- um engano lamentável, mas é essa a sensação. A profunda instabilidade da vida, que se refletia tão materialmente que mesmo no Pai-Nosso é sempre pedido "o pão nosso de cada dia", atualmente parece ter se tornado um problema meramente filosófico: com efeito, a urgência do "pão nosso de cada dia" não parece ser mais tão grave assim. Catástrofes de abastecimento tais como houve na Rússia em fins do séc. XIX parecem aos olhos do observador mediano algo circunscrito tão-somente a regiões remotas do mundo. Tudo isso fez com que a realidade da morte fosse uma experiência longínqua para muitíssimas pessoas. Diferentemente de um Bach, que se tornara órfão bem jovem, perdera a primeira esposa e ao longo de sua vida quase metade dos filhos, quantos de nós passaram por algo semelhante? Para muitíssimas pessoas, realmente a morte não tem sido uma experiência próximo: quando muito, chora-se a perda de algum parente afastado ou um amigo. Quanto não conhecem a morte tão somente por assim dizer de oitiva? Contudo, mais cedo ou mais tarde, todos enfrentarão a presença da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero empreender uma análise a fim de descobrir se o positivismo é causa ou efeito do avanço técnico-político. Desejo apenas salientar que a morte acabou sendo posta para debaixo do tapete. Ora, tudo aquilo que é uma realidade na vida humana jamais poderá ser escondido sem prejuízo. A conseqüência disso é que ela surgirá com força redobrada. O século passado foi assaz ilustrativo: quando a morte parecia sob controle, duas guerras mundiais sangrentas e regimes totalitários causaram a morte de mais de trezentos milhões de almas, e essas mortes totalmente desprovidas de sentido não param. Ao mesmo tempo, a decadência da política tem transformado os centros urbanos em moedores de carne, principalmente em países como Brasil, onde a taxa de homicídios é assombrosa. Embora tenham tentado transformar a morte em peça de antiquário, ela vem se mostrando com uma vitalidade apavorante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa situação é desconcertante. Com todo o aparato técnico, simplesmente nos vemos por assim dizer mais inermes do que nunca contra os grilhões da morte. Ela desempenha sua função com um desassombro particularmente humilhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Continua...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-1793826199232687862?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/1793826199232687862/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=1793826199232687862&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1793826199232687862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1793826199232687862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2009/02/pedagogia-do-cemiterio.html' title='Pedagogia do cemitério'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-301911924557969315</id><published>2009-02-24T00:37:00.001-03:00</published><updated>2009-02-24T00:37:48.134-03:00</updated><title type='text'>Ida ao concerto</title><content type='html'>(Como estava pessimamente escrito, decidi republicar este post, ainda que certas coisas provavelmente tenham me passado em branco. Não é improvável eu reescrevê-lo novamente.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;* &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Sábado fui assistir à apresentação de Daniel Taylor na Sala Cecília Meirelles acompanhado por mais um Taylor, A.J.P., o falecido historiador inglês que escreveu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Segunda Guerra Mundial&lt;/span&gt;. Não sei se os dois têm algum parentesco, mas direi alguma coisa sobre ambos. Contudo, direi primeiramente certas coisas imediatamente anteriores à apresentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo chegado cedo, cousa espantosa vindo de alguém tão mal relacionado com os ponteiros como eu, decidi fazer uma hora numa igreja ali próxima. Mal entrei e vi um sujeito baixinho ensaiando umas músicas com um coro tão animado quanto feminino e de idade algo avançada. Ao lado, uma senhora tocava um teclado num estilo tal que julguei ser alguma performance ultra-moderna. Devo mencionar ao leitor que uma das pragas modernas é, na minha opinião, o teclado. Por mais que digam que ele soe como qualquer coisa imaginável, na minha modesta opinião ele soa apenas como um teclado tentando ser qualquer coisa imaginável. A falta de entrosamento entre o coro e o teclado era impressionante, sendo compensada pela extrema desafinação daquelas almas piedosas, algo que o baixinho, animado como estava em lhes ensinar canções, parecia ignorar completamente. Sua boa vontade era igualmente impressionante, e então percebi que talvez ele estivesse cumprindo algum tipo de penitência inusitada misturada com algum tipo de masoquismo, o que talvez tornasse a penitência inútil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo não foi minha primeira comoção musical do dia, pois sentira algo semelhante ao passar, muitas horas antes, em frente à Igreja da Santa Cruz dos Militares, caso minha memória não me engane. No momento da comunhão, alguém teve a belíssima idéia de fazer um acompanhamento musical num estilo semelhante a Ivan Lins, porém em tons por assim dizer sacros. Nunca me passara pela cabeça uma missa sitiada pela cafonice, mas naquele momento as pessoas conseguiram esse milagre. Infelizmente meu dáimon me mandou apertar o passo, embora eu esteja até agora querendo saber que raio de música era aquela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à igrejinha do baixinho animado, igrejinha aliás muito bela e que conheci graças a um evento totalmente mundano, isto é, quando da apresentação de quartetos de cordas de Beethoven, decidi, pois, ficar ainda mais, pelo menos até a hora da comunhão, esperando que Deus não me julgasse mal por ter de sair no meio da missa por causa do concerto. Chamou-me a atenção todas as pessoas serem de idade avançada. Numa igreja aqui perto de casa algo semelhante parece ocorrer no meio de semana, exceto uma vez que vi uma senhorita de minissaia lá dentro. Mas aquela igrejinha estava razoavelmente cheia, num sábado frio e chuvoso, cousa mui louvável. Em todo o caso, eu era o caçula. Obviamente não havia razões para me incomodar com nada disso. Um incômodo, na realidade, irrompeu mal tendo começado a missa. Antes que alguém me julgue destituído de espiritualidade, advirto que me refiro ao andamento estranho da missa. Aquele sujeito baixinho, que então descobri ser o pároco, juntamente com seu assistente, coreografava um balançar de braços dos fiéis. Havia uma cantoria de gosto duvidoso, uns gestos estranhos, uma música mal feita, uma leitura um tanto canhestra de passagens bíblicas, enfim, tudo era terrivelmente mal conduzido. Naqueles momentos, enquanto eu me perdia a olhar aquela igreja tão agradável, eis que me surgiram as palavras que certa vez meu amigo Carlos escrevera em seu blog sobre a união da beleza com a liturgia. O que ele escreveu é, garanto, produto de considerações mui pessoais, pois ele próprio experimentara cenas litúrgicas esquisitas. Mas, pedindo gentilmente licença a meu amigo, eu avançaria um pouco mais e diria que toda a missa que não leva suficientemente a sério a união da beleza com a liturgia cai, na menos pior das hipóteses, no cômico. Em certa ocasião, durante missa em lembrança à minha avó falecida, havia um cidadão que entoava cânticos numa voz tão bizarra e com um jeito de falar tão inaudito que foi um empreendimento heróico manter o auto-controle para não rir durante tão grave evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu estava com um espírito de concerto, não pude deixar de matutar que atualmente seria um período glorioso para as missas de Haydn, as quais, na época, foram ignoradas por causa de seu espírito alegre demais. Ora, sequer precisaríamos de uma orquestra e coro: bastaria um tocador de cd ou um desses cacarecos tecnológicos atuais que desconheço velhacamente. Por que, dentre as opções, há o hábito de sempre escolherem a mais infeliz? O mais curioso é o raciocínio de que o povo precisa daquilo que mais lhe convém, tendo implicitamente a noção de que o povo só gosta do que for pior. Música mal feita no lugar de Haydn parece ser, na cabeça de alguns, mais próprio ao povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei, pois, a agitação de papéis de lado, mesmo antes da comunhão, e me dirigi à sala de concerto, embora, para meu espanto, faltasse ainda meia hora para o início da apresentação. Sentei-me e decidi conversar um pouco com o historiador inglês, autor de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Segunda Guerra Mundial&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nada pior que estar em má companhia. Talvez a única coisa pior é não poder desembaraçar-se dela. Para me gáudio, não era o caso em questão. A.J.P. Taylor me foi um ótimo companheiro de conversações, de tal modo que o deixei falar o tempo todo a fim de aprender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse livro foi escrito no início da década de 60 e se tornou um clássico, embora tenha sido inicialmente detestado, exceto por "ex"-nazistas. Eu tinhja ouvido falar de Taylor graças a um outro excelente historiador, John Lukács, mas não podia imaginar que, além de ser inteligente, ele era tão divertido. Sua ironia é sutil -- às vezes nem tanto --, bem agradável, o que me rendeu algumas risadas, como no momento em que ele diz que as indenizações de guerra da Alemanha eram motivos "de insatisfação intelectual; coisa para lamentar à noite, e não motivos de sofrimento na vida cotidiana", que, em bom português, significa "frescura". Na mesma página, ainda sobre as indenizações, ele continua: "O homem de negócios em dificuldade, o professor mal pago, o trabalhador desempregado, todos as culpavam pelas suas dificuldades. O choro de uma criança faminta era um protesto contra elas. Os velhos iam para a cova devido às reparações." Ironia e sarcasmo que segundo meu imaginar só os ingleses conseguem desempenhar tão bem. Contudo, não pude deixar de perceber como tudo aquilo se aplica extraordinariamente ao Brasil, com a única diferença de o culpado ser a "exclusão social" ou o "capitalismo". Numa página anterior, ele diz que os ingleses começaram "a denunciar a loucura das reparações, tão logo se apossaram da frota mercante alemã", cousa que deve ter irritado mais de um inglês ao ler isso. Essas e outras passagens indicam que Taylor era polêmico, porque ele estava atacando todos os sagrados lugares-comuns: que a Alemanha não tinha como pagar as indenizações de guerra; que o Tratado de Versalhes foi totalmente péssimo para aquele país; que o programa de rearmamento alemão foi pesado durante quase toda a década de 30; que a guerra mundial foi tramada por Hitler; que o ditador, aliás, era um estadista -- Lukács desenvolveu mais esse ponto; que planos como a anexação da Bélgica e Ucrânia, guerra contra a França e o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lebensraum&lt;/span&gt; não eram idéias típicas de Hitler, mas alemãs, e desde a Primeira Guerra. A lista é ainda mais extensa. Não foi por acaso que seu livro teve inicialmente uma recepção péssima e, para piorar, acabou erroneamente saudado por "ex"-nazistas, portanto interpretado por todos como uma espécie de reabilitação de Adolf Hitler: interpretação completamente torta, diga-se de passagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É lamentável quando o historiador é obrigado a seguir a opinião de todos tão-somente porque parece ser a mais agradável. A idéia de oposição ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;establishment&lt;/span&gt; por si mesma é agradável apenas a quem não saiu da adolescência mental. No caso do historiador, a situação é mais complicada porque, afinal de contas, a pesquisa jamais cessa. Um estudioso busca explicar o que ocorreu, nunca se satisfazando com as explicações aparentes. Um pesquisar tem de ser uma pessoa séria, não um instrumento que ecoa a opinião do dia. O exemplo do modo como o próprio Taylor conta de como foi obrigado a rever suas posições ao longo de suas pesquisas é ótimo. Ele, como diria Aristóteles, foi constrangido pela verdade, muito embora fossem contrárias não só às suas primeiras opiniões como ao consenso: ele acabou sendo detestado por muitos. É uma infelicidade monstruosa que em nosso país os cursos de história tenham sido tomados por selvagens cujo espírito é o oposto ao do verdadeiro historiador, embora esses infelizes se considerem espíritos críticos: eles querem unanimidade tão-somente. Mas que o leitor não exagere duplamente o que estou dizendo: Taylor não tem razão sempre e eu ainda estou lendo o livro*.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisei terminar a agradável conversa com Taylor porque o concerto iria começar. Até o instante em que escrevo estas linhas tortas, não compreendi por que os organizadores chamaram o evento de "Música Antiga", já que nem Dowland, nem Handel e nem as composições anônimas apresentadas eram música antiga. Naturalmente, a dúvida que surge é saber o que diabos significa esse termo. O canto gregoriano é antiqüíssimo, talvez a música mais antiga ainda em uso, mas não tenho certeza se seria apropriado classificá-lo como música antiga. Talvez seja mais próprio usar o termo para as músicas da Antigüidade, mas é bom que se diga que os próprios medievais, a certa altura, dividiam os estilos em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ars antiqua&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ars nova&lt;/span&gt;, e isso nada tinha a ver com a Antigüidade. Para o nosso gosto e, por que não, da própria Renascença, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ars nova&lt;/span&gt; é algo inacreditavelmente arcaico, tanto quanto &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ars antiqua&lt;/span&gt;. E sabemos muito pouco da música da Antigüidade. Do ponto de vista da música clássica -- o termo aqui se refere à música de um determinado período --, talvez não seja um absurdo total considerar que o período barroco e anterior não passam de algo cafona e fora de moda, ainda que seja uma extravagância colocar no mesmo saco gente tão diferente como Handel e Dowland. É sempre complicado estabelecer o que é moderno e o que é velho segundo o que parece mais antiquado. Mas, como diria Taylor, são inquietações intelectuais boas para incomodar o sono, mas que não afetam em nada a vida cotidiana. Assim, estando o termo equivocado ou não, os músicos estavam lá e havia público suficiente para a apresentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, a atração principal do concerto era o contratenor Donald Taylor, o qual, repito, não faço a menor idéia se é parente ou não do historiador inglês. A primeira parte da apresentação foi consagrada a Dowland e compositores anônimos. Se o leitor nunca ouviu o compositor inglês, saiba que suas músicas são ótimas para incentivar a produção de bílis negra. É impressionante como Dowland compôs tantas músicas melancólicas. Na minha opinião, um dos melhores momentos foi quando Taylor cantou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;I saw my lady weep&lt;/span&gt;, embora não tenha havido uma segunda voz. Não que ele tivesse se apresentado sozinho: havia uma soprano extremamente bonitinha com ele, trajando um longo vestido esverdeado. Dentro do meu limitado entendimento musical, ela cantava muito bem. Pensei nas palavras de um poeta que dizia não haver nada mais agradável que ouvir um talento combinado a uma feição bela. Não posso cometer a injustiça de esquecer o senhor do alaúde, instrumento delicado que foi muito bem tocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda parte foi dedicada quase inteiramente a Handel, com acompanhamento de piano. Confesso que seria mais agradável se houvesse uma pequena orquestra de câmara, mas não quero choramingar porque o pianista era muito bom. Se alguém tinha alguma dúvida de sua habilidade, suponho que ela tenha desabao após a execução de uma transcrição de Liszt de uma peça bachiana, se não me engano algum prelúdio e fuga. Algumas árias de Handel sustentaram alguma melancolia, ainda que bela, como durante a apresentação de um duo da ópera &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Theodora&lt;/span&gt;. Para quebrar a melancolia, o espetáculo findou com duas árias heróicas da ópera &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Giulio Cesare&lt;/span&gt;, em que Taylor alternava entre contratenor e barítono, exibindo suas habilidades vocais. Durante as árias heróicas, ele também fazia questão de interpretá-las, explicando antes ao público brevemente do que se tratava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava tão perto do palco que não perdi um único perdigoto, nem uma eventual enxurrada deles, mas suficientemente afastado para me pôr a salvo deles. Eu gostaria de ter visto mais o pianista usando o pedal, mas a cabeça de um senhor na primeira fileira embargou-me o intento, bem como do senhor desprovido de cabelos que estava atrás dele. São detalhes irrelevantes, pois a apresentação foi boa, mesmo quando Taylor disse que o Ptolomeu da ópera conseguia ser ainda mais malvado que Bush.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma sensação curiosa voltar para casa depois daquele evento, pois tive de passar pelo mafuá dos Arcos da Lapa, zona considerada boêmia. Era como se eu estivesse me perdendo nas mais profundas trevas da antiga Germânia ou nos pântanos da velha Britânia. Minha imaginação não concebe as razões que levam um semelhante meu a embrenhar-se prazerosamente num local tão feio e lotado de mafomas e demais gentes de má catadura. Agora bem: a memória do espetáculo anulou aquele ambiente. Segui embalado por aquelas músicas até meu lar, como aliás já o tinha feito em outra ocasião, durante o festival dedicado a Beethoven, o que comprova que a boa arte nos permite sustentar muitos tormentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Isso foi quando publiquei pela primeira vez esse post. Tendo já terminado de ler o livro, apenas devo repetir que ele é realmente excelente. Sua principal contribuição foi reorientar a história diplomática do período do entre-guerras, além de fazer repensar muitos lugares-comuns que infelizmente até hoje são repetidos. Certas vezes Taylor exagera: ao contrário do que ele diz, Hitler bem provavelmente desejava atacar militarmente a Tchecoslováquia e a Polônia, mas é também provável que ele não quisesse envolver as potências ocidentais no jogo. Ele, porém, era um homem de inclinações extremas, até mesmo suicidas, ignorando os riscos de suas cartadas: ao contrário de homens como Chamberlain, Hitler era um jogador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um apêndice interessantíssimo, que é trancrição de um breve curso dado por Taylor numa universidade na década de 70. Ele explica que em raros casos as guerras são realmente planejadas de antemão. Mas há outro motivo para esse apêndice ser interessante. Taylor diz que seu livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A segunda guerra mundial&lt;/span&gt;, no qual ele buscava as causas do conflito mundial, tinha um equívoco: ele não analisou os fatos até 1941, quando realmente o conflito se torna mundial. O livro termina com uma análise da crise polonesa. De 1939 a 1941, a guerra teria sido apenas européia, e como tal, fadada a ser contada tão-somente como mais um dos inumeráveis conflitos europeus ao longo da história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-301911924557969315?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/301911924557969315/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=301911924557969315&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/301911924557969315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/301911924557969315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2009/02/ida-ao-concerto.html' title='Ida ao concerto'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-8566356397996224767</id><published>2009-01-08T18:21:00.012-02:00</published><updated>2009-02-24T00:41:52.738-03:00</updated><title type='text'>Minha mãe, Natalina Pereira (28-VI-1953 - 29-XII-2008)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;É logo um santo e saudável pensamento orar pelos mortos,&lt;br /&gt;para que sejam livres dos seus pecados. (2 Mac 12,46)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Aos vinte e nove de dezembro de dois mil e oito, às 18h25, minha mãe, Natalina Pereira, aos 55 anos, rendeu sua alma ao Senhor. A causa do falecimento, após cinco dias em estado grave no CTI, foi uma infecção generalizada decorrente de um abscesso subfrênico. O nome da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;causa mortis&lt;/span&gt; pode parecer ininteligível, mas a morte em si é a um só tempo clara, simples e absurda. Não importa a causa: tudo é pretexto para a ação da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convivi com minha mãe por 26 anos, o que me parece um tempo brevíssimo agora. Gostaria de viver eternamente com ela, porém nesta vida, por culpa de um, a morte foi convidada a se divertir, estranha diversão, neste mundo, mas graças também a um ela foi vencida, o que me dá uma esperança ancorada na fé. Mas digo que tive o privilégio de não só conviver com ela como de ter sido a pessoa mais próxima e principal alvo de todo o seu amor. Sim, privilégio, porque minha mãe era uma pessoa excepcional. Não digo que ela era excepcional tão-somente porque sou filho e o momento é frágil: é o pensamento unânime de todos que a conheceram. Pude testemunhar isso especialmente durante as últimas semans de vida de minha mãe, desde a sua primeira internação, oito de dezembro, dia da Imaculada Conceição, depois durante sua última semana comigo em casa, e finalmente quando do seu enterro, aos trinta de dezembro. E mesmo dias depois, como hoje à tarde, quando uma senhora de quase 90 anos me telefonou, emocionada, elogiando sinceramente minha mãe, e sem mencionar os testemunhos de afeição que todos lhe dirigiam ao longo de sua vida, tudo me fez perceber como ela era de fato querida e recebeu em troca tudo o que buscou dar: carinho. É verdade que faleceu, mas foi realmente amada por todos, e amou a todos com seu jeito humilde. E se por um lado é extremamente doloroso perder alguém tão amado e amável, e ainda mais por ser minha própria mãe, por outro lado me causou espanto e admiração perceber como ela cativou o respeito de tantos, tão-somente sendo humildade, mansa e sempre praticando o amor ao próximo, sempre espontaneamente. Aqui também não digo simplesmente uma opinião parcial e influenciada pelo momento: mais uma vez, é opinião unânime, a ponto de eu já ter ouvido alguém dizer que minha mãe fora exemplo para todos, o que muito me envaidece como filho. Por muitos que sejam os meus defeitos -- e ela não tem culpa deles --, tenho plena consciência de que minhas qualidadas foram em grande parte, senão no todo, herdadas de minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o velório, enquanto eu dizia algumas palavras que brotavam na hora, sempre eu lembrava de uma passagem bíblica: “aquele que se humilhar será exaltado”. Efetivamente, por amor minha mãe se humilhou, e por amor ela foi exaltada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente ela não era santa e tinha toda a consciência disso. Não obstante, seus defeitos mais patentes, como a teimosia, eram suaves e totalmente compensados pelo seu despreendimento. Disso sou testemunha viva. Poderia dar muitos exemplos, mas direi só alguns: certa vez, depois de quase doze horas de trabalho, ela ainda teve ânimo de distribuir comida aos pobres e sem fazer nenhum alarde, caminhando desde a Lapa e Cinelândia até em casa, em frente ao jornal O Globo, quase às 22h30. Impressionante, porque mesmo tendo pouco, distribuía muito. Nunca deixava de visitar os enfermos e gostava de ajudar os idosos. Recusava quase sempre qualquer tipo de ajuda, a ponto de parecer obstinada, embora na realidade era o seu temor de incomodar os outros, de qualquer maneira, que mais lhe tocava. Por outro lado, estava mais preocupada com os outros do que consigo mesma, sem medir esforços para ajudá-los. Especialmente comigo era toda carinhos: se saía de casa comigo dormindo, fazia questão de me dar um beijinho ou de deixar bilhetinhos, que aliás era outra característica sua: nunca enviava nada pronto de antemão, porque preferia escrever tudo, e sempre quando tinha vontade. Ela era incrivelmente espontânea, e destestava fazer qualquer coisa só por fazer. Isso se refletiu até na sua relação com a Igreja. Ela só gostava de ir quando tinha vontade, e várias vezes me repetia isso. Embora não tivesse nenhuma educação religiosa, por algum motivo misterioso gostava demais da Igreja, em especial de Jesus, Maria, de São Judas Tadeu e dos papas. Quando ia ou voltava do trabalho, ela beijava a imagem de Maria e o cruficixo no corredor, e sussurrava alguma reza. De manhã, gostava de ir à janela para orar também, mas eu quase não ouvia o que ela dizia. Quando eu lhe falava alguma coisa a respeito da vida de Jesus, ela chegava a se emocionar, o que sempre achei curioso. Ela também era uma excelente dona de casa, daquelas que fazem o possível para manter a ordem, e várias vezes cheguei considerá-la meio tantã, porque não raramente ela preferia perder horas de sono a manter a casa bagunçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muitos outros casos que por economia de espaço não direi, mas mencionarei só mais um. Certo dia na enfermaria, quando algumas pessoas a visitavam, entre elas eu, minha mãe começou a se sentir mal, porém não queria demonstrar que não estava bem. Ela então se controlou, esperou todos nós saírmos e logo chamou os enfermeiros, sem que soubéssemos de nada. Ela não queria que ficássemos preocupados. Toda a tristeza que nos acometeu depois, principalmente devido a seu falecimento, nada disso foi por vontade sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era impressionante observar como a vontade dela se ajustava às suas resoluções práticas. Não me lembro de ela fazer uma coisa boa porque se forçou. Pelo contrário: era sempre uma coisa espontânea e sempre colocava em prática. Na realidade, ela gostava de fazer tudo imediatamente, o que não significa que era impulsiva: ela só achava bobagem inventar obstáculos demais para coisas simples. Ela também tinha uma força de vontade incrível. Quanto a este ponto, foi para mim particularmente doloroso -- e certamente para ela -- perceber o quão debilitada estava. Ela nunca foi uma pessoa de se entregar a doenças, detestava depender dos outros, ainda que tivesse consciência bem clara de suas limitações. Seu corpo não lhe dava tréguas, porque ela já começava a senti-lo cansado em decorrência da idade. Mas o fato de ela não se entregar a doenças não significa que tivesse uma saúde de aço. Ela não tinha e sabia disso. Porém nas suas duas últimas semanas de vida, devido ao mal que culminou em sua morte, ela sequer conseguia ficar de pé sozinha, comia com dificuldade e, depois que tornou a ser internada, até a respiração lhe parecia uma tarefa acima de suas capacidades. Nem mesmo a sua força de vontade enorme e sua grande vontade de viver foram suficientes para resistir, porque não nos foi dado resistir à morte com nossas próprias forças: toda a sua energia simplesmente foi embora. Para ela ter chegado ao estado debilitado que chegou, é porque a doença era extremamente grave, e realmente o era. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último dia que passei com minha mãe em casa foi aos vinte e um de dezembro. No dia seguinte, ela foi internada, sendo que aos vinte e quatro, véspera de Natal, devido a uma grave piora em seu estado de saúde, ela deu entrada no CTI, de onde não saiu mais com vida. Lembro-me perfeitamente bem de cada instante, que mais parecia uma sucessão de acontecimentos sombrios. Foi uma véspera de Natal duríssima para todos nós, e os dias seguintes foram ainda mais desoladores. Havia um lampejo de esperança aqui e acolá, mas o quadro geral piorava constantemente, de tal modo que passei praticamente uma semana achando que a qualquer momento me ligariam avisando que minha mãe havia falecido. É um verdadeiro inferno perceber a morte envolvendo como serpente alguém que amamos, sem que possamos fazer absolutamente nada. Minhas noites foram péssimas. Eu tinha a sensação de que verdadeiramente havia um peso me esmagando, e minha cabeça sempre latejava, como se realmente alguém estivesse esmagando-a. Ainda assim, pude manter a calma, pelo menos na frente de todos, embora eu não tenha resistido quando ela foi internada no CTI. Lembro-me perfeitamente bem de vê-la entrando numa maca no CTI, por volta das 18h do dia vinte e quatro, respirando com ajuda de um nebulizador, dizendo com voz bem fraca um Feliz Natal e acenando devagar, com sua mão debaixo do lençol. Esbocei um Fe..., porém imediatamente me deu vontade de chorar e tive de me segurar a fim de não chorar na frente dela. Tão logo ela entrou, não resisti. Digo, aliás, e sem nenhuma pretensão de bancar uma pessoa sem emoções, que nunca tive o costume de chorar, mas aquela situação e outras foram demais para mim. Foi como se eu tivesse guardado tudo para as últimas semanas de vida de minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último dia que falei com ela foi aos vinte e sete, porque no dia seguinte ela foi posta em coma induzido, tanto porque havia sofrido uma cirurgia como para seu corpo absorver com mais proveito antibióticos. Mas nada adiantou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior medo de minha mãe era sofrer muito. Sua vontade acabou sendo realizada: faleceu em estado de coma. Tivesse sobrevivido àquela segunda-feira, vinte e nove, teria ficado para o resto da vida dependente de hemodiálise. Para alguém como a minha mãe isso teria sido uma catástrofe especialmente pavorosa. Ela, que detestava não trabalhar e tinha verdadeiro horror a hospitais, nunca mais trabalharia, viveria boa parte do tempo num hospital e teria um regime de vida quase draconiano. Mas outra vontade de minha mãe foi cumprida também. Com efeito, ela sempre me dizia, ao longo dos anos, que desejava morrer a ver uma de suas irmãs mortas. Deus lhe deu então o privilégio, se é que posso chamar assim, de ter sido a primeira a falecer entre suas irmãs. Todavia, isso não foi a única coisa notável. Um mês antes, trinta anos após ter deixado a casa de sua infância e boa parte da adolescência, inexplicavelmente ela quis visitá-la, num dia em que todas as suas irmãs haviam se reunido lá, coisa rara, aliás, porque nem é comum todas as minhas tias arrumarem tempo para se verem, nem é comum que todas se encontrem justamente naquela casa, onde atualmente mora uma das minhas tias. Ademais, minha mãe não gostava nada de empreender viagens longas em dias de folga. Mas calhou de todas elas se reunirem num domingo, e a chegada de minha mãe causou surpresa a todas: acabou sendo a última vez em que elas se reuniram em vida. Todavia, creio firmemente que elas todas se reunirão ainda mais uma vez, quando deixarem essa vida mortal ou morte vital, no dia em que todas contemplarão o Senhor em Seu trono. Creio no que diz o Prefácio dos defuntos: “A vida, Senhor, para os vossos fiéis não é destruída: transforma-se.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve outra circunstância estranha. Quando fui ao hospital no dia em que ela faleceu -- e digo que eu nem iria ao hospital naquele dia, mas senti uma necessidade imperiosa de visitá-la --, eu estava prestes a visitá-la quando de repente perdi totalmente ânimo. Permaneci inexplicavelmente parado por algum tempo na sala de espera. No momento em que recobrei coragem e fui falar com a médica, a notícia: minha mão havia falecido dez minutos antes de eu falar com a médica, certamente naquele instante em que empaquei sem motivo nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última ocasião em que ainda pude vê-la com vida, aos vinte e sete de dezembro, minha mãe havia sido posta em coma induzido. Saí do hospital com o coração perturbado, controlando-me com dificuldade, e considerando que só um milagre a salvaria. Mal tendo chegado em casa, absolutamente desconsolado, eu só pedia a Deus que a salvasse, tal como fez com Lázaro, mas sentia minhas esperanças destroçadas. Foi duro demais ter visto minha mãe daquele jeito. Ora eu pedia a Deus para que a salvasse, ora eu Lhe pedia para que um padre fosse rezar pela alma de minha mãe quando finalmente ela tivesse expirado... Estranhamente, não cheguei a buscar padre nenhum. Eu só pedia a Deus, confusamente, que salvasse a minha mãe e ao mesmo tempo que enviasse um padre para rezar pela sua alma. Acabei buscando em meu missal orações de enfermos, de extrema-unção e até dos mortos, como se minha mãe já fosse morta, e li em casa, como se ela estivesse na minha frente e eu fosse um padre. No dia do enterro, de fato apareceu um padre sem que eu pedisse a ninguém senão a Deus. Uma pessoa amiga de minha mãe, numa inspiração momentânea, havia se dirigido às sete da manhã de terça -- o enterro seria às 11h30 -- a uma igreja no Largo do Machado, pessoa esta que sequer é católica, mas que por algum motivo oculto decidiu ser necessário haver um padre no velório de minha mãe. Mas naquele momento o padre não estava na igreja: participava do velório de uma freira, falecida aos 105 anos, em Botafogo. Ainda assim, no exato instante em que saía do cemitério, o sacristão lhe telefonou pedindo para que se dirigisse ao Catumbi, onde uma senhora, minha mãe, seria enterrada, e como de ônibus era um caminho relativamente próximo, ele aquiesceu. Uma vez que eu não esperava por padre nenhum, minha surpresa foi enorme quando o vi. Percebi que minhas preces haviam sido atendidas e me tranqüilizei. E tanto eu queria que orassem pela minha mãe que, devido a uma pequena confusão, ela acabou tendo não uma, mas duas missas de sétimo dia, ainda que uma delas, particular, não tenha sido formalmente de sétimo dia, posto que foi nesta quinta-feira, aos sete de janeiro. Ambas foram realizadas na Igreja de São Judas Tadeu, Cosme Velho, igreja de predileção de minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cerca de um ano, quatro amigos e eu perdemos nossos pais, sendo que, desses cinco, dois não têm mais nenhum pai, e dentre esses dois, eu. De repente me vi sozinho e cercado de responsabilidades que sequer sonhava ter tão cedo, no pior momento possível: de repente me vi, literalmente do dia para noite, assumindo todas as despesas e demais burocracias relativas à existência neste mundo, sem ter muito bem como lidar com elas. Mas isso não é o pior: perder a pessoas que eu mais amava neste mundo é definitivamente pior. Certamente eu já havia pensado que um dia não teria mais minha mãe aqui -- esse ano mesmo cheguei a sonhar com isso há meses --, porém nunca imaginei que isso fosse acontecer em tão breve tempo.  Ademais, se neste mundo tudo é enrolado, sempre há possibilidades em aberta, coisa que não acontece quando se está diante de Deus justiceiro. A hora da verdade nunca é aqui, mas no Dia da Ira, quando até os virtuosos tremerão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que publicar algo desse tipo? Porque me faz bem falar e, agora, escrever a respeito de minha mãe, mesmo que o assunto seja a sua morte. Não sei o motivo de eu me sentir melhor falando, ou escrevendo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nasceu o Menino Jesus, havia sombras cercando a humilde manjedoura. Mas Ele estava destinado a vencê-las, pois ele havia nascido para ser a luz do mundo e fonte de amor, fé e esperança. Pois bem, minha mãe, Natalina Pereira, rendeu a alma ao Senhor justamente em dias natalinos, como se seu destino tivesse sido marcado pelo nome. Ainda assim, creio que sua morte foi um breve episódio, embora cercado de trevas, preocupações, tal como durante o nascimento do Menino Jesus, porque logo a seguir ela teve, tem e terá, posto que tudo o que sucede depois dessa vida está fora do tempo, o privilégio de contemplar a face de Nosso Senhor em toda a Sua glória, junto dos santos e à multidão de fiéis que já partiram. Se esse período natalino significou a despedida de minha mãe do meio de nós, causa de tristeza, espero que ela tenha recebido, receba e receberá não um presente qualquer, mas o privilégio, por misericórdia divina, de ver Deus face a face, causa de alegria indizível, e que São Miguel a proteja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que minha mãe realmente seja amparada pela luz eterna e que eu possa reencontrá-la no Dia da Glória, a fim de que possamos viver eternamente com Jesus Cristo Nosso Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar, digo que três são as coisas que mais me têm consolado: Deus, palavras e companhia de amigos e músicas. Das três, seguem músicas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arvo Part, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;De Profundis&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/PhcYvl0Cxh0&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/PhcYvl0Cxh0&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu iria colocar o Kyrie - Orbis factor, aquele que coloquei num post anterior, mas compreendi que seria tolice. Em seu lugar, o Kyrie da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Missa em Si&lt;/span&gt;, de Bach:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/sMUXUQpPdaE&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/sMUXUQpPdaE&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Victoria, Ave Maria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/LmFj5zbuOn0&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/LmFj5zbuOn0&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palestrina, Gloria da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Missa Viri Galilaei&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Y9ONfPmrCTA&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Y9ONfPmrCTA&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palestrina, Sanctus da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Missa Viri Galilaei&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/gCxs4TjTMwA&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/gCxs4TjTMwA&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brahms compôs um réquiem em homenagem ao falecimento de sua mãe. É o imponente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Réquiem Alemão&lt;/span&gt;. Esse é o segundo movimento: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Denn alles Fleisch es ist wie Grass&lt;/span&gt;. No Youtube está dividido em duas partes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/2073I8we9yw&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/2073I8we9yw&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/05HDny-wckE&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/05HDny-wckE&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brahms, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Tod, wie bitter bist du&lt;/span&gt;, que é uma das &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quatro Canções Sérias&lt;/span&gt;. Essa música não saiu de minha cabeça por alguns dias:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/wZAJsUCN4ps&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/wZAJsUCN4ps&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Allegri, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Miserere&lt;/span&gt;, também dividido no Youtube em duas partes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/x71jgMx0Mxc&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/x71jgMx0Mxc&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/EgZ0K8vCdbo&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/EgZ0K8vCdbo&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salve Rainha em gregoriano:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/d5p_U8J0iRQ&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/d5p_U8J0iRQ&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, colocarei a litania dos santos, que meu amigo Carlos me apresentou semana passada. No caso, todavia, no lugar do "nobis" sempre imagino "ea", isto é, pela minha mãe. Como não dá para colocar neste blog o vídeo, só me resta indicar o link: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=KiM9uJIN64g&amp;amp;feature=related"&gt;este&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo isso não me faz deixar de desejar, ainda que um tanto tardiamente, um Feliz Natal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-8566356397996224767?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/8566356397996224767/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=8566356397996224767&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8566356397996224767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8566356397996224767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2009/01/minha-me-natalina-pereira-28-vi-1953-29.html' title='Minha mãe, Natalina Pereira (28-VI-1953 - 29-XII-2008)'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-4831763030856628924</id><published>2008-12-15T14:44:00.000-02:00</published><updated>2008-12-15T14:50:05.111-02:00</updated><title type='text'>Do partidarismo moderno</title><content type='html'>Um dos presentes que nos foi dado pela modernidade foi a aparição de partidos políticos perpétuos. Com efeito, nenhum partido aparentemente foi concebido para realizar metas discretas e extremamente pontuais: cada um planeja chacoalhar toda a sociedade, remodelando-a nada timidamente, embora uns sejam menos ambiciosos que outros. A diferença, portanto, é uma questão de prurido. Ademais, mesmo os pouco ambiciosos também carregam algum tipo de crença numa transformação profunda e radical da sociedade. Um partido liberal e conservador não deixa de ser tão impostor quanto um abertamente revolucionário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A democracia liberal destruiu os antigos privilégios aristocráticos simplesmente expandindo-os universalmente. As antigas disputas famíliares aristocráticas, as quais, por definição, eram privadas -- daí que uma disputa medieval envolvesse tão-somente uns poucos adversários --, caíram em desuso, porque tiveram de ceder espaço a uma nova espécie de família aristocrática: os partidos políticos. Estes, com efeito, substituíram o pacto de sangue pelo pacto ideológico, adquirindo uma universalidade que a nobreza, evidentemente, jamais poderia aceitar. Se algumas famílias consideravam-se nobres ou, como na Antigüidade, descendentes de deuses, a ideologia partidária acabou servindo como espécie de batismo e, em certos casos, como vacina contra a corrupção do mundo -- é o caso dos partidos comunistas, cujos afiliados consideram que a natureza humana é elevada mediante filiação partidária. Em ambos os casos, o disparate é óbvio e insultuoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A própria existência desse tipo de partido é extremamente atípica. Normalmente os homens se dividem em partidos porque discordam das formas de resolver determinadas contingências bem determinadas, mas, uma vez resolvidas, os partidos perdem a razão de ser, e cada qual retorna a seus afazeres normais. O pressuposto disso é que os homens só se lançam verdadeiramente à disputa política quando se sentem muito incomodados e quando o esforço exige o emprego das massas. Contudo, os partidos modernos aparentemente não conseguem resolver nada decisivamente, o que seria motivo de acabar com eles porque incompetentes, ou simplesmente querem se manter eternamente, semelhante àquelas pessoas que, uma vez convidadas à nossa casa, jamais se retiram. Essa situação de partidarismo perpétuo é conseqüência de divisões igualmente eternas e radicais: duas pessoas não disputam uma coisa se não discordam a seu respeito. Numa palavra, a existência desse tipo de partidarismo pressupõe algum tipo de discórdia jamais resolvida. Que certos indivíduos concluam que é preciso um super-partido a fim de destruir completamente os adversários certamente não é espantoso, dada a situação de discórdia insolúvel. E isso é ainda mais grave porque a questão disputada deixa de ser um motivo concreto para se tornar uma questão puramente de princípio, ainda que tangente ao mundo prático. A política se torna um confronto de abstrações que movem a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um efeito igualmente pernicioso causado pelo partidarismo perpétuo: o imperialismo da política. Porquanto tudo se torna um problema político, há uma expansão voraz dos negócios públicos na vida privada de cada qual. O partido em si se torna um fator de coesão superior à família e à amizade, pois a política se torna fundamento da vida, e como tudo gira em torno de lutas públicas, há cada vez menos espaço para o cidadão meditar solitariamente. Ademais, como a política também é a dominação psicológica do outro, no sentido de convencer a multidão a fazer o que o político deseja, segue-se que haverá a disseminação do costume de nas relações pessoais agir politicamente: as pessoas buscarão, mais que de costume, dominar e manobrar o outro. Tal situação só é possível porque, como disse Ortega y Gasset em A &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Rebelião das Massas&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, há uma quantidade grande e anormal de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;señoritos satisfechos&lt;/span&gt; atualmente, ou, em português claro, moleques mimados. De certa maneira, o partidarismo moderno é a atuação pública de moleques mimados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-4831763030856628924?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/4831763030856628924/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=4831763030856628924&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/4831763030856628924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/4831763030856628924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/12/do-partidarismo-moderno.html' title='Do partidarismo moderno'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-5380151625192360202</id><published>2008-12-01T21:44:00.002-02:00</published><updated>2008-12-01T22:00:26.681-02:00</updated><title type='text'>Kyrie - Orbis Factor</title><content type='html'>Lembrava-me de uma esplêndida música que ouvi há algum tempo e, tendo-a procurado no Youtube, graças aos céus descobri que uma alma gentil a disponibilizou. É o Kyrie (Orbis Factor) que está no CD &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Graduel d'Aliénor de Bretagne&lt;/span&gt;, dirigido por Marcel Pérès.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/xmkhk9Z8Lu4&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/xmkhk9Z8Lu4&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-5380151625192360202?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/5380151625192360202/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=5380151625192360202&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/5380151625192360202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/5380151625192360202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/12/kyrie-orbis-factor.html' title='Kyrie - Orbis Factor'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-1914376414534399397</id><published>2008-12-01T04:34:00.005-02:00</published><updated>2008-12-01T04:43:42.000-02:00</updated><title type='text'>De qual é o melhor modo de argumentar com terroristas armados com fuzis ou facínoras semelhantes</title><content type='html'>&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/CtDHH8B29Bc&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/CtDHH8B29Bc&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-1914376414534399397?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/1914376414534399397/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=1914376414534399397&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1914376414534399397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1914376414534399397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/12/de-qual-o-melhor-modo-de-argumentar-com.html' title='De qual é o melhor modo de argumentar com terroristas armados com fuzis ou facínoras semelhantes'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-1776223744128468710</id><published>2008-11-05T15:44:00.010-02:00</published><updated>2010-05-29T19:32:38.924-03:00</updated><title type='text'>De como a beleza venceu Obama</title><content type='html'>Eu, pobre rapaz latino-americano sem um tostão furado no bolso, blogueiro de um leitor só -- eu mesmo --, tolo e presunçoso, darei minha opinião definitiva a respeito das tramas políticas do país mais poderoso do mundo, evidentemente os EUA, a fim de lhes indicar o que é bom, porque não simpatizo com Obama, e sim com McCain.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, o espírito carioca autêntico que corre em minhas veias está me fazendo mudar de idéia. Não só é preciso mudar de vida, como é preciso mudar de opinião, e sempre para algo mais agradável. Porque ao mesmo tempo que leio que Obama venceu, penso nas potencialidades da Internet, e me dou conta de que é muito mais agradável contemplar a belíssima Ana Paula Arósio do que me meter em discussões políticas de países que nunca visitei e que, ademais, estão distantes de mim bons e saudáveis muitos milhares de quilômetros. Ademais, as impressões políticas voam, as belas perduram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja, pois, Ana Paula Arósio a inspiração deste post, e não Obama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/SRHuzNqvNlI/AAAAAAAAADA/wY-JGBkfsOE/s1600-h/ANAPAULA9688.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 267px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/SRHuzNqvNlI/AAAAAAAAADA/wY-JGBkfsOE/s400/ANAPAULA9688.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265252002982475346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou firmermente convencido de que Ana Paula Arósio é uma das mulheres mais lindas do planeta e de que a beleza tem uma propriedade misteriosa de nos transmitir uma calma arrebatadora. Refiro-me tanto à beleza das coisas como das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é menos paradoxal do que parece. Ao mesmo tempo que a beleza nos anima, ela transmite uma sensação de ordem. Sentimo-nos como que transportados para uma outra realidade, se bem que nunca deixamos de ter algum pé nessa. É importante ressaltar esse duplo aspecto, porque é tão tolo negar a manifestação concreta da beleza como negar o grande prazer espiritual que ela nos proporciona. Fujamos tanto do poeta sonhador como do materialista devasso. Afirmo também, desprovido de pretensões de originalidade, que a beleza é misericordiosa conosco, porque é um dos únicos atributos grandiosos do ser, senão o único, que se deixa perceber pelos nossos sentidos, esses lembretes de que o mundo é bom. A beleza entra em nossos olhos e ouvidos, e quando menos percebemos, vivenciamos uma sensação indescritível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora bem: a sensibilidade difere de pessoa para pessoa. Alguns enxergam melhor que os outros, e o mesmo pode ser dito a respeito de cada um de nossos sentidos. A sensibilidade para o belo também varia de pessoa para pessoa. Não me atrevo a discutir acerca da existência de um órgão que capta a beleza das coisas, mas podemos observar, sem dúvida alguma, que certas pessoas estão mais propensas a captar o belo nas coisas, e há aqueles que se sentem muito mais comovidos por ele. Todavia, é necessário dizer que isso não implica apologias de excentricidades. A percepção da beleza não se justifica por si mesma, ou, em outras palavras, uma pessoa com o faro do belo muito desenvolvido não é necessariamente uma pessoa melhor, assim como ler muito não torna alguém necessariamente mais sábio. Bem ao contrário, notamos que tais pessoas não raramente são dadas a excentricidades caso essa hipertrofia do senso da beleza não seja proporcional a algum tipo de suporte para melhor administrá-la. Minhas palavras enigmáticas significam tão-somente que é preciso que toda a personalidade acompanhe de maneira harmônica a capacidade de sentir o belo, pois do contrário o indivíduo erguerá para si uma estátua de esteticismo, entregando-se a todo o gênero de loucuras em nome da beleza. Tal como Zeus fulmina o mero mortal com sua presença, o belo pode fulminar aquele que não tem capacidade de aproveitá-lo tranqüilamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um paralelo com o amor. Certas pessoas amam mais que outras, mas alguns amam de maneira tão intensa que acabam cometendo loucuras, e o senso comum, na falta de um termo melhor, simplesmente diz que esses desatinos são "loucuras da paixão". Todos percebemos, ainda que confusamente, que a paixão no sentido amoroso é uma força exterior que nos arrasta para junto de quem amamos. Identificando essas loucuras com o próprio amor, o senso comum criou a expressão "o amor nos faz cometer loucuras". Alguns povos, como os gregos, chegaram a divinizar o amor. Agora bem: a frase é equívoca. São Paulo não só dizia que a nossa fé é loucura para os gentios, mas também que a loucura de Deus é mais sábia que nós. Isso significa obviamente que a sabedoria humana é limitada, ou seja, o campo da realidade é muito mais vasto que a nossa capacidade de saber. Ademais, São Paulo igualmente dizia que existe em nós um conflito entre o homem exterior, apegado à carne no sentido bíblico, e o homem interior, seguidor de Deus. Nas relações humanas, essa dualidade se converte em dois tipos de amor: o amor de si e o amor pelo próximo. Em última instância, os dois são antagônicos. Pois bem, quando o senso comum nos diz que o amor nos faz cometer loucuras, devemos entender isso de dois modos diferentes, um positivo e o outro negativo. A boa loucura amorosa nos faz partir a redoma do amor de si para que possamos exercer o amor pelo próximo. Assim como a ira nos compele a agir de modo mais intenso que o normal, o amor pelo próximo nos compele a sacrifícios que não estaríamos dispostos a aceitar numa situação normal, isto é, do amor de si. Logo, o amor pelo próximo nos faz cometer loucuras do ponto de vista do amor de si, e tanto isso é verdade que as pessoas que não amam ou amam pouco estranham certas atitudes dos vivamente apaixonados. Evidentemente, não sentiríamos tamanha disposição por algo desprezível. Identificamos no amado alguma perfeição fundamental, o que explica porque geralmente o amante não concorda com críticas ao amado. A perfeição do amado cria uma disposição de perfeição em nós mesmos, como se desejássemos refleti-la em nossa vida, sem no entanto possui-la completamente. Esse gênero elevado de amor é, grosso modo, aquele mencionado por Platão no Fedro. Por outro lado, há a loucura amorosa com efeitos negativos. Ela é mais uma manifestação extrema do amor de si que de qualquer outra coisa. O objeto do amor é flagrantemente forçado a se comportar segundo os desejos do apaixonado. O desejo de refletir em nossa vida a perfeição do amado vira uma tentativa de absorvê-la totalmente. O ciúme, pelo menos aquele excessivo, é manifestação de uma paixão despropositada.  É na clave desse tipo de amor que se move quem se mata em nome da paixão, embora seja preciso deixar claro que estou me referindo a um comportamento wertheriano, e não de quem se sacrifica autenticamente, isto é, por alguém. Esse amor é sinal das instabilidades pessoais, significando, longe daquele aperfeiçoamento do outro tipo de amor, uma piora da vida da pessoa, ou melhor, um vício ancorado em sua vaidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando mencionei a beleza da pessoa, gostaria de deixar claro que esse é o único ponto. Digo tais coisas porque não quero passar a sensação de que devemos idolatrar cegamente quem é belo ou outras bobagens do gênero. De fato, Ana Paula Arósio possui uma beleza impressionante, mas seria passar do limite do sensato, e acredito que ela concordaria comigo a não ser por alguma vaidade, &lt;a href="http://oindividuo.com/2008/10/26/sonetos-da-portuguesa-14/"&gt;que não deveríamos tratá-la como uma deusa&lt;/a&gt;, da mesma forma que é pedir demais uma divinização de um exímio escritor. Por mais que pareça absurdo, não podemos esquecer que as mulheres, e principalmente as belas, são musas somente de um ponto de vista metafórico, e mesmo assim toda a ressalva é pouca. Essa simples prudência foi ignorada por não poucos afoitos durante muito tempo, e boa parte das nossas decepções amorosas é causada por esse motivo paradoxalmente insólito e corriqueiro. Todavia, devo advertir à leitora que, caso não tenha ficado claro, manifesto um ponto de vista apenas masculino, embora o feminino tenha algum paralelo. As mulheres também têm seus "musos", porém numa perspectiva diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecho o post agradecendo, ainda que ela nunca saiba, à bela Ana Paula Arósio pela inspiração. Se não fui bem-sucedido, não é devido a ela, mas à minha incompetência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/SRHvL8cmMgI/AAAAAAAAADI/MEY4CUJxfwY/s1600-h/AnaPaulaArosio-333-NOTA-globo-ciranda.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 333px; height: 255px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/SRHvL8cmMgI/AAAAAAAAADI/MEY4CUJxfwY/s400/AnaPaulaArosio-333-NOTA-globo-ciranda.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265252427856491010" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-1776223744128468710?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/1776223744128468710/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=1776223744128468710&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1776223744128468710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1776223744128468710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/11/de-como-beleza-venceu-obama.html' title='De como a beleza venceu Obama'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/SRHuzNqvNlI/AAAAAAAAADA/wY-JGBkfsOE/s72-c/ANAPAULA9688.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-8279428737677563839</id><published>2008-10-09T16:54:00.004-03:00</published><updated>2008-10-09T17:07:50.175-03:00</updated><title type='text'>Do qual me desculpo pela omissão do site de Luiz Gonzaga de Carvalho Neto, e menciono a possibilidade de ouvir aulas de Gustavo Corção</title><content type='html'>Devido a uma omissão vergonhosa, nunca indiquei o excelente site de &lt;a href="http://luizgonzaga.k6.com.br/"&gt;Luiz Gonzaga de Carvalho Neto&lt;/a&gt;, sendo tão altamente recomendável. Que o leitor faça bom proveito das leituras por lá indicadas e das aulas do professor. Tenho ouvido suas aulas e gostado bastante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Motivo maior ainda de felicidade, ao menos para mim, &lt;a href="http://permanencia.org.br/gustavocorcao/audio/brindeCd.htm"&gt;é a possibilidade de ouvir aulas de Gustavo Corção mediante um pequeno donativo à Permanência&lt;/a&gt;. Gustavo Corção foi um grande homem e merece ser ouvido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-8279428737677563839?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/8279428737677563839/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=8279428737677563839&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8279428737677563839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8279428737677563839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/10/do-qual-me-desculpo-pela-omisso-do-site.html' title='Do qual me desculpo pela omissão do site de Luiz Gonzaga de Carvalho Neto, e menciono a possibilidade de ouvir aulas de Gustavo Corção'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-1675712989405519759</id><published>2008-09-28T18:45:00.003-03:00</published><updated>2008-09-28T18:52:19.852-03:00</updated><title type='text'>Último post concertante</title><content type='html'>Indico ao leitor &lt;a href="http://salterrae.org/2008/09/28/bach-por-murilo-mendes-1901-1975/"&gt;o interessante texto de Murilo Mendes sobre Bach&lt;/a&gt;, no &lt;a href="http://salterrae.org"&gt;Sal Terrae&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-1675712989405519759?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/1675712989405519759/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=1675712989405519759&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1675712989405519759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1675712989405519759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/09/pra-finzali.html' title='Último post concertante'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-4918890621014430839</id><published>2008-09-28T17:21:00.002-03:00</published><updated>2008-09-28T17:26:51.389-03:00</updated><title type='text'>E por falar em concerto</title><content type='html'>Quem tiver ouvidos, ouça. Nessa segunda, na mesma Sala Cecília Meirelles, às 19h, apresentarão o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Réquiem&lt;/span&gt; de Brahms pelo valor de R$1, preço de três bananadas. A menos que o Senhor quebre Sua promessa e envie outro dilúvio, o evento é imperdível, mesmo eu não tendo a mínima idéia do valor da orquestra, dos solistas etc. etc.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-4918890621014430839?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/4918890621014430839/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=4918890621014430839&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/4918890621014430839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/4918890621014430839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/09/e-por-falar-em-concerto.html' title='E por falar em concerto'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-7074645693239170676</id><published>2008-09-28T01:16:00.007-03:00</published><updated>2009-02-23T23:46:44.707-03:00</updated><title type='text'>Ida ao concerto</title><content type='html'>Sábado fui assistir à apresentação de Daniel Taylor na Sala Cecília Meirelles acompanhado por mais um Taylor, A.J.P., o falecido historiador inglês que escreveu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Segunda Guerra Mundial&lt;/span&gt;. Não sei se os dois têm algum parentesco, mas direi alguma coisa sobre o livro mais adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo chegado cedo, cousa espantosa vindo de alguém tão mal relacionado com os ponteiros como eu, decidi fazer uma hora numa igreja ali próxima. Mal entrei e vi um sujeito baixinho ensaiando umas músicas com um coro tão animado quanto feminino e de idade algo avançada. Ao lado, uma senhora tocava um teclado num estilo tal que julguei ser alguma performance ultra-moderna. Devo mencionar ao leitor que uma das pragas modernas é, na minha opinião, o teclado. Por mais que digam que ele soe como qualquer coisa imaginável, na minha modesta opinião ele soa apenas como um teclado tentando ser qualquer coisa imaginável. A falta de entrosamento entre o coro e o teclado era impressionante, sendo compensada pela extrema desafinação daquelas almas piedosas, algo que o baixinho, animado como estava em lhes ensinar as canções, parecia ignorar completamente. Sua boa vontade era igualmente impressionante, e então percebi que talvez ele estivesse cumprindo algum tipo de penitência inusitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia sentido, no dia, minha primeira comoção musical, pois sentira algo semelhante ao passar, muitas horas antes, em frente a uma outra igreja. No momento da comunhão, alguém teve a belíssima idéia de fazer um acompanhamento musical num estilo semelhante a Ivan Lins, porém em tons sacros. Nunca me passara pela cabeça uma missa sitiada pela cafonice, mas parece que as pessoas conseguiram esse milagre. Infelizmente meu dáimon me mandou apertar o passo, embora eu esteja até agora querendo saber que raio de música era aquela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltanto à igrejinha, aliás muito bela e que conheci graças a um evento totalmente mundano, isto é, quando da apresentação de quartetos de cordas de Beethoven, decidi, pois, ficar ainda mais, pelo menos até a hora da comunhão, esperando que Deus não me julgasse mal por ter de sair no meio da missa por causa do concerto. Chamou-me a atenção todas as pessoas serem de idade avançada. Numa igreja aqui perto de casa, algo semelhante parece ocorrer no meio de semana, exceto uma vez que vi uma senhorita de minissaia lá dentro. Mas a igreja estava razoavelmente cheia, num sábado frio e chuvoso, cousa mui louvável. Em todo o caso, eu era o caçula. Obviamente não havia razões para me incomodar com nada disso. O incômodo irrompeu mal tendo começado a missa. Antes que alguém me julgue destituído de espiritualidade, advirto que me refiro ao andamento estranho da missa. Aquele sujeito baixinho, que então descobri ser o pároco, juntamente com seu assistente, coreografava um balançar de braços dos fiéis. Havia uma cantoria de gosto duvidoso, uns gestos estranhos, uma música mal feita, uma leitura um tanto canhestra de passagens bíblicas, enfim, tudo feito estranhamente. Naqueles momentos, enquanto eu me perdia olhando aquela igreja tão agradável, surgiram-me as palavras que certa vez meu amigo Carlos escrevera em seu blog sobre a união da beleza com a liturgia. O que ele escreveu é, garanto, produto de considerações mui pessoais, pois ele próprio experimentara cenas litúrgicas esquisitas. Mas, pedindo gentilmente licença, eu avançaria um pouco mais e diria que toda a missa que não leve suficientemente a sério essa união da beleza com a liturgia cai, na menos pior das hipóteses, no cômico. Em certa ocasião, durante missa em lembrança à minha avó falecida, havia um cidadão que entoava os cânticos numa voz tão bizarra e com um jeito de falar tão inaudito que foi um empreendimento heróico manter o auto-controle para não rir durante tão grave evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu estava com um espírito de concerto, não pude deixar de matutar que atualmente seria um período glorioso para as missas de Haydn, as quais, na época, foram ignoradas por causa de seu espírito alegre demais. Ora, sequer precisaríamos de uma orquestra e coro: bastaria um tocador de cd ou um desses cacarecos tecnológicos atuais que desconheço velhacamente. Por que, dentre as opções, há o hábito de sempre escolherem a mais infeliz? O mais curioso é o raciocínio de que o povo precisa daquilo que mais lhe convém, tendo implicitamente a noção de que o povo só gosta do que for pior. Música mal feita no lugar de Haydn parece ser, na cabeça de alguns, mais próprio ao povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei, pois, a agitação de papéis de lado, mesmo antes da comunhão, e me dirigi à sala de concerto, embora, para meu espanto, faltasse meia hora para o início da apresentação. Sentei-me e decidi conversar um pouco com o historiador inglês, autor de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Segunda Guerra Mundial&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nada pior que estar em má companhia. Talvez a única coisa pior é não poder desembaraçar-se dela. Para me gáudio, não era o caso em questão. A.J.P. Taylor me foi um ótimo companheiro de conversações, de tal modo que o deixei falar o tempo todo a fim de aprender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse livro foi escrito no início da década de 60 e se tornou um clássico, embora tenha sido inicialmente detestado, exceto por "ex"-nazistas. Eu ouvira falar de Taylor graças a um outro excelente historiador, John Lukács, mas não podia imaginar que, além de ser inteligente, ele era tão divertido. Sua ironia é sutil -- às vezes nem tanto --, bem agradável, o que me rendeu algumas risadas, como no momento em que ele diz que as indenizações de guerra da Alemanha eram motivos "de insatisfação intelectual; coisa para lamentar à noite, e não motivos de sofrimento na vida cotidiana", que, em bom português, significa "frescura". Na mesma página, ainda sobre as indenizações, ele continua: "O homem de negócios em dificuldade, o professor mal pago, o trabalhador desempregado, todos as culpavam pelas suas dificuldades. O choro de uma criança faminta era um protesto contra elas. Os velhos iam para a cova devido às reparações." Ironia e sarcasmo que segundo meu imaginar só os ingleses conseguem desempenhar tão bem. Contudo, não pude deixar de perceber como tudo aquilo se aplica extraordinariamente ao Brasil, com a única diferença de o culpado ser a "exclusão social" ou o "capitalismo". Numa página anterior, ele diz que os ingleses começaram "a denunciar a loucura das reparações, tão logo se apossaram da frota mercante alemã", cousa que deve ter irritado mais de um inglês ao ler isso. Essas e outras passagens indicam que Taylor era polêmico, porque ele estava atacando todos os sagrados lugares-comuns: que a Alemanha não tinha como pagar as indenizações de guerra; que o Tratado de Versalhes foi totalmente péssimo para aquele país; que o programa de rearmamento alemão foi pesado durante quase toda a década de 30; que a guerra mundial foi tramada por Hitler; que ele, aliás, não era um estadista - mas é Lukács quem desenvolverá mais esse ponto; que planos como a anexação da Bélgica e Ucrânia, guerra contra a França e o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lebensraum&lt;/span&gt; não eram idéias típicas de Hitler, mas alemãs, e desde a Primeira Guerra. A lista é ainda mais extensa. Não foi por acaso que seu livro teve inicialmente uma recepção péssima e, para piorar, acabou erroneamente saudado por "ex"-nazistas, portanto interpretado por todos como uma espécie de reabilitação de Adolf Hitler: interpretação completamente torta, diga-se de passagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É lamentável quando o historiador é obrigado a seguir a opinião de todos tão-somente porque parece ser a mais agradável. A idéia de oposição ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;establishment&lt;/span&gt; por si mesma é agradável apenas a quem não saiu da adolescência mental. No caso do historiador, a situação é mais complicada porque, afinal de contas, a história necessita ser sempre revisada. Sendo um estudioso, ele busca explicar o que ocorreu, nunca se satisfazando com as explicações aparentes. Um historiador precisa ser um pesquisador sério, não um instrumento que ecoa a opinião do dia. Como as pesquisas de Taylor, no dizer de Aristóteles, constrangeram-no a adotar certas verdades, muitas das quais eram contrárias às suas primeiras opiniões, por certo tempo ele foi detestado por muitos. É uma infelicidade monstruosa que em nosso país os cursos de história tenham sido tomados por selvagens cujo espírito é o oposto ao do verdadeiro historiador, embora esses infelizes se considerem espíritos críticos: eles querem unanimidade tão-somente. Mas que o leitor não exagere duplamente o que estou dizendo: Taylor não tem razão sempre e eu ainda estou lendo o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisei terminar a agradável conversa com Taylor porque o concerto iria começar. Até o instante em que escrevo estas linhas tortas, não compreendi por que os organizadores chamaram o evento de "Música Antiga", já que nem Dowland, nem Haendel e nem as composições anônimas apresentadas eram música antiga. Naturalmente, a dúvida que surge é saber o que diabos significa esse termo. O canto gregoriano é antiqüíssimo, talvez a música mais antiga ainda em uso, mas não tenho certeza se seria apropriado classificá-lo como música antiga. Talvez seja mais próprio usar o termo para as músicas da Antigüidade, mas é bom que se diga que os próprios medievais, a certa altura, dividiam os estilos em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ars antiqua&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ars nova&lt;/span&gt;, e isso nada tinha a ver com a Antigüidade. Para o nosso gosto e, por que não, da própria Renascença, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ars nova&lt;/span&gt; é algo inacreditavelmente arcaico, tanto quanto &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ars antiqua&lt;/span&gt;. Do ponto de vista da música clássica - o termo aqui se refere à música de um determinado período -, talvez não seja um absurdo total considerar que o período barroco e anterior não passam de algo cafona e fora de moda, ainda que seja uma extravagância colocar no mesmo saco gente tão diferente como Haendel e Dowland. É sempre complicado estabelecer o que é moderno e o que é velho segundo o que parece mais antiquado. Mas, como diria Taylor, são inquietações intelectuais boas para incomodar o sono, mas que não afetam em nada a vida cotidiana. Assim, estando o termo equivocado ou não, os músicos estavam lá e havia público suficiente para a apresentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, a atração principal do concerto era o contratenor Donald Taylor, o qual, repito, não faço a menor idéia se é parente ou não do historiador inglês. A primeira parte da apresentação foi consagrada a Dowland e compositores anônimos. Se o leitor nunca ouviu o compositor inglês, saiba que suas músicas são ótimas para, conforme a medicina antiga, incentivar a produção de bílis negra. É impressionante como Dowland compôs tantas músicas melancólicas. Na minha opinião, um dos melhores momentos foi quando Taylor cantou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;I saw my lady weep&lt;/span&gt;, embora não tenha havido uma segunda voz. Não que ele estivesse se apresentado sozinho, porque havia uma soprano extremamente bonitinha com ele, trajando um longo vestido esverdeado. Dentro do meu limitado entendimento musical, gostei de ouvi-la também. Pensei nas palavras de um poeta que dizia não haver nada mais agradável que ouvir um talento combinado a uma feição bela. Não posso cometer a injustiça de esquecer o senhor do alaúde, instrumento delicado que foi muito bem tocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda parte foi dedicada quase inteiramente a Haendel, com acompanhamento de piano. Confesso que seria mais agradável se houvesse uma pequena orquestra de câmara, mas não quero choramingar porque o pianista era muito bom. Se alguém tinha alguma dúvida de sua habilidade, suponho que ela desabou após a execução de uma transcrição de Liszt de uma peça bachiana, se não me engano algum prelúdio e fuga. Uma certa melancolia continuou da forma mais bela possível, como durante a apresentação de um duo da ópera &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Theodora&lt;/span&gt;. Para quebrar a melancolia, o espetáculo findou com duas árias heróicas da ópera &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Giulio Cesare&lt;/span&gt;, em que Taylor alternava entre contratenor e barítono, exibindo suas habilidades vocais. Durante as árias heróicas, ele também fazia questão de interpretá-las, explicando antes ao público brevemente do que se tratava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava tão perto do palco que não perdi um único perdigoto, nem uma eventual enxurrada deles, mas suficientemente afastado para me por a salvo deles. Eu gostaria de ter visto mais o pianista usando o pedal, mas a cabeça de um senhor na primeira fileira embargou-me o intento, bem como do senhor desprovido de cabelos que estava atrás dele. São detalhes irrelevantes, pois a apresentação foi boa, mesmo quando Taylor disse que o Ptolomeu da ópera conseguia ser ainda mais malvado que Bush.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma sensação curiosa voltar para casa depois daquele evento, pois tive de passar pelo mafuá dos Arcos da Lapa, zona considerada boêmia. Era como se eu estivesse me perdendo nas mais profundas trevas da antiga Germânia ou nos pântanos da velha Britânia. Minha imaginação não concebe as razões que levam um semelhante meu a embrenhar-se prazerosamente num local tão feio e lotado de mafomas e demais gentes de má catadura. Agora bem: a memória do espetáculo anulou aquele ambiente. Segui embalado por aquelas músicas até meu lar, como aliás já o tinha feito em outra ocasião, durante o festival dedicado a Beethoven.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-7074645693239170676?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/7074645693239170676/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=7074645693239170676&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/7074645693239170676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/7074645693239170676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/09/ida-ao-concerto.html' title='Ida ao concerto'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-264355044296380180</id><published>2008-09-20T12:57:00.008-03:00</published><updated>2008-09-20T14:25:32.288-03:00</updated><title type='text'>Da beleza da mulher</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/SNUuX4nzyGI/AAAAAAAAACY/K8oS4ISlme8/s1600-h/monica-bellucci-picture-5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5248151928641407074" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/SNUuX4nzyGI/AAAAAAAAACY/K8oS4ISlme8/s400/monica-bellucci-picture-5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Qualquer assunto, da metafísica à harmonia cósmica, é banal se comparado à bela mulher. Perto dela, os maiores gênios da humanidade se assemelham à pandilha mais grosseira. Evidentemente, outras qualidades tornam a mulher ainda mais superior. Acaso a natureza lhe seja tão mãe que, não obstante sua beleza, ofereça-lhe também algum talento notável, seja um dote artístico, seja um nobre discernimento, seja um bom trato, toda a nossa admiração será justificavelmente minúscula diante de tal mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caríssimos senhores que se aventuram em proezas platônicas, homéricas e dantescas, não seria melhor deixar de lado tão magníficas ações em nome de uma mulher bela? Com esse chamamento à filosofia da ação, despeço-me, não sem antes pedir a compreensão de uma eventual leitora ressentida. Infelizmente nada poderei fazer a não ser desejar que essa leitora tenha ao menos algum talento. Adeus.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-264355044296380180?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/264355044296380180/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=264355044296380180&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/264355044296380180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/264355044296380180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/09/da-beleza-da-mulher.html' title='Da beleza da mulher'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/SNUuX4nzyGI/AAAAAAAAACY/K8oS4ISlme8/s72-c/monica-bellucci-picture-5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-5725283029573828078</id><published>2008-09-17T17:35:00.003-03:00</published><updated>2008-09-17T18:45:34.546-03:00</updated><title type='text'>Um breve comentário sobre a política e as eleições</title><content type='html'>Se o voto é a arma do cidadão, sejamos coerentes: façamos mais uma campanha de desarmamento, dessa vez eleitoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exceto entre comunistas e outros desastres, jamais conheci criatura do gênero humano que levasse a política a sério, o que talvez explique as calamidades atuais, especialmente aqui no Rio, que já deu dois passos para além do pior impropério. Tanto quanto, jamais tive a oportunidade de conhecer alguém que depositasse fé inabalável em qualquer candidato, exceto, como de praxe, os esquerdistas, mas aqui estou me referindo a gente normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito embora eu ouça que o brasileiro é tolo o suficiente para continuar crendo em políticos, não posso concordar, pelo menos não totalmente. Considero que esse tipo de opinião é parcial. Pode haver esse aspecto de ingenuidade amplamente disseminado, mas desconfio que não seja o dado predominante. Uma outra visão, talvez parcial também, mas que freqüentemente compartilho, embora com alguma desconfiança, é que, como já disse, as pessoas simplesmente não confiam na política. Prova disso é a vergonhosa popularidade do Congresso, cuja função como bode expiatório de todos os flagelos da nação ele vem desempenhando assaz bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha modesta opinião, o brasileiro está longe de ter uma confiança suicida na política, pelo menos na medida em que ele não lhe dá muita importância. O máximo que faz é dar apenas um reconhecimento necessário. Apesar de tudo, as pessoas sabem que a política não é uma obra satânica, o que demonstra um enorme bom senso popular. Note o leitor que uma das marcas do pensamento conservador não é imaginar que a política seja intrinsecamente maligna. Quando um conservador destaca a precariedade da política, ele tem consciência de que está apontando apenas para um dos aspectos da questão. Numa época cheia de idéias políticas malignas, não age mal quem destaca o quão perversa a política é, mas isso, no fundo, conforme eu disse, é apenas um dos aspectos da questão. Pois bem, as pessoas em geral desconfiam da política sem considerá-la intrinsecamente maligna. Nesse sentido, o povo é conservador. É óbvio, todavia, que não estamos no campo da necessidade. Uma visão rígida das coisas apenas exageraria tudo. O caráter das pessoas, bem como de um povo, é passível de giros, da mesma forma que admite uma série de nuanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuando no campo da opinião modesta, não acho que o problema esteja no povo, porque, além de tudo o que já disse, ele é, por natureza, reagente. Não é na população que devemos, por conseguinte, buscar a fonte de nossos problemas. Eu diria que a principal responsabilidade é da elite letrada, isto é, pessoas mais ou menos cultas com alguma capacidade de influência na sociedade. O leitor encontrará ali toda uma sorte de criaturas as mais crédulas possíveis. O exemplo mais eloqüente foi o assentimento que parte dessa gente sempre deu a Lula, crendo que, uma vez no poder, o infeliz salvaria a nação. Essa cegueira se alastrou e contaminou o povo. Por outro lado, é nessa mesma elite que encontramos todo o gênero de reformadores sociais, que sempre visam a política como ferramenta fundamental, ou politizam todas as esferas da vida, o que é rigorosamente idêntico. Eu diria até que é essa classe que mais considera que "o voto é a arma do cidadão".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar, e sendo ainda mais repetitivo, o povo ignora os fatos políticos simplesmente porque está pouco ligando para a política, enquanto a elite letrada o que mais faz é se haver com eles. Ora, amável leitor, quem você acha que é verdadeiramente cético?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-5725283029573828078?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/5725283029573828078/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=5725283029573828078&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/5725283029573828078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/5725283029573828078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/09/um-breve-comentrio-sobre-poltica-e-as.html' title='Um breve comentário sobre a política e as eleições'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-8279198704875134088</id><published>2008-09-01T05:23:00.006-03:00</published><updated>2008-09-01T05:59:23.964-03:00</updated><title type='text'>A beleza é objeto de contemplação</title><content type='html'>Houve uma semana, cujo mês escapa vaidosamente à lembrança, na qual o acaso me presenteou com seguidos filmes da Jennifer Connelly. Enquanto desfilavam Hulk, Água Negra e outros, eu prestava mais atenção na atriz que nos enredos. Embora outras atrizes sejam ainda mais belas -- mas, diga-se de passagem, Jennifer Connelly está bem longe de não ser atraente -- o que mais me chama atenção na atriz é aquele dado tão difícil de precisar mas que costumamos chamar de "graça".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A avaliar certas fotos que andam circulando por aí, a atriz parece ter adotado a equívoca moda da magreza compulsiva. Jamais pude entender como as mulheres vislumbram alguma beleza no esqueleto -- porque nós homens, pelo menos geralmente, não apreciamos ossos. É mais chocante quando a pessoa, dotada de tanta beleza natural, força a si mesma em caminho contrário, certamente por causa de conselhos tenebrosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixemos, caro leitor, as divagações aquietadas. Alegremo-nos com a graça e a beleza da Jennifer Connelly.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/SLut9GVFbSI/AAAAAAAAABs/9tDvg69jcfY/s1600-h/jennifer-connelly-8.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/SLut9GVFbSI/AAAAAAAAABs/9tDvg69jcfY/s400/jennifer-connelly-8.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5240973856558378274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/SLut0VzqGEI/AAAAAAAAABk/0Cpdno-kPgk/s1600-h/jennifer-connelly2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/SLut0VzqGEI/AAAAAAAAABk/0Cpdno-kPgk/s320/jennifer-connelly2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5240973706094319682" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/SLutlLcoPlI/AAAAAAAAABc/C003HAq8CgI/s1600-h/jennifer_connelly.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/SLutlLcoPlI/AAAAAAAAABc/C003HAq8CgI/s320/jennifer_connelly.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5240973445615337042" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-8279198704875134088?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/8279198704875134088/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=8279198704875134088&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8279198704875134088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8279198704875134088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/09/beleza-objeto-de-contemplao.html' title='A beleza é objeto de contemplação'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/SLut9GVFbSI/AAAAAAAAABs/9tDvg69jcfY/s72-c/jennifer-connelly-8.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-2995473949185459488</id><published>2008-09-01T04:36:00.003-03:00</published><updated>2008-09-01T05:05:27.116-03:00</updated><title type='text'>Prototipia emasculada e inerte do corriqueiro, em poligamia branca com todas as realidades imbecis e inexpressivas da vida</title><content type='html'>Passeando pelo excelente blog de &lt;a href="http://antoniofernandoborges.apostos.com"&gt;Antonio Fernando Borges&lt;/a&gt;, deparei-me com &lt;a href="http://antoniofernandoborges.apostos.com/2007/08/meu_mulato_inzoneiro.html"&gt;uma crítica extremamente cativante a Machado de Assis por parte do Pe. José Severiano Resende.&lt;/a&gt; De acordo com a sapiência do clérigo, a obra de Machado de Assis não passa de "Prototipia emasculada e inerte do corriqueiro, em poligamia branca com todas as realidades imbecis e inexpressivas da vida.” Ora, confesso ao distinto leitor que há anos venho me esforçando para criar uma frase tão casquilha. Por conseguinte, ela será meu lema, a partir de agora, para uso em todas as situações possível e impossíveis, seja como insulto, seja como descrição orkutiana, superando o "apostrofá-lo-ei com doestos e vitupérios incandentes" que li há quase uma década numa coluna divertida de João Ubaldo Ribeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse fazer mais um elogio às exuberantes críticas do padre e daqueles que o acompanharam, diria tão-somente que foi-se o tempo em que até a fala mais caturra exigia alguma sofisticação, ainda que beócia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-2995473949185459488?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/2995473949185459488/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=2995473949185459488&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/2995473949185459488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/2995473949185459488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/09/prototipia-emasculada-e-inerte-do.html' title='Prototipia emasculada e inerte do corriqueiro, em poligamia branca com todas as realidades imbecis e inexpressivas da vida'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-2290698224519878386</id><published>2008-08-17T20:01:00.003-03:00</published><updated>2008-08-17T20:35:55.251-03:00</updated><title type='text'>De um aparente dilema marxista</title><content type='html'>Para mim, um dos mistérios mais insondáveis do universo é entender, do ponto de vista marxista, por que Cuba exerce um fascínio tão comovente em nossa elite intelectual e governamental, bem como na América Latina. Por mais que eu tente raciocinar de um ponto de vista marxista, a única explicação que encontro é que os esquerdistas latino-americanos estão profundamente hipnotizados por aquilo que Marx chamava de "superestrutura": produção simbólica que inicialmente emerge de um dado sistema econômico mas que ao longo do tempo entra em contradição com o desenvolvimento desse mesmo sistema econômico. Contudo, seria imensamente paradoxal -- ou irônico -- que os próprios esquerdistas, que se julgam aptos a vislumbrar os reais fundamentos da conduta humana através de uma doutrina científica, fossem eles mesmo engolidos pela máscara ideológica de uma forma tão cândida. Na realidade, seria até absurdo que uma teoria que eles apresentam como suficiente apenas servisse para enganá-los de modo miserável. Ademais, seria interessante compreender até que ponto o modo de produção exercido em Cuba e as relações de produção existente por lá estão ligadas. Será que tudo o que é dito em Cuba não passa igualmente de mera máscara ideológica? Se for assim, nossos caríssimos intelectuais latino-americanos, bem como nossos governos, estão como o burro a correr atrás da cenoura, tocados por uma estrutura econômica que eles julgam entender mas sem a menor idéia do que estão falando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente estou me esforçando a raciocinar como um marxista, o que me levou a esse aparente dilema. Ficaria mui grato se algum marxista pudesse me ajudar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-2290698224519878386?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/2290698224519878386/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=2290698224519878386&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/2290698224519878386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/2290698224519878386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/08/de-um-aparente-dilema-marxista.html' title='De um aparente dilema marxista'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-6638328902500574473</id><published>2008-07-18T15:03:00.004-03:00</published><updated>2008-07-18T16:01:35.790-03:00</updated><title type='text'>Concordo com o que Omayr disse</title><content type='html'>Ainda que eu possa correr algum perigo de atingir a mim mesmo, embora faço de antemão penitência por qualquer prática levemente semelhante que por acaso eu já tenha feito, &lt;a href="http://salterrae.org/2008/07/17/alias-basta-me-ouvir-a-palavra-polis-para-comecar-a-sentir-nauseas/"&gt;preciso concordar com este post de Omayr sobre deslumbramentos&lt;/a&gt;, embora minha ojeriza não seja radical -- há uma fonte de humorismo inesgotável nisso --, e só não concordo ainda mais porque não tenho condições de polemizar a respeito da qualidade das traduções do latim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não cito exemplos de blogs deslumbrados porque são legião, ainda que alguns blogs que eu gosto caiam nesse vício, em maior ou menor medida. Cinco minutos de pesquisa já bastam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu tivesse um magnífico domínio de vastas línguas estrangeiras, eu já teria escrito um livro em inglês que tivesse expressões greco-espanholas, em caracteres góticos, declinado em latim, com notas de rodapé em alfabeto hebraico e com a advertência de que sua completa inteligibilidade só seria possível caso ele fosse pronunciado num misto de francês e alemão. Seria a apoteose do linguajar macarrônico. Dedicaria aos meus queridos compatriotas três volumes: aos iluminados pelas letras, distantes do realismo bárbaro nacional, um volume sobre literatura, destacando a literatura anglo-saxã; aos doutos estudiosos de filosofia, impregnados de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;status quaestionis&lt;/span&gt;, haveria um volume dedicado especialmente a Platão e Aristóteles; aos pietíssimos leigos que se acham verdadeiros padres e aos padres que se acham verdadeiros leigos, minha homenagem seria um volume dedicado aos santos, referência maliciosa a certas práticas religiosas nacionais. Quanto aos esquerdistas e ateus, como eles não lêem nada ou entendem tudo errado, minha homenagem seria um piparote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É provável que essa obra não tenha uma boa acolhida, mas, em tempos democráticos tão magníficos como o nosso, ninguém poderia me acusar de não distribuir homenagens a todos, sérios e não sérios. E com isso, adeus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-6638328902500574473?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/6638328902500574473/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=6638328902500574473&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/6638328902500574473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/6638328902500574473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/07/concordo-com-o-que-omayr-disse.html' title='Concordo com o que Omayr disse'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-594602384715384208</id><published>2008-06-23T15:23:00.004-03:00</published><updated>2008-09-01T05:17:05.693-03:00</updated><title type='text'>Ainda do comportamento feminino</title><content type='html'>Continuando na clave do meu torpor acerca de determinados comportamentos femininos, eis que ontem, mais uma vez, vivenciei por alguns instantes a incredulidade. Estava eu esperando o elevador, eu, com aparência de mata-mouros, cansado após a peleja dominical, hirto e divagando acerca da lentidão do elevador do meu prédio e de outras maravilhas do mundo moderno, tantos  acidentes aristotélicos agindo sobre meu ser, quando de repente eis que apareceu uma garota ao meu lado. Não a encarei, mas obviamente não pude deixar de notar o seu reduzido porte, quase a metade do meu. Contudo, mal o elevador tendo chegado e eu esboçado um movimento para abrir a porta, subitamente aquela criaturazinha me flanqueou da direita para esquerda, num movimento tão rápido que mal pude contemplar, abriu a porta do elevador e tacitamente me convidou a entrar. Não pude deixar de sorrir e dizer um muito obrigado em tom meio zombeteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela criaturazinha foi bastante simpática e adorável quando abriu a porta para mim. Todavia não me julgo tão desprovido de músculos a ponto de exigir semelhante gentileza de alguém que é visivelmente ainda mais fraco que eu. Talvez eu devesse ter presença de espírito e feito questão de abrir a porta do elevador, mas aquela situação me causou tanta surpresa que me senti constrangido a obedecer aquela pequena mulher, o que aliás prova de modo estranho a influência decisiva das mulheres em nossas ações. Bem poderia ser aplicado a elas o dito de Cristo Jesus: "Meu jugo é suave". Desde que a mulher não seja ditatorial, seu domínio consegue ser extremamente sutil e doce. Agora bem: não estou sendo pessimamente agradecido, muito menos desfazendo da gentil garota, mas semelhante inversão é bastante curiosa porque tão natural. Estou mui distante de reclamar dos mimos femininos, porém esse tipo de delicadeza sempre me deixa inquieto. Por mais que estejamos no séc XXI, sob alguns aspectos pertenço ao séc. XIX, ainda que seja interessante dizer ao leitor que não sou exatamente a pessoa mais cavalheiresca do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-594602384715384208?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/594602384715384208/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=594602384715384208&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/594602384715384208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/594602384715384208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/06/ainda-do-comportamento-feminino.html' title='Ainda do comportamento feminino'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-8763513430873458952</id><published>2008-06-17T16:03:00.002-03:00</published><updated>2008-06-17T16:44:55.496-03:00</updated><title type='text'>Das universidades</title><content type='html'>Se há de fato uma dúvida séria a respeito da qualidade das universidades, acho que a questão deve ser colocada de forma mais ou menos objetiva, embora a sensação de desamparo que muitas vezes os estudantes têm não possa ser negligenciada de maneira nenhuma. Ela tem os seus direitos legítimos no conjunto da análise. Infelizmente não tenho como fornecer uma regra de ouro para tal análise, porém imagino que seria útil averiguar detidamente qual o volume e qualidade -- isto é, a relevância no conjunto dos estudos destinados a cada tema -- da produção acadêmica de cada área, levando-se em conta toda a quantidade de subsídios empregados, tanto em termos financeiros como humanos, ao longo de mais ou menos três décadas, isto, uma geração. Outras universidades ao redor do mundo, de preferência as melhores, deveriam ser comparadas com as nossas nesses mesmos aspectos a fim de fornecer uma base de comparação. Poderia ser interessante também realizar uma comparação entre a produção acadêmica e não-acadêmica, no sentido de checar até que ponto a produção acadêmica em cada área é ou não superior ao que vem sendo produzido fora das universidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas para ilustrar em termos o que eu disse, lembro-me que há seis anos a UFRJ tinha dez professores para cada aluno e uma proporção semelhante de funcionários para cada aluno. São números que deveriam indicar uma enorme disponibilidade de recursos humanos, porém não só era comum haver reclamações de falta de professores e funcionários como o problema parecia existir de fato em determinadas áreas. Um dado sobre a USP de quase oito anos atrás é que ela gastava mais de 94% de seus recursos com folha de pagamento, o que aliás não parece ser exceção à regra das estatais, posto que numa palestra que vi de um comandante do exército há muitos anos ele disse que quase 90% do orçamento militar era destinado à folha salarial. Não posso dizer como a situação é atualmente, mas não creio que tenha havido mudanças radicas. Creio igualmente que a situação da USP seja semelhante a de muitíssimas outras universidades estatais. Por fim, embora eu não tenha os números, a quantidade de pós-graduados, ao menos em História na UFRJ, a julgar pela expansão dos programas de pós-graduação que tem havido há algum tempo, vem aumentando bastante. A expansão das universidades privadas indica não só o óbvio aumento na quantidade de graduados como igualmente no de pós-graduados em praticamente todas as áreas. Contudo, a sensação de mendicância acadêmica continua bastante evidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha modestíssima opinião, levando-se em conta esses e outros dados, as universidades infelizmente vem se tornando há muitos anos um trombolho cuja finalidade é assegurar uma vida confortável a alguns poucos. É menos pela necessidade de conhecimento que pelo prazer de ter altíssimos privilégios a sua razão de ser. A situação consegue ser ainda mais calamitosa pelo fato de haver, como se tudo isso já não bastasse, o aparelhamento ideológico numa série de cursos. Assim, a universidade acaba servindo principalmente a dois objetivos: assegurar privilégios e propagação de manias ideológicas. A famosa "produção de conhecimento" é relevada à categoria de cereja do bolo. Evidentemente há exceções, o que não deveria causar espanto, pois até em Sodoma havia justos. A questão não é saber se existe vida inteligente nas universidades, mas avaliar até que ponto a propaganda da necessidade de haver universidades, e ainda mais estatais, se tornou uma bela fantasia de cordeiro para disfarçar um lobo cruel e voraz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-8763513430873458952?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/8763513430873458952/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=8763513430873458952&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8763513430873458952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8763513430873458952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/06/das-universidades.html' title='Das universidades'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-6490365300984543788</id><published>2008-06-15T01:58:00.006-03:00</published><updated>2008-06-16T01:27:13.881-03:00</updated><title type='text'>Algo a partir do que D. Lourenço escreveu sobre o Orkut</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.permanencia.org.br/revista/atualidades/orkut4.htm"&gt;Mais uma vez, D. Lourenço criticou o Orkut&lt;/a&gt;. &lt;a href="http://www.permanencia.org.br/revista/atualidades/orkut.htm"&gt;Quando ele escreveu a sua primeira crítica&lt;/a&gt;, senti-me realmente tentado a abandonar o Orkut. Já o tinha feito antes, provavelmente devido àquele motivo lembrado pelo sábio monge: "o vazio dos jovens é tamanho que eles cansam de si mesmos também". Não o abandonei pela segunda vez, mas praticamente as minhas atuações orkutianas se resumiram em combinar os jogos com meu time de pelada, já que é mais prático assim do que telefonar para cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, ainda que as minhas palavras tenham algo de hipócrita, posto que sou usuário, meu maior incômodo não é tanto com o Orkut, mas com essa nossa propensão extraordinariamente moderna de publicidade da vida. Ainda não pensei muito bem sobre o tema, mas creio que carregamos de fato um homem-massa escondido no coração. Embora na maior parte das vezes tenhamos opiniões sumamente tolas, sentimos uma estranha necessidade de compartilhá-las, supondo que haja alguma centelha de genialidade escondida nelas. No fundo está a necessidade de exibição de nós mesmos, como se puséssemos a nossa pessoa num estandarte e saíssemos desfilando com ela, por mais tolos que sejamos. Disso resulta, naturalmente, na publicidade de cada aspecto da nossa vida, por mais insignificante que ele seja, como se o mundo não pudesse dar mais uma volta em torno de si mesmo até que o maior número possível de pessoas saiba da nossa existência, supostamente espetacular a ponto de servir como matéria de publicidade. Cada um de nós acaba sendo um exibicionista em potencial, às vezes em grau heróico. Não é nada espantoso que tudo se torne de interesse público, desde as opiniões até os relacionamentos mais íntimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto somos propagandistas de nós mesmos, no campo político surge o Estado policial. Não sei até que ponto existe uma relação de causa e efeito entre ambos, porém a falta daquilo que toscamente chamarei de "consciência real de intimidade" facilita bastante a atuação de qualquer Estado policial. Se nós mesmos nos fichamos gratuita e alegremente, conforme o sucesso do Orkut não deixa mentir, por que o mesmo não poderia ser feito em nome do Estado? O culto a nossa personalidade, esse exibicionismo de si mesmo, pode desembocar, em termos políticos, na mais completa submissão ao poder do Estado. Talvez seja uma conclusão um tanto precipitada, embora mereça alguma atenção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-6490365300984543788?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/6490365300984543788/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=6490365300984543788&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/6490365300984543788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/6490365300984543788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/06/algo-partir-do-que-d-loureno-escreveu.html' title='Algo a partir do que D. Lourenço escreveu sobre o Orkut'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-4146849170707001868</id><published>2008-05-29T04:27:00.004-03:00</published><updated>2008-05-29T05:44:37.860-03:00</updated><title type='text'>Breve reflexão sobre uma coisa qualquer</title><content type='html'>Ontem eu pude experimentar o quão próxima e surpreendente pode ser a maldade, pois assim que mencionei o meu desejo de assistir a "A Noviça Rebelde" para  minha mãe, ela, essa que me fez vir ao mundo, soltou aquele som característico de quando colocam em dúvida o gênero alheio, para usar uma expressão a um só tempo pedante, estranha e da moda. A última vez que tomei conhecimento de algo ligeiramente semelhante foi quando fofocaram para mim que a mãe do meu tio dissera em certa ocasião que eu era demasiadamente educado, destilando no ambiente a sua pérfida intenção. Agora bem: nem só de desconfianças convivo. Há vários anos, enquanto alguns amigos e eu trocávamos insinuações peraltas acerca da sexualidade de cada um de nós, uma amiga partiu sincera e seriamente em defesa da minha honra masculina, cousa que me deixou mui orgulhoso. Todavia, refletindo com a sabedoria de quase uma década de intervalo, suponho que houve uma inversão total de valores durante o ocorrido, já que foi uma mulher que defendera a minha honra. Se esses tempos não fossem tão originais, algo dessa monta jamais teria passado despercebido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que pareçamos uns mata-mouros, solteirice e razoável trato cordial são hoje em dia considerados um pé na veadagem. Segundo o observador moderno, quem quer que seja assim estará prestes a assumir a sua condição e por conseguinte tombará de quatro rapidamente por força das circunstâncias. Isso explica em parte a constante necessidade de mentir dos rapazes acerca de suas relações amorosas, algo aliás que não sei se é tão freqüente entre as moças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me fato inequívoco que em não poucas ocasiões as mulheres assumem um comportamento viril. Peço licença ao leitor para contar um episódio. Certa vez eu vi um casal em frente a um bar. A mulher, devido às suas roupas, aparentava ter acabado de sair de uma academia, enquanto seu companheiro parecia ter saído de um escritório. Os dois estavam parados diante do bar decidindo o que fariam. Mal tendo eles tomado a decisão, qual não foi a minha surpresa quando a mulher resolveu entrar no bar para buscar uma mesa, depois duas cadeiras, em seguida uma terceira a fim de acomodar sua mochila e a maleta do homem e, não satisfeita com tudo isso, ainda buscar a cerveja e os copos. Eu, que a tudo observava do meu apartamento, permanecia incrédulo. Mais espantoso ainda era o fato de a mulher também sempre tomar a iniciativa dos beijos, já que o homem estava um tanto apático. Todavia, a fim de evitar recriminações tão-somente àquele pobre cidadão, lanço mão de minha própria experiência. Em pelo menos duas ocasiões em que fui a lanchonetes com alguma amiga, sucedeu o mesmo fato: sem mais nem menos, elas tomavam a iniciativa de ir buscar o que comeríamos, mesmo sob os meus mais vigorosos protestos. Houve também a vez em que fui prontamente abrir uma porta para uma amiga grávida passar, ao que ela tomou a dianteira e ainda por cima disse que não precisava. Insisti, dizendo que seria um prazer me sentir útil, porém ela declinou. Horas antes, quando decidi lavar a louça de sua casa por pura cortesia, ela não só me proibiu, tomando a tarefa para si, ainda me dirigiu para o labor desonroso de evitar que seu pequeno cão mordesse umas caixinhas de sucrilhos que estavam suficientemente próximas de sua tentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por puro capricho, menciono ao leitor que já disputei futebol com mulheres, mas sempre deixando de usar uma força excessiva. Que o leitor não me considere pretensioso, mas joguei como se fosse os EUA em guerra no Vietnã: deixando de usar o que tinha de melhor para ficar próximo do nível do adversário, e perdendo ocasionalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente muitos casos semelhantes poderiam ser trazidos à tona pelo leitor, mas não é a ele que dirijo minha perplexidade, mas à leitora. Talvez ela possa me explicar tão estranhos fatos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-4146849170707001868?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/4146849170707001868/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=4146849170707001868&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/4146849170707001868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/4146849170707001868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/05/breve-reflexo-sobre-uma-coisa-qualquer.html' title='Breve reflexão sobre uma coisa qualquer'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-8175042611456936627</id><published>2008-05-19T02:30:00.004-03:00</published><updated>2008-05-20T22:04:10.667-03:00</updated><title type='text'>Uma notícia injustamente esquecida por mim por puro desleixo</title><content type='html'>Já tive oportunidade de &lt;a href="http://asinum.blogspot.com/2006/12/cardeal-renato-martino-com-pena-de.html"&gt;reclamar do pedido de perdão feito pelo cardeal Renato Martino na época do julgamento de Saddam Hussein&lt;/a&gt;. Pois bem, por mais que eu discorde desse e de muitos outros comentários políticos seus, tenho de confessar que cometi um deslize por puro desleixo. No ano passado, deixei de citar &lt;a href="http://www.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=150038"&gt;as suas corajosas palavras contra a decisão da Anistia Internacional de apoiar o extermínio sistemático de seres humanos que ainda não nasceram, coisa vulgarmente conhecida como aborto&lt;/a&gt;, bem como &lt;a href="http://defesadafe.blogspot.com/2007/06/anistia-internacional-no-receber-mais.html"&gt;sua atitude diante do término da cooperação do Vaticano com essa organização&lt;/a&gt;. Fiquei muito contente quando soube dessa notícia e desejei escrever a respeito, porém acabei deixando a idéia na gaveta e só fui lembrar dela com quase um ano de atraso. Mas como diz o ditado, a justiça tarda mas não falha. Fica então reparada a injustiça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-8175042611456936627?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/8175042611456936627/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=8175042611456936627&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8175042611456936627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8175042611456936627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/05/uma-notcia-injustamente-esquecida-por.html' title='Uma notícia injustamente esquecida por mim por puro desleixo'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-8684485097730406070</id><published>2008-05-15T21:02:00.004-03:00</published><updated>2008-05-15T22:22:23.372-03:00</updated><title type='text'>Do quase fanatismo livresco</title><content type='html'>Hoje, eu, em pé na cozinha, segurando algo para beber, sem camisa, meditava sobre a destemperança de meu fogão. Ignorando completamente o ensinamento grego segundo o qual a virtude é medíocre -- eis uma prova clamorosa de minha má interpretação da sabedoria antiga --, ele insiste em oferecer apenas duas opções de acendimento: um quase nada ou fogo excessivo. Assim, todas as vezes que preciso assar algo no forno, vejo-me obrigado a optar entre o cru -- notai como um simples r torna tudo mais galante -- e o queimado. Sou obrigado a manter prontidão constante, até porque às vezes o fogo baixinho some e a boca só assopra gás. É preciso mudar de vida, ou melhor, de fogão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu fosse mudar o que tem de ser mudado, passaria a viver num pesadelo heraclitiano. Ademais, como um brasileiro exemplar, prefiro me lamuriar pela falta de vinténs. Na realidade, minha questão com dinheiro vai mais além, porque anos de pouquidão monetária me ensinaram a necessidade de poupar e de estabelecer prioridades inabaláveis. Dada a minha natureza, converto dinheiro normalmente em livros, e de preferência usados. Meu cérebro opera então do seguinte modo: se há um filme interessante em cartaz, em seguida penso no custo e na quantidade de bons livros usados que eu poderia comprar. Este procedimento fatalmente me faz dar adeus ao filme. Julgo até que esse modo de operar do meu cérebro permaneceria semelhante na hipótese de eu receber alguma fortuna. Todavia é bom deixar claro, antes de me acusarem de hipocrisia devido aos meus gastos com Internet, TV a cabo e sorvetes, que minha teimosia livresca nunca se transformou em obstinação fanática, exceto naquelas situações extremíssimas em que tudo é válido em nome da sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conquanto tudo isso seja verdade, confesso ao estimado leitor que já me pus a cogitar se seria mais do meu agrado a companhia de alguma bela dama ou assistir a aulas de algum grande mestre. Entre a companhia da belíssima Ana Paula Arósio e uma aula de Aristóteles, o que o leitor escolheria? É uma pergunta algo sofística, pois envolve comparação entre gêneros mui diversos -- na verdade é apenas um esclarecimento àqueles que transbordam de maldade no coração. O fato insólito de eu ter me feito essa pergunta e ainda por cima ter claudicado na resposta é um indício de como funciona meu espírito. Preciso dizer, em todo o caso, que já ofereci uma resposta certa vez, mas será um prazer deixar a curiosidade do leitor insaciada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Àqueles que compartilham desse meu espírito, um bom adeus, e àqueles que consideram tudo isso uma grande disparatada, também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-8684485097730406070?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/8684485097730406070/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=8684485097730406070&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8684485097730406070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8684485097730406070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/05/do-quase-fanatismo-livresco.html' title='Do quase fanatismo livresco'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-1129624334326773367</id><published>2008-05-14T19:35:00.004-03:00</published><updated>2008-05-14T20:18:01.903-03:00</updated><title type='text'>Dos pré-candidatos à prefeitura do Rio</title><content type='html'>Outro dia um amigo, com autêntico sadismo, listava-me &lt;a href="http://diariodorio.com/pre-candidatos-a-prefeito-em-2008/"&gt;os possíveis candidatos para a prefeitura do Rio de Janeiro&lt;/a&gt;, ao que eu respondia a cada nome como Xerxes quando informado do malogro de sua expedição: ai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levando-se em consideração qualquer que seja a pobreza de espírito que assolará a capital, este senhor que atualmente nos governa já não me parece mais tão péssimo, afinal de contas não é defensor feroz das drogas, não é apologista contumaz do aborto e de regimes totalitários, nem é fiel receptador de ingênuas esmolas. É portanto provável que sigamos na nossa longa idade das trevas. Daí ser útil aprender que da mesma forma que é comum na natureza a carcaça se tornar uma bela iguaria de chacais e demais carniceiros, no mundo dos homens uma cidade e um país em acentuada decadência são o prato cheio dos mais tenebrosos políticos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-1129624334326773367?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/1129624334326773367/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=1129624334326773367&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1129624334326773367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1129624334326773367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/05/dos-pr-candidatos-prefeitura-do-rio.html' title='Dos pré-candidatos à prefeitura do Rio'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-5810702996864468209</id><published>2008-05-09T17:41:00.004-03:00</published><updated>2008-05-09T18:38:58.152-03:00</updated><title type='text'>Artur da Távola (1936-2008)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/SCTAcfBm58I/AAAAAAAAABU/9KicPJiDO48/s1600-h/artur.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/SCTAcfBm58I/AAAAAAAAABU/9KicPJiDO48/s320/artur.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198491465489508290" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Soube há pouco do f&lt;a href="http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/05/09/morre_ex-senador_artur_da_tavola-427300695.asp"&gt;alecimento, hoje, do senador Artur da Távola&lt;/a&gt;, a quem destinei simpatias desde quando, há oito ou nove anos, assisti pela primeira vez ao seu programa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quem tem medo da música clássica&lt;/span&gt;. Seu objetivo era oferecer música clássica a ouvinte calouros. Sua intenção de disseminar cultura era realmente sincera, cousa rara nesses estranhos tempos. Ele participava igualmente de outros programas, tal como um na Rádio MEC cujo nome me escapou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua condição de saúda andava precária há algum tempo. Pude notar isso quando ele, visivelmente debilitado, insistiu em apresentar mais um de seus programas na TV Senado. Causou-me admiração, pois haveria maior demonstração de seu sincero desejo de difundir cultura? Desejei que ele tão logo se recuperasse, mas confesso que vê-lo daquele jeito não me deu muitas esperanças. Recebi portanto a notícia de seu falecimento sem muita surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o seu &lt;a href="http://www.arturdatavola.blogger.com.br/"&gt;derradeiro post&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;EMBORA ENFERMO DESDE AGOSTO DE 2007, COM RISCO DE VIDA, NAS BREVES OPORTUNIDADE EM QUE NÃO ESTEVE INTERNADO, O TITULAR DESTE BLOG NELE NÃO MAIS PÔDE ESCREVER. ELE FICOU ABEERTO SUJEITO À INTERFERÊNCIA DE INTERNAUTAS QUE SE COMPRAZEM EM ENTRAR EM DOMÍNIOS ALHEIOS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EMBORA NÃO MAIS INTERNADO EM HOSPITAL PROSSIGO EM TRATAMENETO DOMÉSTICO E ASIM SERÁ POR ALGUM TEMPO.NESSAS CIRCUNSTÂNCIAS PEÇO DESCULPAS A QUEM O PROCURE. ELE ESTÁ MOMENTÂNEAMENTE CONGELADO POR SEU TITULAR. ESPERO VOLTAR NA OLENITUDE DE MINHAS POSSIBILIDADES DENRO DE DOISOU TRÊS MESES.&lt;br /&gt;E CONTO COM SUA COMPREENSÃO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FRATERNALMENTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARTUR DA TAVOLA&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="time"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despeçamo-nos com a frase que mais soía dizer no programa: "Música é vida interior, e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão". Fique com Deus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-5810702996864468209?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/5810702996864468209/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=5810702996864468209&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/5810702996864468209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/5810702996864468209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/05/artur-da-tvola-1936-2008.html' title='Artur da Távola (1936-2008)'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/SCTAcfBm58I/AAAAAAAAABU/9KicPJiDO48/s72-c/artur.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-8125495988482681763</id><published>2008-05-08T12:25:00.005-03:00</published><updated>2008-05-08T13:15:27.382-03:00</updated><title type='text'>Dos blogs carolíngios e do parcial fim dos bons blogs de antanho</title><content type='html'>Meu cumpadre Carlos, em seu furor iniciático, pôs-se a criar não um, mas dois novos blogs, perfazendo assim uma trilogia, se é que posso chamar assim, blogueira, ainda que o seu antigo endereço blogspoteiro -- ó tempos, quase deu um puteiro -- naufragasse quase completamente. Tudo isso que eu disse é, todavia, acochambração, afinal ele já criara outros blogs até chegar a essa trilogia, mas como o número três, por evocar a trindade, é mais belo de ser dito, fiquemos com ele com um entusiasmo fanático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele me disse que era ótimo para criar blogs e ruim para mantê-los, ao que eu respondi, ele e sua noiva poderão dar fé, que meu cumpadre é um ótimo arroz de festa. Agora bem: sou o último cidadão desta gloriosíssima república a reclamar disso, afinal eu mesmo toco o meu blog de maneira assaz canhestra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligo-os evidentemente a este blog, muito embora não me seja permitido cogitar se graças a isso haverá maior freqüência em seus novos endereços. Como minha mentalidade a respeito de números e estatísticas é sumamente medieval, desconheço quase completamente dados referentes a este meu próprio blog, embora a quantidade de comentários seja algum indício -- insuficiente, claro está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja o leitor devidamente informado. Os blogs do Carlos inaugurados há mais ou menos tempo são o &lt;a href="http://addexteram.wordpress.com/"&gt;Ad Dexteram&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.globoonliners.com.br/icox.php?mdl=pagina&amp;amp;op=listar&amp;amp;usuario=8073"&gt;Minhas Circunstâncias&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que a pauta hoje são blogs, houve o anúncio do naufrágio do famoso portal &lt;a href="http://wunderblogs.com/"&gt;Wunderblogs&lt;/a&gt;. É possível ao urubu esfaimado saborear as carcaças ainda expostas, pois, muito embora tenha sido decretada falência, a navegação por lá permanece viável, ao menos por algum momento. Sinto-me mal porque tanto gostava do portal como isso ocorreu oficialmente após eu ter mencionado minha admiração pelo blog de Alexandre Soares Silva, coisa que o leitor poderá ler em algum post anterior. Alguns membros migraram para outro portal, o &lt;a href="http://apostos.com/"&gt;Apostos&lt;/a&gt;. Confesso que imaginei até escrever uma obra magna em oito volumes chamada "História e declínio dos Wunderblogs", ao que minha preguiça, fiel amante, e meu bom senso, às vezes vivo, me impediram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoe-me o leitor pela declamação velhaca que farei, mas houve um tempo, e aqui não critico os que hoje existem, em que havia uma grande quantidade de excelentes blogs. Talvez dizer que havia uma grande quantidade seja mui expansivo, mas isso não isola da verdade o fato de ter havido vários excelentes blogs, ao menos para meu alvitre. Podiam ser muito ou pouco conhecidos, algo que em nada influía na ótima qualidade apresentada. Um por um, todavia, eles foram dando um último suspiro, como ocorrido com Gradus ad Parnassum, Alexandrinas, Despoina Damale etc. etc. etc. Os veteranos, contudo, deram espaço a muitos novatos, de maneira que o exemplo, aparentemente, não fora em vão. Apenas lastimo que muitos dos bons blogs de antanho tenham naufragado quase completamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-8125495988482681763?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/8125495988482681763/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=8125495988482681763&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8125495988482681763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8125495988482681763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/05/dos-blogs-carolngios-e-do-parcial-fim.html' title='Dos blogs carolíngios e do parcial fim dos bons blogs de antanho'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-5939876858445151880</id><published>2008-05-08T01:32:00.005-03:00</published><updated>2008-05-08T13:22:41.193-03:00</updated><title type='text'>Breve lembrança de idas ao dentista</title><content type='html'>Animou-me a escrever algo &lt;a href="http://egoconfession.zip.net/arch2008-05-01_2008-05-15.html"&gt;a desdita da Cris ao arrancar seu siso&lt;/a&gt;. Tenho de admitir que quase caí na tentação de dizer que seu siso era caro, porém seria uma audácia da minha parte, pois nunca fomos apresentados e, agora que foi extraído, não o seremos mais, exceto, é possível, quando soar o momento dos mortos se levantarem. Que fique ao leitor piedoso a mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu falava, ou melhor, dizia da inspiração momentânea. Pois bem, eu também passei por uma experiência dessas, quando me divorciei dos sisos superiores há dois anos. O que me causou espécie não foi a extração em si, pois, exceto uma agulhada dolorida na hora de fazer o ponto, minha dentista conduziu tudo com enorme habilidade. O problema foi depois, já que meu modo de falar por cerca de meia hora ficou mui semelhante ao do veteraníssimo Sylvester Stallone. Cheguei a fazer uma troça do fato à dentista, porém ela não considerou muita graça nisso e riu tão-somente por piedade de mim, eu, que ainda por cima era obrigado a lutar contra uma baba que insistia em passear mundo afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor não poderia viver sem saber também que minhas experiências ao dentista não foram somente aquelas. Eu já era veterano quando do ocorrido, pois eu havia sobrevivido sem traumas a um tratamento de canal. Diga-se de passagem que só consenti em ser submetido a esse tratamento porque conduzi uma situação precária até o derradeiro instante em que passei a sentir furiosíssimas dores de dente. Ignorei o que houve com muitos a minha volta e sofri, o que confirma os dizeres homéricos a respeito dos tolos só aprenderem com a experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em matéria de desgraça a humanidade se rejubila. Foi portanto natural que me dissessem apocalipses a respeito do tratamento de canal, e eu mesmo, confesso, senti algum prazer quando mencionei o que ocorre durante a extração do siso a uma prima que será a próxima vítima de algum dentista. Todavia não me abalei demais, não por heroísmo, mas por cálculo. Se o tratamento de canal era a única solução, então não adiantaria me lamuriar.  Quando a sobrevivência corre perigo, tudo é válido. Foi pensando nessas coisas sumamente dramáticas que busquei um dentista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me recordo o número de sessões de tortura em potencial a que fui submetido, mas sobrevivi intacto, principalmente por causa da invocação contínua a Santo Inácio de Loyola. A recordação de sua impassibilidade quando puseram seu osso no lugar após fratura na guerra me encheu de coragem. Além do mais, ficava imaginando por que espécie de sofrimento um Alexandre Magno e um Carlos Magno tiveram de suportar naqueles tempos tão brutais. Ora, se eles sofreram inumeráveis dores sem anestesia, por que eu deveria chorar havendo à minha disposição anestesia e tudo o mais? Sem jamais deixar de invocar o Santo Inácio de Loyola, fiquei um tanto mais tranqüilo na cadeira do dentista. Fui, portanto, homem, pelo menos enquanto a anestesia surtiu efeito. E para evitar qualquer desdoiro, ela surtiu efeito sempre que foi solicitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não sou ingrato demais, naquela época me surgiu uma enorme curiosidade de saber qualquer coisa da história da anestesia. Fiz uma longuíssima pesquisa de dez minutos na Internet e descobri de fato alguma coisa, mas infelizmente tudo isso agora está perdido em algum compartimento inacessível do meu cérebro. Impossibilitado de escrever qualquer linha desse assunto, invito o leitor a pesquisar também. Ainda assim, fica, pois, outra homenagem feita por mim àqueles que descobriram a anestesia. E digo outra homenagem porque na época fiz ao meu dentista algum brevíssimo elogio a ela e aos seus responsáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Shostakovich se aventurou a criar uma sinfonia em honra à industrialização soviética, espero que algum outro talentoso músico crie uma música em homenagem a algo bem mais universalmente válido, como é o caso da anestesia. E ainda teria algo a dizer sobre o inusitado de ter alguém manipulando literalmente a nossa boca, mas me despeço já, adeus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-5939876858445151880?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/5939876858445151880/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=5939876858445151880&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/5939876858445151880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/5939876858445151880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/05/breve-lembrana-de-idas-ao-dentista.html' title='Breve lembrança de idas ao dentista'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-5710695441924377134</id><published>2008-04-04T05:12:00.002-03:00</published><updated>2008-04-04T05:20:16.842-03:00</updated><title type='text'>Uma feliz Páscoa</title><content type='html'>Mantendo-me fiel ao meu desleixo, gostaria de desejar uma feliz Páscoa atrasada a todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-5710695441924377134?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/5710695441924377134/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=5710695441924377134&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/5710695441924377134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/5710695441924377134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/04/uma-feliz-pscoa.html' title='Uma feliz Páscoa'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-283727339959171619</id><published>2008-04-04T03:48:00.006-03:00</published><updated>2008-04-04T05:09:01.188-03:00</updated><title type='text'>Algumas palavras sobre qualquer coisa</title><content type='html'>Ainda que seja sumamente ridículo, devo confessar ao leitor que hoje em dia me escapa frivolamente o motivo do nome deste meu querido blog. Sim, frivolamente, porque haveria outro motivo senão a pura gaiatice da lembrança? É precisamente isto, enfim, que me falta, a lembrança. Junto com ela, e me parece bastante evidente, está a perda do fio que liga este que vos escreve hoje à idéia um dia concebida há alguns anos atrás por mim mesmo. É tão-somente a minha teimosia que não me permite modificar o título desse blog, além de ele exercer sobre mim um misterioso fascínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca é demais repetir ao leitor que o blog, ou melhor, minha estréia em um blog, não nasceu na primeira data escrita ali ao lado, mas em outra. A verdadeira estréia é anterior coisa de um ano apenas, em 2003, porém o velho blog, também batizado como este aqui, teve breve existência e foi tragado pelas intempéries cibernéticas. Mas o ensaio foi sucedido por outro ensaio, mais breve ainda, donde é necessário concluir que este blog atual é uma re-re-estréia, sendo que nenhum dos outros deixou rastros facilmente visíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levando-se em conta que praticamente tenho 26 anos, posto que farei aniversário agora em abril e coincidentemente no dia de mesmo número da idade que terei, 26, pode o leitor facilmente verificar que publico alguma coisa desde os 21 anos. Não lembro agora se meus amigos Carlos, Francisco e eu chegamos a desenvolver "O Teocrata" já em 2002, mas creio que sim. Isso quer dizer que venho garrancheando na Internet, sem jamais abrir mão de um amadorismo atroz, há seis anos, isto é, desde meus 20 anos. São, portanto, seis anos de experiências irregulares e amadorísticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, é uma diversão tremenda. Isso não significa dizer que é uma frivolidade total, ainda que haja qualquer coisa do gênero. Agora bem: que seria do homem se fosse apenas seriedades e tragédias? Eu mesmo respondo: seria nada, porque teria sido há muito aniquilado pelo peso do mundo hostil. É, portanto, necessário respirar. Todavia, julgo ser necessário deixar claro que, no meu caso em particular, a asfixia universitária que me oprimia me levou a buscar correndo alguma fresta de ar. Eu poderia dramatizar e dizer que foi uma questão de sanidade mental o que me levou a buscar um ambiente paralelo ao que eu freqüentava. Aliás, eu gostaria de mencionar que os belíssimos sites de &lt;a href="http://oindividuo.com/"&gt;Pedro Sette Câmara&lt;/a&gt; e de &lt;a href="http://soaressilva.wunderblogs.com/"&gt;Alexandre Soares Silva&lt;/a&gt;, e me desculpem os outros que injustamente não foram citados, estejam ainda na ativa ou não, foram e são verdadeiras delícias para qualquer espírito angustiado -- culturalmente falando. Ao menos para este que vos fala, o ambiente universitário carregado demais e eu diria até azedo para nosso espírito. Agora bem: não fosse por tais exemplos, talvez nunca o Carlos teria tido a idéia de criarmos um blog no lugar do o site que já tínhamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me levou a rabiscar na Internet foi o desejo de expressar alguma coisa diferente do que era obrigado a engolir na faculdade, muito embora, verdade seja dita, a pretensão não acompanhasse e nem acompanhe a qualidade mirada. Na realidade, não demorou muito para eu perceber que a faculdade era um anel que se estreitava quanto mais eu procurava me movimentar de acordo com, por assim dizer, outros ritmos. A algumas pessoas, é possível desligar a si mesmo e levar as coisas de um modo robótico. Infelizmente, tentei por bastante tempo agir assim e não fui muito bem sucedido. Rabiscar na Internet não foi uma válvuda de escape a toda a prova, mas serviu realmente como respiradouro. Talvez o leitor considere o que direi um tanto poético ou algo obscuro, mas poucas são as coisas mais agradáveis do que o sentimento de liberdade retamente guiado pelo que é verdadeiramente bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me um pouco afetado esse modo de dizer, mas não sei como expressar de outra forma tudo o que disse. Muito embora possam parecer afetadas, nem por isso essas palavras carecem de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se algum dia justifiquei a existência desse ou de qualquer outro blog que criei. Bom, aproveito a ocasião para solenemente dizer que não há a menor justificativa senão essas que eu disse, seja lá se ficaram claras ou não. Não chegarei ao cúmulo de dizer que este meu blog é auto-justificável, logo necessário, como se fosse um axioma. Que o amável leitor tenha apenas em sua mente essas sofridas palavras, escritas pelo não menos sofrido cidadão que vos fala. E tenha um bom dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-283727339959171619?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/283727339959171619/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=283727339959171619&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/283727339959171619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/283727339959171619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/04/algumas-palavras-sobre-qualquer-coisa.html' title='Algumas palavras sobre qualquer coisa'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-4681259957866175138</id><published>2008-03-31T18:39:00.006-03:00</published><updated>2008-04-04T05:11:18.967-03:00</updated><title type='text'>Bach, Erbarme dich, mein Gott (da Paixão segundo São Mateus)</title><content type='html'>Meu caro leitor, eis um outro belo vídeo, ou melhor, outra bela música. Ela faz parte da Paixão segundo São Mateus, de Bach. Essa parte se chama "Erbarme dich, mein Gott". Em minha humilíssima opinião, é uma das músicas por assim dizer mais sentidas da história do mundo. É verdadeiramente inacreditável como Bach transpôs tão felizmente para música o sentimento de súplica do fiel arrependido para Deus. São obras assim que parecem nos transportar para um mundo superior. Que o leitor ouça e julgue por si próprio ouvindo essa belíssima interpretação da Julia Hamari. Serão os melhores sete minutos e meio já gastos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/aPAiH9XhTHc&amp;amp;hl=en"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/aPAiH9XhTHc&amp;amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o texto em alemão, seguido por uma tradução em inglês:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erbarme dich,&lt;br /&gt;Mein Gott, um meiner Zähren willen!&lt;br /&gt;  Schaue hier,&lt;br /&gt;  Herz und Auge weint vor dir&lt;br /&gt;  Bitterlich&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Have mercy Lord,  &lt;/p&gt;My God, because of this my weeping!&lt;br /&gt;Look thou here,&lt;br /&gt;Heart and eyes now weep for thee&lt;br /&gt;Bitterly.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-4681259957866175138?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/4681259957866175138/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=4681259957866175138&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/4681259957866175138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/4681259957866175138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/03/bach-erbarme-dich-mein-gott-da-paixo.html' title='Bach, Erbarme dich, mein Gott (da Paixão segundo São Mateus)'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-3185026970918860482</id><published>2008-03-22T17:05:00.003-03:00</published><updated>2008-03-22T21:56:24.536-03:00</updated><title type='text'>Allegri, Miserere</title><content type='html'>Levando-se em consideração que estamos no fim da Semana Santa, e continuando a seqüência de músicas pelo Youtube, eu gostaria de indicar ao leitor uma das peças mais famosas da história da música: o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Miserere_%28Allegri%29"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Miserere&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; do compositor italiano Gregorio Allegri. É a &lt;a href="http://asinum.blogspot.com/2005/04/recomendao-musical-da-semana-o.html"&gt;segunda vez que o indico ao estimado leitor&lt;/a&gt;, mas dessa vez teremos a oportunidade de ouvi-lo com uma qualidade maior e graças a uma generosíssima alma que resolveu colocá-lo no Youtube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/x71jgMx0Mxc&amp;hl=en"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/x71jgMx0Mxc&amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/EgZ0K8vCdbo&amp;hl=en"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/EgZ0K8vCdbo&amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-3185026970918860482?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/3185026970918860482/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=3185026970918860482&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/3185026970918860482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/3185026970918860482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/03/allegri-miserere.html' title='Allegri, Miserere'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-4976708072856151601</id><published>2008-03-16T22:08:00.016-03:00</published><updated>2008-03-18T16:56:32.816-03:00</updated><title type='text'>Rossini, Tarantela napolitana</title><content type='html'>Caríssimo leitor, eu vos deixo com a versão de Rossini para a Tarantela Napolitana, cantada pelo legendário Enrico Caruso. É uma música que particularmente gosto bastante por causa do seu agradável sabor regional, seu ritmo irresistível, sua alegre energia e sua ingenuidade popular. Há tembém de dizer que não deixa de ser divertida uma certa pompa nessa orquestração, o que torna a atmosfera vigorosa da música ainda mais divertida. Como se tudo isso parecesse pouco, a voz de Enrico Caruso torna tudo ainda melhor. Portanto, ligue a tua caixa de som e aproveite os próximos três minutos. Esteja à vontade para dançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/eDnoLNulmf8&amp;hl=en"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/eDnoLNulmf8&amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A letra, inclusive com tradução para inglês, francês e alemão, pode ser encontrada &lt;a href="http://www.recmusic.org/lieder/get_text.html?TextId=12531"&gt;aqui&lt;/a&gt;. E para uma comparação, que o leitor ouça a voz de Mario Lanza cantando a mesmíssima música, porém numa versão ainda mais rápida e breve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/04dFQmBIUms&amp;amp;hl=en"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/04dFQmBIUms&amp;amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-4976708072856151601?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/4976708072856151601/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=4976708072856151601&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/4976708072856151601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/4976708072856151601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/03/teste.html' title='Rossini, Tarantela napolitana'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-8087227079914906553</id><published>2008-03-09T14:54:00.003-03:00</published><updated>2008-03-09T15:13:07.851-03:00</updated><title type='text'>Um último exemplo da superioridade nipônica em relação ao Brasil ou: Jiban é superior à Tropa de elite</title><content type='html'>Houve grande celeuma em torno do filme Tropa de elite. Sem entrar no mérito, nós, criaturas que pela primeira vez viram a luz entre os anos 1978-84, teríamos de ser os últimos a manifestar grande espanto ou incredulidade, ao menos aqueles que tiveram uma formação espiritual semelhante a minha. A explicação disso é demasiado simples: desde a infância, já conhecíamos alguém muitíssimo superior ao Capitão Nascimento, em todos os sentidos possíveis e imagináveis. Refiro-me ao policial de aço Jiban. Note bem o leitor que no todo e nos detalhes, o policial de aço Jiban antecipa e supera a qualquer coisa semelhante ao BOPE, inclusive na cláusula estabelecida pelo sábio legislador e citada pelo policial, segundo a qual é garantido ao agente da lei executar um criminoso se as circunstâncias assim o exigirem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/NbY1k3Q1sQ0"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/NbY1k3Q1sQ0" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a prova mais cabal e definitiva da real superioridade nipônica. Enquanto a nação se embasbaca com as ações praticadas pelo BOPE, nós, criaturas desmamadas em séries japonesas, tranqüilamente contemplamos a tudo isso. Por fim, eu gostaria de iniciar uma campanha para encaminhar toda a série Jiban para os nossos sapientíssimos legisladores, pois assim eles terão a oportunidade de refletir bastante sobre o problema da segurança pública.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-8087227079914906553?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/8087227079914906553/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=8087227079914906553&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8087227079914906553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8087227079914906553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/03/um-ltimo-exemplo-da-superioridade.html' title='Um último exemplo da superioridade nipônica em relação ao Brasil ou: Jiban é superior à Tropa de elite'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-6476212659222116120</id><published>2008-03-09T03:59:00.003-03:00</published><updated>2008-03-09T04:40:58.944-03:00</updated><title type='text'>Dois exemplos da superioridade nipônica em relação a nós</title><content type='html'>Na humílima opinião deste que vos escreve, o vídeo que o leitor terá a oportunidade de assistir é moral e artisticamente mil vezes superior a praticamente toda a produção de cinema e televisão de nossa pátria, embora o caráter demasiado positivista desse vídeo não me agrade e destrua um pouco o sentido poético da filmagem. Ouso até dizer que a trilha sonora, apenas pelo trecho que nos é permitido ouvir, facilmente supera muito da MPB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Egz9bhhK34w"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Egz9bhhK34w" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso não tenha ficado satisfeito, que o leitor veja um outro, cujo comentário superior, linha por linha, poderia ser repetido neste parágrafo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ruinNE6QsLY"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/ruinNE6QsLY" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria impossível para mim, ainda, deixar de lado um derradeiro vídeo, um verdadeiro Gradus ad Parnassum desse gênero tão japonês. Sua qualidade dramática já é caracteristicamente ressaltada na canção de abertura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ZstqeqeNOPc"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/ZstqeqeNOPc" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-6476212659222116120?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/6476212659222116120/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=6476212659222116120&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/6476212659222116120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/6476212659222116120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/03/dois-exemplos-da-superioridade-nipnica.html' title='Dois exemplos da superioridade nipônica em relação a nós'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-1093072982849087913</id><published>2008-03-01T01:57:00.003-03:00</published><updated>2008-03-01T02:40:38.417-03:00</updated><title type='text'>Brevíssimo agradecimento à preguiça</title><content type='html'>Enquanto Sócrates tinha em si o famoso dáimon que não lhe deixava fazer algo equívoco, eu possuo um que me tem sido bastante útil, embora nada perfeito e moral e teologicamente duvidoso. Todavia, apesar dos pesares, e como este mundo carece de perfeição, eu não poderia deixar mais um ano sem o elogio a essa figura que me tem acompanhado há tanto tempo. Portanto, caríssimo leitor, enquanto o virtuoso Sócrates tinha a companhia de seu dáimon, eu tenho a da preguiça, espécie de dáimon dos pobres de espírito. Seria sumamente injusto eu criticá-la sem discernimento, apesar dos graves ditos de muitos santos. Daí que eu invoco à maneira dos antigos a musa, para que eu possa listar alguns empreendimentos duvidosos que deixei de praticar por causa desse querido e pecaminoso não-ser: filiar-me ao PSB; participar de Centros Acadêmicos ou de chapas; ler uma pilha monumental de textos que hoje em dia apenas jazem em algumas gavetas, enquanto outros provavelmente estão dando algum trabalho a um eventual catador de papel; participar de laboratórios de estudos acerca de peripécias em Angola e Moçambique; ir a passeatas, embora tenha sido bastante agradável o final de uma em que participei etc. E muito mais eu listaria, se para tanto trabalho não fosse tão longa a preguiça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-1093072982849087913?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/1093072982849087913/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=1093072982849087913&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1093072982849087913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1093072982849087913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/03/brevssimo-agradecimento-preguia.html' title='Brevíssimo agradecimento à preguiça'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-1679232191088475414</id><published>2008-02-01T05:30:00.000-02:00</published><updated>2008-02-01T05:49:06.606-02:00</updated><title type='text'>Uma galinha mexicana seguiu o conselho mui sábio de Herr Smith</title><content type='html'>Vejam vocês como a vida imita a arte. Acabei de saber que no México estão botando ovos verdes. Infelizmente não foi ainda uma pessoa, &lt;a href="http://asinum.blogspot.com/2008/01/um-feliz-ano-novo-atrasado.html"&gt;como Herr Smith desejava&lt;/a&gt;, pois o método tradicional ainda vigora: uma galinha chamada Rabanita foi a autora da proeza. Celebremos tal feito belíssimo e torçamos para que logo alguém faça o mesmo que Rabanita e bote ovos inusitados. E bom dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Galinha "Rabanita" atrai atenção ao pôr ovos verdes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.tvcanal13.com.br/noticias/galinharabanita-atrai-atencao-ao-por-ovos-verdes-13156.asp&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Rabanita", uma galinha que em um primeiro momento parece ser uma ave normal, vem chamando atenção na província de Huecatitla, no México, ao colocar ovos em tom esverdeado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora, ninguém conseguiu dar uma explicação para o fenômeno, afirma Elvira Romero, dona de Rabanita, mostrando orgulhosa um cesto cheio de ovos verdes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esteban Rosas, o marido de Elvira, assegurou que "todo mundo da cidade veio ver, porque ninguém acreditava".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/R6LN_fF-ITI/AAAAAAAAABM/EplWFAvXR9U/s1600-h/ovo+esverdeado.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/R6LN_fF-ITI/AAAAAAAAABM/EplWFAvXR9U/s320/ovo+esverdeado.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5161914613482004786" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A dona da galinha exibe orgulhosa os ovos esverdeados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Elvira agora é conhecida como "a mulher da galinha dos ovos verdes" e até mesmo seu neto, de 11 anos, está fazendo sucesso na escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rabanita é a única das 13 galinhas de Elvira que coloca ovos verdes e ela diz estar tomando conta da ave "com todo carinho".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não vou deixá-la até que Deus a leve", disse.&lt;br /&gt;Terra&lt;br /&gt;30/01/2008 00:50h&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-1679232191088475414?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/1679232191088475414/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=1679232191088475414&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1679232191088475414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1679232191088475414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/02/uma-galinha-mexicana-seguiu-o-conselho.html' title='Uma galinha mexicana seguiu o conselho mui sábio de Herr Smith'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/R6LN_fF-ITI/AAAAAAAAABM/EplWFAvXR9U/s72-c/ovo+esverdeado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-6609940517599053088</id><published>2008-01-18T05:43:00.000-02:00</published><updated>2008-01-18T05:52:40.585-02:00</updated><title type='text'>E um feliz Natal</title><content type='html'>Não considero que desejar com atraso um Feliz Natal seja um despropósito. Gostaria de invocar um exemplo forçado: os Reis Magos só visitaram o Menino Jesus algum tempo depois de Seu nascimento. Ora, se eles se atrasaram um pouquinho, por que eu também não poderia? Portanto, desejo a todos um Feliz Natal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-6609940517599053088?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/6609940517599053088/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=6609940517599053088&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/6609940517599053088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/6609940517599053088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/01/e-um-feliz-natal.html' title='E um feliz Natal'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-1675675420096700961</id><published>2008-01-18T05:26:00.001-02:00</published><updated>2008-08-13T16:36:24.075-03:00</updated><title type='text'>Um feliz ano-novo atrasado</title><content type='html'>Gostaria de desejar muitas felicidades aos amigos que freqüentam, assim imagino, este mal escrito blog, pois, afinal de contas, novamente o enorme pedaço de pedra que habitamos e flutua no espaço graças a várias tensões físicas que equilibram os corpos no universo vai, de novo, dar outra volta ao redor de um astro que por sua vez também dá uma volta ao nosso redor, caso você, ó leitor, se coloque como referencial do movimento. Todos sabemos que este fenômeno é um acontecimento sideral interessantíssimo, afinal de contas são vários globos interagindo no universo, criando aquilo que certos homens com imagem poética mais dilatada costumam chamar de harmonia das esferas, algo que, em termos práticos, não servirá nem para você ter um emprego melhor, nem para cozinhar mais decentemente, nem para acordar sempre no horário, nem para contar uma agradável piada – desconsiderando, é claro, a querela a respeito do valor da astrologia. Não podemos esquecer também que é muito mais bonito desejarmos felicidades duas ou três vezes por ano, e isso por causa de uns poucos motivos: o que se faz só de vez em quando mas com certa pompa nos parece mais aprazível e menos vulgar; porque o Natal e o Ano-Bom sempre são motivos de júbilo, e também o aniversário, mas este é opcional porque esquecível – o dos outros, claro está; e, finalmente, porque consideramos louco perigoso quem deseja toda hora felicidades ou quer nos abraçar demais. Seria muito ridículo desejarmos felicidades todos os dias, exceto no caso de Deus, pois a criação é leve para ele, ou seja, boa e feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixemos porém este prefácio um tanto formal a fim de conhecermos algo sobre um notável senhor, que chamarei de Herr Smith. Era um homem dado a originalidades, ou seja, bastante excêntrico. Vejamos o que ele disse quando ouviu os tradicionais votos de felicidade, numa roda de amigos, durante uma virada de ano:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Escuto, amigos, vários votos de felicidade e de saúde. Pois eu desejaria a todos vocês que pusessem ovos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente o mundo ficou chocado, e isto era exatamente a intenção de Herr Smith. Se o mundo fosse chocado, surgiria algo de novo e original. Tal é o poder do ser humano, que se transforma em chocadeira deste enorme globo. Era essa a sua opinião. Mas seria melhor acompanharmos o seu raciocínio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Sabemos que não há nada de novo debaixo do sol. Ora, como haveria num front? O título da obra daquele senhor alemão é desnecessário. Abram as páginas do livro do Eclesiastes e vocês lerão basicamente tudo o que precisam. Novamente nosso mundo dará outra volta, como sempre, ao redor do sol. Portanto, amigos, eu desejaria um ano cheio de surpresas a todos vocês, contrariando aparentemente o ensinamento bíblico. Não me ocorreu melhor pensamento que desejar a todos vocês que pusessem ovos. Evidente que não qualquer ovo, mas os mais elegantes. Homens e mulheres, coloquem muitos ovos, de preferência coloridos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São esses os pensamentos de Herr Smith. As opiniões a respeito do que ele disse eram em geral favoráveis, seja pelo inusitado da proposta, seja pelo estado ébrio dos convivas. E já que mal saímos da grande festança de Reveillon, desejo igualmente aos caros leitores que coloquem muitos ovos ao longo deste ano que promete tanto dessa vez –- e de preferência ovos coloridos. Ignoremos tristezas e angústias, porque o que importa, com exceção de Deus e de sua legião de fiéis, é que botemos ovos mui elegantes. E aqui me despeço, deixando para todos vocês um último pensamento do caro Herr Smith: “Se os homens pusessem ovos, jamais haveria o flagelo da fome, e se houvesse ovos de ouro, jamais haveria pobreza.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se por um acaso o leitor imaginou que nada mais haveria de ser dito, devo advertir que você esqueceu que uma das características das artes de nosso tempo -- incluindo a literatura -- é que jamais sabemos quando algo termina direito, e às vezes sequer entendemos quando e de onde começou, além de muitas vezes nos indagarmos do sentido daquilo que vemos, lemos ou ouvimos. Isso tudo foi para dizer que a parte que segue é uma espécie de epílogo, embora maior que a parte anterior. Vejamos então o resto sem mais desfazer as horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma senhora, que por razões de sigilo não divulgarei o nome, tendo ouvido de longe o que disse Herr Smith, foi para a sua casa absorta em reflexões. Seu marido estranhou, pois não era muito comum ver aquela senhora tão entrincheirada em divagações. Seu olhar perdia-se na curvatura do mundo, assemelhando-se mais a um boi parado ouvindo alguém berrando para que ele saia do lugar. Mas o marido, ruim observador de pessoas –- e, por conseguinte, com muito potencial para marido traído –-, achou que sua mulher estava apenas em processo de assimilação do novo ano. “O calendário pode ser algo misterioso para certos indivíduos”, foi o que achou. Em seguida coçou de uma maneira gostosinha o queixo e pensou: "Algumas coisas só as mulheres percebem." E assim rumaram para casa, quedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o marido virou para o lado e dormiu na cama, a mulher se levantou e foi até o banheiro. Olhou-se no espelho e viu as marcas da vida. Ao que tudo indicava, a vida foi para ela uma espécie de engenheira de obras incompetente, que busca fazer reformas sem ter um bom plano, apenas conseguindo no final um resultado tosco e disfarçado superficialmente. Isso a teria deixado deprimida se as palavras que ouvira por acaso de Herr Smith não tivessem ecoado dentro de seu frágil cocoruto cabisbaixo. Ela contemplou uma oportunidade de realizar finalmente algo de especial. Animada, pois parecia ser uma linda idéia, trancou-se no banheiro e fico de cócoras, fazendo um certo esforço. Todavia, aquela situação insólita lhe fez pensar numa questão prática –- ao menos para o que ela entendia como prática naquele instante: ela não ouvira qual o modo mais apropriado de se botar ovos. Ora, sabemos que os seres humanos são dados a imitações, e o próprio Aristóteles já fez elucubrações das mais elevadas sobre o tema. Na falta de um modelo humano, a senhora se viu obrigada a imitar o modelo que parecia mais simples e conveniente: a mamãe-galinha. Mas de chofre ela foi constrangida pela verdade, porque não sabia exatamente como uma galinha botava ovos. Seu saber era por demais genérico. Dessa forma, bem entre seu desejo e a consumação desse desejo havia um muro prosaico que, por não se mostrar transponível, acabou se revelando o motor de sua frustração. Uma pequena inviabilidade técnico-prática estava vaporizando o seu sonho. Mas a senhora não deixaria mais uma vez que dificuldades dessem conselho ao desânimo, como tantas vezes houve em sua vida. Foi então que ela tomou uma decisão grave: depois de quase vinte mil anos... perdão, depois de quase vinte anos longe dos livros, ela voltaria a freqüentá-los a fim de se preparar para entrar em algum curso de apicultura! E foi o que ela contou ao marido no dia seguinte. Ele, sendo aquilo que se costuma chamar popularmente de “mosca-morta”, concordou, embora estranhasse. Que diabos ela faria num curso de apicultura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher passou sete anos estudando para entrar no curso – é evidente. Você não pensaria, insigne leitor, que rapidamente ela voltaria a se acostumar com os estudos, se é que um dia já esteve acostumada, não é mesmo? O conto se tornaria bizarramente inverossímil caso isso acontecesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ela enfim entrou no curso de apicultura após tanto tempo, houve muitos festejos. Foi grande a surpresa do mundo. Herr Smith foi convidado para uma comemoração, fato este que o surpreendeu, já que nunca vira aquela senhora mais gorda senão naquela dia. Mas ela fez questão de cumprimentar-lhe entusiasticamente, dizendo-lhe que ele foi um dos motivos de ela entrar naquele curso. Ele nada entendeu e pediu explicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Herr Smith, não se lembra da vez em que, numa virada de ano, disseste que deveríamos todos botar ovos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Perdão, madame, mas digo muitas coisas, ainda mais em estado ébrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Imaginei que fosses casado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Hein? Não, não. Eu quis dizer que... Enfim, o que tem essa história de botar ovos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora percebeu que estava se abrindo demais a alguém que não conhecia direito. Além do mais, não é muito conveniente falar acerca de questões muito graves em eventos sociais. Ela adotou um tom mais genérico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Gostaria apenas de dizer que o senhor inspirou meu ingresso no curso de apicultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- A senhora há de compreender minha ignorância, porém não consigo compreender qual a ligação entre aquela conversa sobre botar e o curso de apicultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um pouco de dificuldade, a senhora controlou seu desejo de divulgar ao mundo a idéia tão filantrópica de botar ovos. Limitou-se novamente ao mais genérico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Porque o estudioso de apicultura domina a arte da criação de aves e de multiplicá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Apicultura? Entendo... Contudo, diga-me uma coisa, amável senhora: a definição que me deste sobre o trabalho do apicultor aprendeste onde por um acaso? Estou bastante espantado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Lembro-me disso desde meus tempos de jovem ingênua. Havia um apicultor amigo de meu pai. Nunca vi o trabalho dele. Mas assim que soube que era apicultor, perguntei o que significava. Ele me disse que cuidava das mais doces, pequenas e tenras criaturas aladas, e que me mostraria seu pinto calçudo em privado assim que eu quisesse vê-lo. Jamais tornei a vê-lo, porque ele e meu pai brigaram. Nunca entendi o motivo. Qual deve ter sido a espécie de passarinhos que ele cuidava, Herr Smith?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não sei, querida senhora, provavelmente alguma que ele tinha dificuldade de manter sob controle. Mas aquele homem parecia ser dado à poesia. Preciso confessar que tua conclusão acerca de ele ter sido criador de pássaros me deixou admirado. Me responda ainda outra coisa, por gentileza: quando procuraste o curso, acaso viste alguma imagem de animais? Umas abelhas, por acaso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Oh, eu vi! Que curioso o senhor ter comentado isso. Vi muitas abelhas. Creio que sejam mascotes da instituição. Havia tantas imagens delas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Amável senhora, percebo, ou melhor, é evidente que serás uma tremenda apicultura. Também estou espantado com a qualidade desse curso que a senhora ingressou. É tudo interessante demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo em seguida, Herr Smith se despediu, dizendo que urgentemente precisava voltar para casa, pois teria que saber quanto custava o boi gordo. Na realidade, assim que ouviu aquela definição tão heterodoxa da arte da apicultura, ele lembrou das razões que o haviam levado a não mais ir a eventos sociais. Despediu-se e foi embora rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que aconteceu com a senhora? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas no meio do curso estranhou o fato de jamais mencionarem aves. Fez um esforço mental supremo a fim de lembrar alguma coisa das suas lições de biologia na época do então presidente Washington -– não o George, mas o Luís, bem brasileiro. Como nada conseguia – exceto um escorrer de mucosas pelas vias aéreas – concluiu então que as abelhas faziam parte da classe das aves. Quando ela exprimiu essa opinião durante uma aula, foi motivo de incredulidade da multidão, com a exceção de um rapaz que há algum tempo achava necessário repensar a divisão biológica dos seres vivos, incluindo um componente aí que não fosse necessariamente físico-químico. O que o levou a ingressar num curso de apicultura, é difícil saber. Mas, sentindo-se inspirado pelo que entendeu como audácia científica da parte daquela senhora, encheu-se de coragem e seguiu adiante em suas especulações, o que no futuro se mostrou recompensador, pois, graças a elas, recebeu os mais variados e belos prêmios no campo da pesquisa científica. Atualmente sua hipótese da divisão dos seres vivos segundo uma gradação que considera a potência espiritual como elemento mais importante vai se tornando cada vez mais aceita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, finalmente, o que aconteceu com aquela senhora? Ela continuou por muito tempo a aplicar, ou melhor, tentando aplicar seus conhecimentos apicuários para que lograsse botar ovos. Para sua lástima, tudo parecia infrutífero, afinal as abelhas e aves não parecem formar um todo harmônico. Todavia, em certa ocasião, ela acordou com um ovo laranja com detalhes em amarelo ao seu lado. Mal tendo percebido isso, uma gotinha de lágrima se formou em seu delicado olho esquerdo e só desceu por ali, porque no primeiro a remela havia construído uma impávida fortificação. E a senhora permaneceria a contemplar aquele ovo laranja com detalhes em amarelo por muito tempo, se não fosse a insensatez de seu marido, que, num momento de puro hábito, pousou a sua busanfa, já alargada pela idade e pela má vontade da natureza, bem naquele ovo, onde talvez houvesse uma vida em potencial. Sua mulher gritou cheia de horror farsesco, mas ele, insensível, apenas supôs que já havia chegado a hora temida de usar fraldas geriátricas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-1675675420096700961?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/1675675420096700961/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=1675675420096700961&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1675675420096700961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/1675675420096700961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/01/um-feliz-ano-novo-atrasado.html' title='Um feliz ano-novo atrasado'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-5287752727353596502</id><published>2008-01-12T23:52:00.000-02:00</published><updated>2008-01-13T01:44:42.010-02:00</updated><title type='text'>O funesto conto do homem que ousou vilipendiar o bebê</title><content type='html'>Resolveram colocar a criança para falar no telefone com Josué. Um raio de pensamento logrou atingir-lhe: “Pelos céus, não quero falar com esse projeto de bigorrilho, que coisa mais chata.” Mas a mamãe não se deu conta disso e colocou o bebê para falar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fala, filhinho, fala com o tio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebê:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Josué, tentando parecer simpático:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi, bebê, fala com o titio, fala. – mas pensando: “Ai, saco...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebê:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mamãe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, ele quer falar alguma coisa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Josué, tentando parecer simpático:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou eu, o titio, bebê! – mas pensando: “Que ordinária! Não tá vendo que essa coisa não vai falar porcaria nenhuma?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebê:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mamãe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fala, bebê, fala!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Josué, esquecendo os rudimentos da vida urbana:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espero que você não puxe a retardada da sua mãe, moleque idiota. Seus pais devem ser primos de primeiro grau. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebê:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gloooshfp!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mamãe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, ele está quase falando meu nome! Ouviu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Josué, meio assustado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como é que é? – mas pensando: “Será que esse moleque me xingou? Me respondeu? E agora? Olha a merda que fiz... Daqui a pouco esse moleque cresce, vira bandido e me dá uns tiros, tudo por causa disso...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mamãe, agora no telefone:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ouviu ele falando? Agora ele está todo agitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, ouvi. – mas pensando: “Se for verdade que as primeiras impressões são as mais fundamentais, inculquei ódio a mim mesmo nesse moleque. Meu Deus, o que foi que fiz?.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou ter que desligar, ele não me deixa falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem, depois a gente conversa. – mas pensando: “Ele deve estar pleno de ódio no coração.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tchau, beijos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espere! Ele está precisando de alguma coisinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, não precisa, está tudo bem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, que isso, vou levar um brinquedo bem chique dez pra ele. – mas pensando: “Espero que dê para subornar esse moleque, não tô a fim de ser assassinado.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, jura? Traz um patinho? Ele adora patinhos! – mas pensando: “Chique dez? O que ele quis dizer?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, eu levo. Deixa o titio falar com esse bebê fofo só uma coisinha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não dá, ele acabou de fazer cocô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cocô? – mas pensando: “O que isso quer dizer? É algum símbolo, não me resta a menor dúvida. Preciso raciocinar como se eu fosse uma criança de seis meses, é questão de vida ou morte.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, tenho que ir, beijos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, tudo bem... Beijos... – mas pensando: “Aniquilei meu próprio futuro, chucrute!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Josué passou o resto de seus dias apreensivo, olhando sempre de soslaio o filho de sua amiga, suando demais e sentindo seus músculos se contraírem descontrolados, efeito este que o obrigava a fazer movimentos inusitados. Houve o boato de que Josué estava praticando algum tipo de ioga, e muitas pessoas, quando o viam se contorcendo daquela maneira tão original, balançavam a cabeça com aprovação angélica, supondo que ele estava se tornando espiritualmente mais elevado. O fato de ele se tornar mais melancólico confirmava as suspeitas. A senhora De Souza (&lt;em&gt;née&lt;/em&gt; Childerica), praticante de um rito cristiano-oriental-cosmológico-panteísta, costumava dizer que aquela melancolia era o resultado de uma profunda desilusão energética, o que era bom, porque resultado da confluência dos poderes magnéticos do seu avatar intergalático com a evolução sumamente pessoal de seu espírito, o que poderia ser resumido com o termo “Hiai”, supostamente de origem assíria. De qualquer forma, certas atitudes suas permaneciam inexplicáveis, como da vez em que Josué, enquanto segurava o bebê, ao mesmo tempo em que o pequeno babava-lhe desmesuradamente, bradou com horror: “Comigo é nove da garrucha trouxada!”, para espanto de todas as criaturas visíveis e invisíveis que se encontravam no recinto. Em outra ocasião, a criança, com idade um pouco mais avançada, jogou-lhe feijão na camisa, o que fez Josué dar um pulo meio canastrão e gritar: “A realidade é uma quimera!” Todos esses eventos tornavam a figura de Josué enigmática, o que lhe dava, ainda mais, uma aura de divino mistério e – para não poucas senhoras e senhoritas – de inacreditável sedução. Quanto ao garoto, perturbava-lhe muito os agrados que o “titio” tão insistentemente lhe oferecia, sem contar aqueles esgares sinistros. Nunca houve explicações. Tudo permaneceu no tenebroso reino do subtendido. Portanto, eis aqui a moral da história: pientíssimo leitor, se tiveres de xingar um neném de seis meses, xingue, porém arcarás com todas as funestas conseqüências enquanto ainda fores habitante deste mundo sublunar e quiçá para depois desta vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-5287752727353596502?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/5287752727353596502/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=5287752727353596502&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/5287752727353596502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/5287752727353596502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2008/01/o-funesto-conto-do-homem-que-ousou.html' title='O funesto conto do homem que ousou vilipendiar o bebê'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-8253646504798292770</id><published>2007-12-21T03:24:00.000-02:00</published><updated>2007-12-21T03:58:39.741-02:00</updated><title type='text'>Tocata e fuga em ré menor, por Karl Richter</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Zd_oIFy1mxM&amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Zd_oIFy1mxM&amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tinha noção de como é possível encontrar músicas legais no Youtube. Para dizer a verdade, nem sei se postei direito. Mas se tudo der certo, passarei a colocar algumas músicas de vez em quando. Espero que o leitor, agora ouvinte, consiga ouvir a interpretação de Karl Richter da famosa Tocata e Fuga em ré menor, BWV 565, de Bach.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-8253646504798292770?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/8253646504798292770/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=8253646504798292770&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8253646504798292770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8253646504798292770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2007/12/tocata-e-fuga-em-r-menor-por-karl.html' title='Tocata e fuga em ré menor, por Karl Richter'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-4957405474612896233</id><published>2007-12-21T02:43:00.000-02:00</published><updated>2007-12-23T20:16:33.226-02:00</updated><title type='text'>O Gandhi brasileiro</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu não poderia deixar de expressar a minha felicidade quando soube que enfim terminou a greve de fome do lamentavelmente conhecido Dom Luiz Cappio, já que seria uma lástima morrer de forma tão imbecil.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sei bem que vivemos em tempos loucos. Prova disso foi a própria ação deste senhor, utilizando o martírio como forma de suicídio a fim de embargar uma obra puramente técnica do governo. Se ela é boa ou não, que os interessados investiguem. Contudo, é o fim da picada utilizar Cristo crucificado como justificativa a fim de manifestar descontentamento para com uma obra governamental e, pior ainda, como instrumento para impor a sua vontade. Eu até compreenderia, embora discordasse, se Dom Luiz Cappio se mortificasse em protesto contra os constantes assédios do governo para a liberalização do aborto, do casamento gay, da manipulação de embriões para pesquisas de células-tronco etc. Conforme uma vez disse Cícero a respeito de Marco Antônio, nada mais cômodo do que falarmos acerca de seus podres, já que a matéria para tanto é fecundíssima. Mas parece que na hierarquia de valores do tristemente célebre Dom Luiz Cappio, a engenharia, para não falarmos de sua vontade, é superior a tudo, inclusive ao próprio magistério da Igreja que ele teoricamente representa ou deveria representar. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Note bem o leitor como tudo isso é tragicômico. Sabemos bem que algumas crianças, quando se vêem constrangidas a fazer alguma coisa, simplesmente se atiram no chão e de lá não saem senão pela violência. Embora às vezes seja um espetáculo desagradável de ver, no final das contas é uma daquelas situações ridículas que nos fazem rir. Agora bem: que dizer de um adulto que, &lt;i style=""&gt;mutatis mutandis&lt;/i&gt;, não só faz a mesma coisa como inclusive põe a sua própria vida em risco? Porque foi exatamente a atitude de Dom Luiz Cappio. Já que sua vontade não seria acatada, preferiu lançar mão do recurso da chantagem. Ora, sabemos que um adulto tem noção do que é certo ou errado, ou ao menos deveria ter, o que implica num senso de hierarquia. Toda essa situação foi de um ridículo atroz, mas quase uma piada mortal. Eu diria que a greve de fome daquele cavalheiro foi tão-somente uma encenação barata destinada a comover os mais sensíveis e desatentos, ou quem sabe para o deleite dos mais cínicos, ainda que sua vida corresse perigo, e aliás mesmo se ele viesse a falecer. Foi uma situação que lembra a daquela outra figura tristemente célebre, deputada Cida Diogo, que veio às lágrimas se dizendo mortalmente ofendida por causa de certas declarações do deputado Clodovil. Por mais que essas duas pessoas enganem a si próprias, é tudo farsa, ação de mocinhos satisfeitos, conforme já dizia o mestre José Ortega y Gasset. Daí que, tentando ser Gandhi, não passou de uma paródia bisonha, parecido com aquele personagem de Chico Anísio, o Vampiro Brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-4957405474612896233?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/4957405474612896233/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=4957405474612896233&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/4957405474612896233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/4957405474612896233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2007/12/o-gandhi-brasileiro.html' title='O Gandhi brasileiro'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-7470181154771653770</id><published>2007-11-02T12:19:00.000-02:00</published><updated>2007-11-02T12:25:15.421-02:00</updated><title type='text'>Do site Permanência</title><content type='html'>O dia de hoje ficará marcado na História como um dos mais tristes para a Civilização dos homens. Em mais uma atitude anti-católica, os parlamentares espanhóis votaram uma espécie de "excomunhão" do General Franco. Condenaram a glória do exército espanhol que, vencendo com bravura os assassinos comunistas, encerraram um ciclo negro da história deste povo católico, que viu seus padres e freiras sendo violentados e assassinados, centenas de igrejas serem queimadas, o sacrilégio e o terror, dignos dos tempos das guilhotinas revolucionárias, espalhados pelo glorioso solo espanhol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez a mentira dos intelectuais, dos jornalistas, dos políticos "moderados", da mídia ignóbil, que lambem as botas tintas de sangue dos terroristas e assassinos, derruba um marco de heroísmo e de bravura das nossas vitórias contra a Besta do comunismo. Mais uma vez a vingança dos derrotados atinge em cheio aqueles que, mortos e sem direito à defesa, vêem do céu sua honra, sua honestidade, seu patriotismo, elameados pela mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossos leitores menos atentos poderiam dizer que, pelo menos, na véspera, a Igreja beatificou os 498 padres, religiosos e freiras, vítimas destes mesmos comunistas assassinos. Mas o meu coração não consegue encontrar aí nenhum repouso, pois eu ficara justamente estarrecido, amargurado e triste, profundamente triste, diante da covardia e da cumplicidade de todos os Eminentíssimos senhores cardeais e bispos que subiram em cátedra para as homilias em comemoração desta beatificação. Não encontrei, em nenhum dos três sermões que li, uma só explicação, uma só menção dos algozes daquele quase meio milhar de mártires. Em vez de explicarem para o povo fiel (que tinha o direito de saber a verdade) que aqueles católicos tinham sido mortos por COMUNISTAS ASSASSINOS, pelo simples fato de serem padres, de serem freiras, de serem católicos, os senhores bispos correram para avisar: - Olhem, não é por motivos políticos que eles são beatificados. Em outras palavras: não estamos aqui condenando o comunismo! Não. E se dessem, nos jornais, a estes senhores a palavra, eles certamente repetiriam as mesmas barbaridades históricas que os vingativos derrotados, nas Assembléias espanholas, proferiram hoje, mentindo e enganando o seu próprio povo, condenando o homem que salvou a Espanha e que deixou no coração dos espanhóis apenas lembranças de prosperidade e de paz. Agora vão destruir tudo. Vão destruir os monumentos, violar os túmulos, cuspir na honra de tantos heróis; vão arrancar do coração guerreiro a memória de tanto heroísmo. E daqui há poucas semanas, até técnico de futebol dirá que tudo de ruim na Espanha é culpa de Franco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso vem se somar à mesma vingança dos Comunistas derrotados que encontramos em toda parte, inclusive na nossa história recente, quando uma massa impressionante de dinheiro, de jornais, de artigos, de filmes, de livros, vem tentar varrer da mídia a verdade, como vemos hoje fazer o governo, e o jornal O Globo, com sua televisão e tudo o mais, quando o livro do Cel. Brilhante Ustra conseguiu rachar a carapaça de mentira e de marginalização que sofrem os que insistem em dizer a verdade histórica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A condenação ao Comunismo não foi renovada no Concílio Vaticano II por causa de um pacto macabro entre a Secretaria de Estado do Vaticano e o Kremlin, pois era a condição imposta por Moscou para que os "observadores" cismáticos ortodoxos pudessem participar do Concílio. Desde então, nunca mais se ouviu falar na encíclica &lt;a href="http://www.permanencia.org.br/revista/politica/comunismo/Divini%20Redemptoris.pdf" target="_blank"&gt;Divini Redemptoris, de Pio XI,&lt;/a&gt; que mostra a malícia intrínseca, visceral, desta seita diabólica que vomitou o inferno nos infelizes povos que viveram sob seu domínio. E é deste fedor que respiramos hoje, neste mundo alegremente esquecido de toda a barbárie centenas de vezes comprovada pelos governos comunistas. Hoje, nós caminhamos de mãos dadas com esta América Latina entregue, sem forças, sem um mínimo de vontade de reagir, de levantar-se, de por para fora este mal terrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez isso tudo faça parte das dores... "quando tudo isso acontecer, levantai vossas cabeças, e sabei que está próxima a vossa redenção" (Ev. de S. Lucas, 21). Afinal de contas, se já não existe mais a Civilização Cristã, se já não é em torno dos critérios de virtude, de honestidade, de honradez, que se forma o homem do século XXI, então, talvez seja mais lógico que as atitudes dos governantes e dos intelectuais levem os homens a destruirem a memória de tantos santos e de tantos heróis. Portanto, você, caro leitor católico, não se espante, não se turbe, não tenha medo de dizer, ao menos no seu coração: eles mentem! Mas Cristo é nossa Vitória, e quando ela vier, brilhará do Oriente até o Ocidente, como o raio que atravessa o céu, e todos os homens verão a sua glória, enquanto seus inimigos serão confundidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="left"&gt;Que fazer ?&lt;br /&gt;Lutar. Combater. Clamar. Guerrear.&lt;br /&gt;Roguemos pois a Deus, com todas as forças; desfaçamo-nos em lágrimas de rogo e gritemos a súplica que nos estala o coração: enviai-nos Senhor, ainda neste século,&lt;br /&gt;um reforço de grandes santos, de grandes soldados que queiram dar a vida, no sangue ou na mortificação de cada dia, pela honra e glória de Nosso Senhor Jesus&lt;br /&gt;Cristo.&lt;br /&gt;Compadecei-vos, Senhor de nossa extrema miséria, e sacudi os homens&lt;br /&gt;para que eles saibam quem é o Senhor !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gustavo Corção&lt;br /&gt;“O Século do Nada”&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recomendamos veementemente &lt;a href="http://gustavocorcao.permanencia.org.br/Artigos/espanha.htm" target="_blank"&gt;a leitura de Gustavo Corção&lt;/a&gt;, em seu O Século do Nada, no seu magistral capítulo sobre a guerra da Espanha. Essencial para se conhecer a verdade. Leia também &lt;a href="http://gustavocorcao.permanencia.org.br/Artigos/toledo.htm" target="_blank"&gt;O Alcazar de Toledo&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://gustavocorcao.permanencia.org.br/Artigos/guernica.htm" target="_blank"&gt;O Mito de Guernica&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Em &lt;a href="http://www.permanencia.org.br/"&gt;http://www.permanencia.org.br/&lt;/a&gt;; de 31/10/07)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-7470181154771653770?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/7470181154771653770/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=7470181154771653770&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/7470181154771653770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/7470181154771653770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2007/11/do-site-permanncia.html' title='Do site Permanência'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-799040674459782543</id><published>2007-05-27T06:50:00.001-03:00</published><updated>2007-05-27T07:09:41.105-03:00</updated><title type='text'>Desculpa para meus erros bobos</title><content type='html'>Vira e mexe deixo passar uns erros idiotas. Outro dia eu estava relendo o que escrevi há posts atrás sobre ciência e descobri um "consiguisse" e um "univeral". Praguejei e consertei. Isso que dá escrever meio que às corridas e sem revisar nada direito. É que quando tenho alguma idéia corro e escrevo logo aqui. Às vezes preparo o que escrevo antes de publicar, mas isso não é muito comum, até porque já notei que, quanto mais preparo o texto, menor é a probabilidade de eu sequer terminá-lo. E quanto aos textos publicados, normalmente só mudo uma coisinha ou outra depois, principalmente naqueles textos que eu já aviso que são rascunho. Eu deveria escrever: "rascunho do rascunho". Por sinal, naquele último sobre o Brasil, reescrevi muita coisa e se bobear vou mexer no texto de novo. Outra desculpa é que, por um motivo que nem eu entendo, mas que imagino que seja um gracejo de alguma musa, costumo publicar os textos quando estou para dormir. Esse post mesmo é um bom exemplo. Eu estava caindo de sono (e ainda estou) quando de repente me veio a idéia de escrever essas coisas. Como não consigo dormir enquanto não escrevo de uma vez o que me vem à cachola, tive de acomodar meu traseiro na cadeira e colocar aqui no blog todas essas coisas entre mil bocejos. Aliás, peço logo desculpas ao leitor pela minha falta de educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo escrito, dormirei. E tenha um bom dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-799040674459782543?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/799040674459782543/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=799040674459782543&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/799040674459782543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/799040674459782543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2007/05/desculpa-para-meus-erros-bobos.html' title='Desculpa para meus erros bobos'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-3847591477137236957</id><published>2007-05-18T03:38:00.001-03:00</published><updated>2008-08-13T16:40:47.948-03:00</updated><title type='text'>Um pouco sobre o Brasil</title><content type='html'>Ortega y Gasset dizia que uma das principais características dos "mocinhos satisfeitos" (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;señoritos satisfechos&lt;/span&gt;) era sua falta de autenticidade. Os "mocinhos satisfeitos" têm a noção de que algumas coisas têm de ser o que são, mas eles fazem questão de berrar justamente o contrário. É tudo fingimento. Vejamos o que o filósofo espanhol diz sobre isso em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Rebelião das Massas&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;Seria bom que estivéssemos forçados a aceitar como autêntico ser de uma pessoa o que ela pretendia mostrar-nos como tal. Se alguém se obstina a afirmar que dois mais dois é igual a cinco, e não há motivo para supô-lo demente, devemos afirmar que não o crê, por muito que grite e ainda se deixe matar para sustentá-lo.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Só um adendo: esse ensinamento é valiosíssimo. Na esdrúxula polêmica entre Clodovil e uma deputada, podemos ver de que forma ela, que de autêntica só tem o fato de ser uma "senhorita satisfeita", fez todas as pirraças do mundo para debalde nos convencer que Clodovil a atacou terrivelmente. Claro que foi fingimento, além de petulância assombrosa. Foi exatamente esse tipo de fanfarronada que notabilizou os fascistas.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz pouco tempo que nosso país entrou na bagunça dos tempos modernos, talvez em meados dos anos 50. E entrou desamparado, feito um filhote de gato perdido entre milhares de transeuntes velozes e desatentos. Esse é um dos nossos principais e mais graves problemas. Porque agora, como aliás ocorre em outros lugares, há a proliferação incrível de homens-massa em todas as partes da sociedade, mas, ao contrário do resto do mundo, aqui não há nenhum porto seguro onde possamos baixar velas e descansar. Se quisermos nos salvar - é isso que está em jogo -, teremos de levar a sério o velho ensinamento da Bíblia e suar muito para encarar esse problema. Estamos todos perdidos e é preciso que encontremos nosso rumo, pois não há brasileiro que possa responder satisfatoriamente o que é, afinal de contas, ser brasileiro. Essa alienação impressionante faz com que nossa nação exista apenas em forma de esboço. Nada mais propício para que todas as mazelas do mundo aqui encontrem acolhida segura e entusiasmada. Isso é urgente, porque do contrário não só nosso futuro estará comprometido como o pouco que ainda resta do passado será jogado no lixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda é preciso enfatizar um ponto. Parece que a distância oceânica entre nosso país e a Europa acabou repercutindo no nosso afastamento de seu legado, o que redundou numa distância quase de civilizações. Aqui peço licença ao leitor porque é urgente um parêntese. Correndo o risco de ser arbitrário, preciso agora dizer apenas que me refiro em especial à Europa e não aos EUA porque acho que ainda devemos muita coisa àquele continente de onde saiu certa vez o almirante Cabral. Embora uma nação admirável, os EUA hoje são uma espécie de sonho da Alemanha antes da Grande Guerra. Além do mais, talvez seja preciso mais tempo para vermos se o poder de mando dos nossos belos irmãos do norte é comparável ou até superior ao da Inglaterra, que foi uma espécie de diretora de escola do mundo inteiro por tempo considerável. Mas eles têm feito, já há algum tempo, o meritório esforço de trazer para si o legado passado. A Alemanha, por exemplo, já o fez: o alemão foi se tornando uma língua culta à medida em que Homero, Platão e Aristóteles foram sendo entendidos segundo o ponto de vista alemão. Via-se claramente que era ali que se encontrava os ecos da velha Atenas. Em parte isso fez com que eles começassem a olhar seus vizinhos de uma forma mesquinha, mas isso é outra história. O que quero dizer é o seguinte: será que ao ler em inglês temos a mesma sensação de irmos ao Liceu ou à Academia como nossos vovozinhos tinham quando liam em alemão? Mas talvez não haja motivos para muita incredulidade, porque os EUA, sendo a encarnação da técnica e da liberdade política, essas duas forças sem as quais nossos países definhariam de forma catastrófica, precisam se manter, quase por necessidade absoluta, à altura do que são. Daí que essa questão de legado, que para nós às vezes pode parecer mais um jogo de espírito, para eles terá de ser uma questão imperiosa de vida ou morte. Deixemos que o tempo mostre como eles vão lidar com esse problema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechado o parêntese, voltemos. Eu dizia que a diferença entre nós e a Europa é quase de civilizações. Isso quer dizer que estamos cada vez mais afastados de nossas próprias raízes. Agora note bem o leitor: estou me referindo ao seu legado. Porque não importa simplemente o que distinto filósofo europeu hoje pense ou escreva sobre o que for. É preciso que ele seja claramente um membro atual desse passado europeu, sem decadentismos. Quando a nossa nação começou a crescer, a Europa já estava perdendo a si mesma. Numa palavra, começou a entrar em decadência. E nos dirigimos justamente para aquele país que mais experimentava anemia: a França. Crescemos sob as asas de uma senhora que não aguentava mais a si mesma. Do outro lado do Reno havia uma nação pujante e curiosa, que moldava o mundo moderno com espírito bastante curioso. Seus cientistas ganhavam prêmios Nobel, suas universidades eram consideradas as melhores do mundo e sua literatura começava a ser reputada como fundamental - sem contar a sua música, que bem antes já era motivo de respeito e veneração. Esta nação era a Alemanha. Descontemos as imperfeições graves que não a permitiram estar à altura dos tempos. O início do século XX foi uma das épocas mais paradoxais para aquele país, porque suas glórias no saber foram contrabalanceadas pelas catástrofes no terreno político. É uma versão curiosa daquele dito: sorte no amor, azar no jogo. O fato é que foi lá que homens de espírito sacudiram todas as áreas do conhecimento humano. Pois bem, nosso país, sempre atrasado e pouquíssimo curioso, perdeu a oportunidade de se ligar com aquele movimento importante. Nação prosaica que é, para o Brasil só duas coisas chamaram basicamente a atenção: a guerra e a política. Infelizmente não houve quem percebesse esse problema e chamasse a atenção. A única coisa que interessava era o modismo. O que chegava aqui já estava marcado pelo tempo. Mas na Europa em geral também o problema era esse. O termo mais comum era "movimento". Tudo se tornou uma questão de movimento, da física até a política e o manifesto artístico. Um dia o sujeito defendia a tese A, depois cria em B só para no futuro estar com X, sempre com incrível entusiasmo. Vale mencionar um detalhe: eram sempre movimentos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;anti&lt;/span&gt; alguma coisa, mas isso, como eu disse, para esse texto é um detalhe. Feito a cobra hipnotizada pelos sons enigmáticos do flautista, o brasileiro se deliciou com tudo o que aparecia. É que temos um ranço caipira. Porque tudo o que descobrimos parece a coisa mais nova e mais bela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o brasileiro consegue entrar em contato com o que vem lá do outro lado do mar, é comum que ele se encha de confiança e represente pela enésima vez o papel do jesuíta catequizando o índio. Um homem como José Bonifácio, que de mendaz, falso ou mesquinho não tinha nada, quando voltou ao Brasil após 36 anos fora, escreveu a D. João VI: "Estou sempre pronto para servir a Sua Majestade como homem de Letras, última consolação sólida que me resta entre &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Botocudos&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Árabes do Mato&lt;/span&gt;" Alerto o leitor que o grifo não é meu, mas do Patriarca. Não há religião nessa empreitada. Sem a batina, porém com o orgulho do caipira que agora está na cidade grande e conta seus triunfos diários para os da sua terra, a única figura que esse brasileiro pode representar é a do entrão. Daí essa mistura tão estranha no brasileiro que entrou em contato com o que está do outro lado do mar: é ao mesmo tempo um jesuíta e um entrão, o que equivale dizer que não é nem uma coisa nem outra. Falta-lhe, portanto, autenticidade. Onde ela estaria? Quase ninguém sabe, e os que sabem parecem criaturas nascidas de geração espontânea, porque não foi pela riqueza da terra nacional que essas pessoas surgiram. Essa terra é estranha para esse brasileiro e ele não se sente à vontade senão no círculo reduzido de seus conhecidos. Não faz idéia de pátria porque isso é uma abstração forçada demais para a sua realidade. Esse brasileiro é um apátrida: não é daqui, afinal está cercado de "botocudos e árabes do mato" que sequer imaginam o que seja &lt;span style="font-style: italic;"&gt;la finesse&lt;/span&gt;; não é lá do outro lado do mar, porque não passa de um forasteiro sem espírito de jogo querendo ingressar no clube de cavalheiros. Falta-lhe o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pedigree&lt;/span&gt;: ele é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sine nobilitatis&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;snob&lt;/span&gt;. Sem pátria e sem autenticidade, o brasileiro é a criatura mais perdida do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a situação exija uma resposta filosófica, o brasileiro, por ser tão avesso ao espírito, prefere deixar tudo de lado e ver se as coisas se ajeitam ou, como as pessoas gostam de falar, "dar um jeitinho". Ver que a situação é seríssima envolve uma dimensão trágica. Essa dimensão é uma das exigências para a aquisição de cultura, e não é à toa que o brasileiro, quando a tem, é de um modo insuficiente, não profundo e geralmente só estético. Cada vez mais está fadado a ser das duas uma: ou o sertanejo ultra-realista ou o intectual polido mas sem muita profundidade. Como geralmente nosso país prefere isso à própria salvação, o verso de Rimbaud poderia substituir o famigerado "Ordem e Progresso" da bandeira: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Par délicatesse j’ai perdu ma vie&lt;/span&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-3847591477137236957?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/3847591477137236957/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=3847591477137236957&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/3847591477137236957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/3847591477137236957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2007/05/um-pouco-sobre-o-brasil.html' title='Um pouco sobre o Brasil'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-7486669423518829821</id><published>2007-05-02T04:56:00.000-03:00</published><updated>2007-05-02T05:36:56.530-03:00</updated><title type='text'>Problemas brasileiros</title><content type='html'>- Tenho estado chateado com tudo, meu amigo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Essa é uma das queixas mais antigas da história do mundo. Desde que Adão foi expulso do Paraíso, houve um só choro e um só gemido, intercalados por uma visão de esperança fundada no amor. Mas me diga, qual o motivo da tua chateação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É que tudo parece tão sofrível... Veja este nosso país, por exemplo. Ninguém parece prestar, a começar por aqueles que deveriam dar o exemplo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os políticos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, também. Mas me refiro a todos que ocupam posições importantes. Professores, juízes...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Bem diziam os antigos: a pior corrupção é a dos melhores. Mas você acha que o político, o professor e o juíz, para ficarmos só nesses, são os melhores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelo menos em tese deveriam ser, não acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode ser. Mas acho também que é nessas figuras tão ilustres que muito bem pode aparecer toda a nossa miséria e nossa fragilidade. Existe maior exemplo do que estou dizendo que o caso de alguém que governou por tanto tanto tempo e que era tão respeitado mas que no fim acabou de modo lastimável? E quando um professor erra ou um juiz é injusto, isso não aponta também para a fragilidade das coisas? Para te ser franco, acho melhor irmos mais além: não acho que devemos buscar no fato de alguém ser professor, juiz ou político a razão de ser bom, mas no contrário: é por ele ser bom é que acaba se tornando juiz, professor ou político. Porque se a ordem das coisas não for a natural, o que advirá será apenas desgraça.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Está meio complicado de entender o que você está querendo dizer. Quer dizer que eu não devo ligar para o que essa gente faz, independente dos seus abusos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não foi isso que eu quis dizer. Estou dizendo que essas funções todas que você citou advém primeiramente do fato de o sujeito ser bom. Esse é o núcleo comum entre todas elas. Para você saber mandar, distribuir justiça e ensinar você precisa ter alguma virtude. Imaginar que do fato de alguém ser professor, juiz ou político decorra que ele seja bom é uma meia-verdade, na melhor das hipóteses. Pois bem, havendo uma carência enorme de pessoas boas, como haveria gente capacitada para mandar, distribuir justiça e ensinar bem? Haverá na realidade uma quantidade anormal de pessoas que de modo algum estarão aptas para exercer a função que ocupam. A conseqüência desse tão triste estado de coisas será a desmoralização progressiva de todas aquelas importantes funções que você mencionou, até chegar a um termo que prefiro nem mencionar. Daí que o problema seja ainda mais profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então você, no fundo, concorda comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sinceramente, não sei dizer até que ponto. Que tudo está muito ruim, está, mas não gosto muito de me alongar nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como não? Você não pode se fazer de cego. Se vê alguma coisa e diz que não viu, estará falseando a tua própria consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não disse que tudo está bem. Só disse que por não saber até que ponto as coisas estão ruins, prefiro não me alongar muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas você está percebendo como tudo está ruim, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E não percebe como, só para dar um outro exemplo triste, mesmo aqueles que se dizem cristãos na verdade só o são da boca para fora? Na prática são todos uns ateus. É por essas e outras que fico chateado com tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que agora você está tocando num problema de outra espécie, mas vamos lá, eles têm mesmo alguma relação. Só acho engraçado você dizer uma coisa dessas, a menos que você, meu amigo, seja algum santo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nao preciso ser santo para ver como um monte de gente é má cristã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, não precisa, mas é evidente que você deve estar então acima dessas pessoas, porque do contrário não estaria dizendo essas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De certa maneira estou sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se você está acima dessas pessoas, se você percebe que elas estão equivocadas, por que não coloca tuas palavras à prova e te torna um bom pastor? Acredito que seria um bom pastor pelo que me diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como assim? Não tenho a menor vocação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não ouviu o chamado ainda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Será que não? Talvez a tua vontade signifique alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, meu amigo, estou certo que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer dizer então que está apenas fazendo algumas constatações?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se você tivesse o dom de reconduzir as ovelhas perdidas, eu seria o primeiro a te aplaudir. Mas se você não tem, é bem provável que faça parte do rebanho. Se é assim, por que você fica criticando as pessoas por serem cristãs de segundo time? Antes de você criticá-las, a primeira e mais óbvia coisa que deveria fazer é oferecer como belo exemplo a tua própria vida e mostrar através dela como se deve ser um bom cristão. Não preciso te lembrar que para os antigos a virtude não era questão de posse, mas de ser, e portanto poderia ser admirada e imitada, nunca transferida. Está me entendendo? Mas me diga outra coisa: você, embora se considere acima das outras pessoas nesse ponto, de ser um bom cristão, também acha que vive cristãmente na plena medida de tuas forças?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não diria na plena medida de minhas forças, porque não é algo que se faz por si só. Olha, quero dizer é que preciso sempre de Deus, porque sou muito fraco. Por sinal, acabo de lembrar uma coisa que o Apóstolo escreveu: é na fraqueza que reside a minha força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É um belo pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Certamente... Mas sabe, dizendo essas coisas assim tenho a impressão de não estar tão acima dos outros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É que todos têm problemas, não é? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora entendi o que você tentou sutilmente me fazer pensar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora, de onde tirou essa idéia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me faça de bobo! Sei que a tua intenção era que eu primeiro me preocupasse comigo mesmo antes de criticar os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Achei engraçado o fato de você dizer que tentei sutilmente. Não foi sutil, foi de modo claro. Era a conclusão mais clara do que eu estava querendo dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então posso bem deduzir que também o mesmo se refere aos maus políticos, juízes, professores...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Enfim você começou a me entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, ainda não entendi muito bem, sabe? Não me acho tão desautorizado a ponto de não dizer que político que rouba é ladrão, que professor que engana aluno é charlatão e que juiz que dá sentenças mediante propinas é desonesto. Você me tem em tão má conta assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É óbvio que não. Você é uma boa pessoa e tem todo o direito de se sentir indignado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se você está me dizendo a verdade, só posso imaginar então que está querendo me dizer para que eu fique de preferência de bico calado. É isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sobre esse problema que estamos discutindo, eu diria que sim, na maior parte das vezes. Mas creio que você, caso reflita bem sobre o assunto, terá o discernimento necessário para criticar o que deve ser criticado ao mesmo tempo que, nesse ponto, através de teu próprio exemplo em matéria de virtude, empenhe a tua vida de forma a demonstrar qual é o modo mais adequado de ser. Porque a nossa vida é o penhor de nossas idéias. Se você criticar a maneira de alguém ser cristão, você deve ser realmente cristão, o que implica em buscar auxiliar aqueles que você porventura esteja criticando, nem que seja jogando sal nas feridas. Mas só faça isso se você tiver vencido em ti mesmo aquilo que por acaso vier a criticar nos outros. E para os outros assuntos, como o problema da corrupção de professores, juízes ou políticos, é claro que não precisa exercer a função de cada um deles, porque o problema está na falta de virtude. E a virtude, embora presente em cada uma daquelas funções, não é propriedade exclusiva de nenhuma delas. Por outro lado, sendo você mesmo alguém dotado de virtude, o teu exemplo vai acabar sendo observado obviamente naquilo que você faz, seja o que for. Naturalmente, quanto mais você reclamar, maiores serão as cobranças, portanto maiores os deveres. Saiba, porém, o seguinte: se você tiver mesmo virtude, mal sentirá o peso das dificuldades, porque ela, ao enobrecer aquilo que você faz, torna o que está sendo feito belo, e é esse embelezamento que torna tudo leve. Lembre-se que a leveza é sinônimo de alegria, e não é por acaso que as palavras "peso" e "pêsames" têm a mesma raiz, da mesma forma que "alegria" e "alígera". Se quiser, portanto, um conselho, acho que você só deve se aventurar a ser um crítico de teu país e de teus concidadãos apenas se realmente for uma pessoa virtuosa, pois assim você acabará encaminhando pelo menos uma pessoa em direção ao bom caminho. Do contrário, é melhor não te atrever a criticar ninguém e te preocupar só com teus problemas, pois o fardo seria tão penoso que você acabaria esmagado na primeira oportunidade. Sem contar que seria ridículo pedir a alguém doente salvar uma pessoa que estivesse se afogando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-7486669423518829821?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/7486669423518829821/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=7486669423518829821&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/7486669423518829821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/7486669423518829821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2007/05/problemas-brasileiros.html' title='Problemas brasileiros'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-2345142274998328652</id><published>2007-04-28T01:51:00.000-03:00</published><updated>2007-04-28T02:44:53.061-03:00</updated><title type='text'>Observação sobre um texto de Julio Lemos</title><content type='html'>Em seu &lt;a href="http://julio-lemos.blogspot.com/"&gt;blog&lt;/a&gt;, Julio Lemos, lá numa das partes do texto &lt;a href="http://julio-lemos.blogspot.com/2007/04/je-ne-comprends-pas-les-gens-qui.html"&gt;Je ne Comprends pas les Gens qui Essaient de Sonner Comme en 1974&lt;/a&gt;, disse assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Uma das dádivas da temperança é poder fazer o que se quer – esse aliás é o núcleo duro das virtudes cardeais. Quem pode rejeitar um trago a mais, acordar cedo e deixar certas manias estranhas mas atraentes pode, mais tarde, ter a liberdade de pelo menos tentar conquistar uma mulher valiosa.O que acontece é que o cara pensa que é livre até se ver diante de uma mulher desse tipo ou de um ‘sistema de crenças’ coerente e exigente. Ele percebe que não [está] livre para aderir a um objeto desses. A preguiça e a sensualidade o escravizam: o máximo que ele consegue fazer é ficar em casa no sábado à noite escrevendo textos no estilo James Joyce recheado de referências eruditas e pornografia barata.Diante do desafio de merecer algo superior a ele, com a condição de abandonar antigos hábitos, o cara acaba por desistir. Orgulhoso (vai saber de que), desqualifica os valores mais exigentes – a mulher perfeita e sei lá, o “serviço aos outros” –, dizendo que não passam de ideologias cristãs ou mocinhas recalcadas. É a conhecida fábula da raposa e das uvas. Não podendo alcançá-las, o faceiro raposinho desiste, arranjando uma desculpa: “estavam verdes&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo com tudo, exceto com a conclusão a partir da famosa fábula. Não é sob um pretexto qualquer que os valores têm sido jogados para escanteio. Aliás, se fosse por isso, não haveria a mínima diferença entre a negação dos valores hoje em dia e a atitude de um covarde há 2400 anos. Acontece que a diferença é radical. O problema não é simplesmente decorrente de um caráter dúbio, mas da completa inversão dos valores. A raposa, quando dizia que as uvas estavam verdes, continuava sabendo que as uvas verdes eram inferiores. Ela ainda buscava as melhores, mas devido ao seu fracasso lançou mão dessa desculpa. De qualquer modo, sua escala de valores , no fundo, permanecia intacta. Essa atitude é comum. Hoje em dia o problema é outro. Porque se persegue as uvas verdes exatamente por serem verdes. Elas assumiram um valor em si superior que antes não havia, enquanto as uvas maduras, por serem maduras, são identificadas como de tipo inferior. Não é, repito, simplesmente uma questão de falta de capacidade, mas de reviravolta radical dos valores. O fundo dessa atitude é o ressentimento. Daí esse caráter equívoco das pessoas que pregam essas novas atitudes: parecem ao mesmo tempo profundamente insolentes e covardes. A cada afirmação de superioridade o fundo insubornável demonstra imediatamente a sua farsa. Daí a atitude autoritária que essas pessoas têm a fim de impor pela vontade aquilo que não são de fato. Daí que o líder de movimento negro e o militante gay andem de mãos dadas com Hitler e Stálin.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-2345142274998328652?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/2345142274998328652/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=2345142274998328652&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/2345142274998328652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/2345142274998328652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2007/04/observao-sobre-um-texto-de-julio-lemos.html' title='Observação sobre um texto de Julio Lemos'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-8546545663380987126</id><published>2007-04-22T00:56:00.000-03:00</published><updated>2007-04-22T01:05:53.901-03:00</updated><title type='text'>Ótimos exemplos do cidadão ideal</title><content type='html'>Sim, eu sei, já fiz um post sobre isso, mas sabe como é, sempre faz bem recordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exemplo do homem-ideal segundo os modelos da Nova Ordem Mundial: sem preconceitos, feminista, desarmado, cosmopolita, ecologista, moderno, progressista. Eis o homem de nossa época, quer dizer, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;super-homem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/Rirdu9J65TI/AAAAAAAAAAs/vXhfawCmTWM/s1600-h/homem+da+nom.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/Rirdu9J65TI/AAAAAAAAAAs/vXhfawCmTWM/s320/homem+da+nom.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5056097330436695346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Nova Ordem Mundial também admite protestos. Eis um exemplo de um subversivo típico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/RirePdJ65UI/AAAAAAAAAA0/pXBRRbVqbQY/s1600-h/homem+da+nom1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/RirePdJ65UI/AAAAAAAAAA0/pXBRRbVqbQY/s320/homem+da+nom1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5056097888782443842" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, são os tempos modernos. Afinal de contas, como escutei um dia alguém falando, ser homem é apenas uma questão que vai da cabeça de cada um...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-8546545663380987126?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/8546545663380987126/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=8546545663380987126&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8546545663380987126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/8546545663380987126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2007/04/timos-exemplos-do-cidado-ideal.html' title='Ótimos exemplos do cidadão ideal'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_7QE0_EE4pbM/Rirdu9J65TI/AAAAAAAAAAs/vXhfawCmTWM/s72-c/homem+da+nom.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-725403842408871128</id><published>2007-04-18T21:21:00.000-03:00</published><updated>2007-05-27T06:50:33.347-03:00</updated><title type='text'>Hoje vamos falar um pouco sobre ciência</title><content type='html'>Por um desses insondáveis mistérios deste mundo de justiça imperfeita, eis que eu, no momento de publicar um texto, me vi na incumbência de escrever três, os quais não tinham a menor conexão entre si. Para dizer em termos musicais, não eram variações do mesmo tema, sendo portanto bastante improvável que deles eu conseguisse compor uma fuga; no máximo haveria aquelas justaposições tão estranhas que se tornaram comuns na música vocal em fins da Idade Média. Eu iria acrescentar que elas eram fascinantes, porém o leitor muito justamente imaginaria que eu estivesse querendo inflar o meu ego tão raquítico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas em nome da minha preguiça, hoje comentarei sobre apenas um assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu gostaria de dizer agora é que se há uma classe de doidos, certamente é a dos intelectuais, ou intelectualerdas, como costumava dizer Gustavo Corção. Sei que esse assunto já está um pouco batido, ainda mais para o digníssimo leitor deste pobre escritor - se é que poderia me chamar de escritor - , porque não muito raramente eu insisto nessa clave. Mas eu pediria a atenção do leitor mais uma vez para que vejamos isso de um ângulo pequenino e diferente. Gastarei algumas palavras sobre a ciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos a grosso modo a Física. Sem querer entrar em detalhes aristotélicos acerca de seu objeto e de seu método, sabemos todos nós, ou supostamente sabemos, que ela, como ciência, reduz os objetos de seu estudo a umas tantas explicações genéricas, que por sua vez, graças à ajuda da Matemática, são traduzidas em fórmulas algébricas. Essas fórmulas algébricas são o que são porque precisam unir a variedade dos fenômenos com as chamadas leis gerais. Podemos facilmente notar o trabalho de abstração da ciência partindo dos dados, isto é, dos fenômenos observados que se prestam ao estudo. Assim, há de se unir também os dados observados a uma explicação causal determinante, que deve ser, por ser científica, aplicável a todos os casos. Numa palavra, deve ser geral. Mas note o querido leitor que esse dado observado faz parte da realidade. Portanto, a explicação de uma ciência tão imponente quanto a Física é a observação de determinados dados, não da realidade inteira. Só que essa não é a única coisa interessante a ser constatada. O mesmo dado observado pode ser entendido sob perspectivas diferentes, as quais, como não é difícil de imaginar, não esgotam o dado: há sempre brecha para mais. E menos difícil ainda é imaginar que dados cada vez mais complexos são mais difíceis de explicar. O melhor exemplo disso é o homem. Poderíamos buscar explicações as mais variadas a seu respeito, sem que, com isso, esgotássemos a idéia do que seja o homem, porque ele abrange ao mesmo tempo, como já dizia Max Scheler, todos os diferentes estágios dos seres vivos e todo o mundo espiritual. É um ser muito complexo, e como tal ele pode ser compreendido, naturalmente, através das perspectivas mais diversas possíveis. Então alguém poderia estudar o homem pela perspectiva dos seres vivos, e então estará se apoiando na Biologia, assim como poderia compreendê-lo a partir da perspectiva da alma, cujo problema é da Psicologia. Talvez buscasse também entender o homem segundo a sua relação com Deus, o que é problema da Teologia, ou então a partir das suas relações orgânicas, cujo assunto poderia cair nas malhas da Química. E assim poderíamos prosseguir infinitamente, até porque, no caso do homem, ele concentra em si, de forma admirável, uma tal profusão de elementos que mais parece ser um mundo em miniatura - daí que, não por acaso, os medievais chamassem o homem de "mundo pequeno". Enfim, as perspectivas sobre um determinado assunto são as mais variadas possíveis, ainda mais quando o objeto fornecer uma quantidade enorme de elementos para a análise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, há um detalhe importante nessa história toda. Todas essas ciências, embora tenham pretensão de explicação universal, só a terão dentro de seu próprio campo. Cada ciência é um recorte da realidade, pois ela é muito complexa. É por meio de abstrações que a realidade vai se tornando melhor entendida - ou mais racionalmente compreendida. Não podemos esquecer nunca desse detalhe. Direi em outras palavras. Todas as ciências buscam estudar sim a realidade, mas a realidade segundo determinado aspecto. Por ter a realidade aspectos infinitos, ela pode ser encarada sob perspectivas infinitas. É por isso que todas as ciências têm sempre um aspecto frágil, já que, além de não serem a explicação de todas as coisas (isto é, da realidade), esse caráter de abstração faz com que elas tenham qualquer coisa de irreal. Há ainda outra coisa, talvez a mais reveladora. Por terem esse aspecto frágil, elas nunca bastam a si mesmas, necessitando de um suporte que esteja para além delas. A Biologia, por exemplo, estuda os seres vivos, mas as suas explicações são também um ser vivo? A Física lida com as propriedades dos corpos, mas a propriedade em si é também um corpo? Quantas moléculas têm a Biologia e quanto mede a Física? A Biologia não é um ser vivo, assim como a Física não é um corpo, até porque, se fosse de outro modo, estaríamos seriamente encrencados: nos acharíamos na emergência de saber a Física da Física, e a Física da Física da Física, e assim até não mais poder, o que seria extremamente ridículo. Se nenhuma delas é aquilo que procuram estudar, que são a Biologia e a Física? Ora, essa pergunta, "o que é", pertence não a cada uma dessas ciências em particular, mas sim a metafísica. As próprias considerações sobre cada ciência exigem uma explicação que não se encerrea tão-somente em cada ciência. Então, se por um acaso eu não tiver dado uma explicação muito complicada, o leitor poderá concluir que qualquer idéia que tome qualquer ciência em particular como modelo explicativo de tudo e em todas as suas partes será apenas uma arbitrariedade e uma fantasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora bem, existe alguma ciência que estude a realidade, não em determinado aspecto, mas em seu conjunto, de modo radical? Se em sua forma radical a realidade é o ser, a única ciência que estuda o ser enquanto ser, segundo dizia o antigo Aristóteles, é a metafísica. Daí que, embora a metafísica não seja a explicação da realidade em todos os seus múltiplos aspectos, ela é o entendimento mais excelente a seu respeito, porque toma o ser em seu caráter mais radical. Não é estranho, pois que desde muito tempo seja ela considerada a ciência primeira, e nosso caro Estagirita também já dizia que o seu conhecimento participa do divino, já que Deus o tem em sua plenitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tudo isso que o leitor acompanhou, não é difícil notar o quão esquisito é quando alguém, em nome de determinado campo de saber, exige submissão imediata de todos. Sempre tenho a impressão de que o sujeito que age assim é como alguém que construiu uma jaula tão esplêndida que, abobado com o seu trabalho, se mete lá dentro, joga fora as chaves e exige que o mundo inteiro também seja enjaulado. Semelhantes coisas sempre são ditas em tom grave. Mas não é de espantar, afinal de contas não há criatura no mundo que leve suas idéias extravagantes mais a fundo que o louco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-725403842408871128?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/725403842408871128/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=725403842408871128&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/725403842408871128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/725403842408871128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2007/04/hoje-vamos-falar-um-pouco-sobre-cincia.html' title='Hoje vamos falar um pouco sobre ciência'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-3567996995339407913</id><published>2007-02-14T02:04:00.000-02:00</published><updated>2007-04-21T19:29:23.076-03:00</updated><title type='text'>Padre Emílio, pena de morte, e a nossa época maluca</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Lendo hoje o &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: georgia;" href="http://permanencia.org.br/"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Permanência&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;, não tive como deixar de citar aqui as considerações do Pe. Emílio da Silva sobre a pena de morte, em entrevista para &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: georgia;"&gt;A Hora Presente&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;, em maio, 1971. Vejamos um trecho da entrevista:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Padre Emílio acha que nessa matéria "há apenas um ponto de tangência com a ordem moral e que poderia ser assim formulado: Na sua luta contra o crime, sobretudo quando o índice de criminalidade se acha em assustadora elevação, pode o Estado usar de meios os mais enérgicos, inclusive da pena capital, para restaurar a tranqüilidade e a segurança pessoal no seio da sociedade? A resposta tem sido afirmativa na Igreja docente, dos seus primórdios, até o dia de hoje. Ainda mais: o Papa Inocêncio III condenou os hereges albigenses que negavam ao Estado o direito de impor a pena capital aos delinqüentes. Se, pois, esse poder é perfeitamente lícito e aceito pela Igreja em todos os tempos, é ao próprio Estado, exclusivamente, que cabe a incumbência de verificar se é oportuna e conveniente a sua aplicação".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acha o padre Emílio perfeitamente normal que alguém, em nome próprio, seja contra a pena de morte, "da mesma forma que é normal que alguém não goste da profissão de coveiro, mesmo sabendo que enterrar os mortos é obra de misericórdia". Mas tais opções deixam de ser lícitas, na sua opinião, "quando se passa da estimação pessoal para proferir um juízo moral condenatório sobre esses assuntos. Condenar o instituto da pena capital em nome de princípios cristãos é algo contraditório e absurdo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O padre Emílio aponta exemplos, de Jesus Cristo -- "que declarou a Pilatos que o poder de infligir a morte de cruz era dado pelo Céu aos governantes" -- a Pio XII, que em seus escritos afirmou mais de 20 vezes "a liceidade da pena capital". É um constante ensinamento -- segundo acrescenta -- de São Paulo, de todos os Santos Padres e Doutores da Igreja, como Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, dos teólogos, moralistas e filósofos. "Qualquer catecismo explicado ou tratado de moral -- diz o padre Emílio -- responde que são as seguintes as ocasiões nas quais é lícito matar: na guerra justa, por sentença judicial e em legítima defesa".&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;O pessoal do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: georgia;"&gt;Permanência&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt; publicou esse trecho em razão do assassinato bárbaro daquele menino aqui no Rio. Quando aparecer algum bispo recriminando a pena de morte, seria bom que alguém lhe desse a entrevista do padre Emílio. Por sinal, deveriam ter feito a mesma coisa &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: georgia;" href="http://asinum.blogspot.com/2006_12_01_archive.html"&gt;quando o cardeal Martino pediu para que poupassem a vida do Saddam Hussein&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;, afinal de contas o ditador iraquiano era um monstro. Mas parece que até o papa gostou do que ele disse, o que deduzo pelo velho adágio "quem cala, consente".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Pois bem, é nessas horas que pergunto aqui para meus botões: esses bispos todos e esses cardeais realmente não sabem disso ou simplesmente dão de ombros? Sou eu um gênio tão maravilhoso que traz à luz uma doutrina contida na própria tradição e que nem mesmo um cardeal conhece, ou toda essa gente não está nem aí para isso? Aproveito para relembrar ao leitor aquele episódio ocorrido há alguns anos, onde um padre fez greve de fome por causa de um rio.  Agora bem, e quanto a esse menino? Vai aparecer alguém fazendo greve de fome?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Note bem, meu caro leitor, não estou exigindo mortificações por parte de clérigos. Não. O que estou dizendo é que de repente as prioridades deram uma cambalhota e tudo ficou de pernas para o ar. De repente vejo um cardeal se humilhando perante os holofotes implorando pela vida de um ditador sanguinário e um padre fazendo greve de fome por causa de um rio, enquanto os fiéis são atacados dia após dia por gente impiedosa em todos os cantos do mundo. Para piorar tudo, eu, que não sou exemplo para ninguém, de repente me vejo obrigado, sabe-se lá a razão, a fazer esse tipo de comentário. Êta época doida, sô!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-3567996995339407913?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/3567996995339407913/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=3567996995339407913&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/3567996995339407913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/3567996995339407913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2007/02/padre-emlio-pena-de-morte-e-nossa-poca.html' title='Padre Emílio, pena de morte, e a nossa época maluca'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-2820114948658489327</id><published>2007-02-11T08:55:00.000-02:00</published><updated>2007-02-05T00:02:14.173-02:00</updated><title type='text'>Deus escreve certo por linhas tortas</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;OBS&lt;/span&gt;: &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Como escrevi com muito sono, embora não quisesse perder o lampejo, talvez haja um monte de coisas erradas. Depois dou um jeito, se a preguiça, minha companheira, me permitir. Até lá estarei dormindo e/ou longe daqui. Adeus.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje farei uma pequena confissão ao amável leitor desse blog. Os meus primeiros interesses sobre Cristianismo surgiram através de ninguém menos que Nietzsche e Marx, bigode e barba, só faltando o cabelo. Sim, é verdade: o filósofo do anticristo e apologeta do materialismo dialético foram por assim dizer os motores da minha aproximação do Cristianismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a razão desse fato tão insólito? A resposta não é nenhum pouco insólita, porque o que me levou a conhecer mais de perto o Cristianismo foi uma espécie de instinto básico e benéfico, que é conhecer mais de perto o criticado antes de abraçar a crítica. Não que eu fosse um exímio conhecedor daqueles dois alemães. Justamente o pouco que conhecia de cada um deles fez com que eu tivesse muita cautela antes de sair repetindo o que eles diziam a respeito de algo que eu não sabia direito. Por outro lado, não que na época eu imaginasse que eles estivessem mentindo ou, na mais inocente das hipóteses, só confusos, porque eu só queria ter uma opinião melhor a fim de poder falar mal com mais propriedade. E aqui vale um adendo: tal como houve a respeito do Cristianismo, minha frônesis me fez ir direto a Platão, também por causa de Nietzsche, muito embora naquela época eu já estivesse tendo uns primeiros contatos com Aristóteles por motivos que agora não vêm ao caso, os quais já começavam a ser igualmente benéficos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se o leitor já teve a experiência de seguir (ou perseguir) as palavras de Platão ou da religião cristã. Se já passou por algo semelhante, é muitíssimo provável que de repente se veja num mundo completamente novo e curioso. É incrível a sensação de elevação que algumas leituras de Platão ou do Cristianismo nos dão. Para dizer bem a verdade, é como se de repente fôssemos compelidos a realizar um grande esforço para atingir pontos cada vez mais altos de uma montanha, de onde pudéssemos olhar através de uma perspectiva mais elevada as coisas que se movem nos planos mais inferiores. De repente surgem problemas que nunca nos déramos conta, ou alguns antigos problemões viram apenas distração de criança. E vamos seguindo sempre adiante, como que guiados por mão segura, rumo a um destino que por enquanto é ainda nebuloso. Nesse sentido, é de espanto em espanto que vamos avançando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tomei contato com o Cristianismo, uma das primeiras coisas que notei é que tudo o que sabia a seu respeito estava na verdade de pernas para o ar. Pior que não saber nada, eu achava que sabia alguma coisa, embora tudo o que soubesse não passasse de um amontoado grosseiro de erro atrás de erro. Não sou nenhum grande estudioso de Cristianismo, mas posso assegurar ao querido leitor que essa religião é tão rica e tão versátil que é literalmente impossível esgotar a sua compreensão. E da mesma forma que ela é inesgotável do ponto de vista de seu conhecimento, sua história também é riquíssima. Mas onde se lê riquíssima também se deve ler complicadíssima. Porque não há nada mais difícil que estudar algo assim tão vivo. Além do mais, o Cristianismo é das coisas mais problemáticas do mundo porque ele abarca todos os problemas mais radicais da nossa vida - note bem, leitor, tanto da nossa vida no sentido da comunidade de todos os homens (vivos e mortos) como no sentido de cada vida em particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei bem se o sentimento de espanto em relação ao Cristianismo e a Platão surgiu em mim por causa do ensino distante que tive de ambos. Em todo o caso, aquela frônesis de repente me colocou diante de duas coisas maravilhosas. Não tenho como agradecer a ela. Mas há outro ponto que faço questão de salientar. O exemplo da minha relação com o Cristianismo e com Platão foi me fazendo compreender que eu não tinha a menor idéia do que dizia e menos ainda do que pensava a respeito de muitíssimas outras coisas. Apenas quando nos deparamos com algo verdadeiramente colossal é que sentimos a nossa pequenez. Pois bem, tanto um quanto o outro equivalem a umas dez pirâmides. Só é possivel sentir-se superior a um e outro mediante ua falsificação tão grosseira e tão radical que o resultado último é, sem a menor sombra de dúvidas, a destruição da nossa inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma sensação curiosa quando de repente você sente que as bases aparentemente tão firmes onde você colocava seus pés com confiança na verdade não passavam de palha, e que você só não afundava de vez no poço porque sua cabeça era tão vazia que o ar ali dentro te fazia flutuar. Penso até que, dependendo do grau de desencanto que você tiver com esse falseamento dos dados mais radicais, você pode muito bem afundar de vez. Embora não sejam exatamente nesse sentido, aqueles dizeres de J. Ortega y Gasset, segundo o qual tínhamos de ser tão profundos que tocássemos o fundo do mar, mas tão vivos que voltássemos para a superfície com a mais valiosa pérola, talvez forneçam uma bela imagem do que estou tentando barrocamente dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso dizer que de uma forma ou de outra essa sensação imensa de ignorância me salvou de umas poucas e boas. Sim, porque é uma sensação proveniente de um fato real: minha ignorância é enorme. Agora bem, essa incapacidade para lidar com as questões mais agudas poderia muito bem ter sido aliviada pela falsa consciência de superioridade trazida pelos argumentos daqueles dois alemães, assim como de muitas outras pessoas. Poderia muito bem estar aqui comentando sobre a crítica de Kant à metafísica ou ao argumento ontológico. Isto e aquilo têm qualquer coisa de medonhos, e Kant de salvador. Pois bem, que sei eu de metafísica e de argumento ontológico? Como posso saber se Kant está certo se eu não souber de que maneira o melhor metafísico ou expositor do argumento ontológico defenderiam suas teses? Esgotei já o conhecimento da discussão do assunto para poder tomar partido? Ou então eu poderia fazer uma pergunta que de certa forma é ao mesmo tempo lateral e principal: esse assunto, qual relevância ele possui em minha vida? Digo tudo isso porque, a bem da verdade, todos nós temos a péssima mania de começar tudo pela crítica, hábito esse característico de nossa mentalidade moderna, desconfiada de tudo, exceto de si mesma. E quanto mais aparentemente grandioso for o objeto da crítica, quanto mais ele parecer já ter cabelos brancos, como é o caso da metafísica ou do argumento dito ontológico, mais a crítica parecerá essencial e básica. Essa falsa consciência adquirida pela crítica irresponsável é um dos maiores males que fazemos conosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Mais um texto que no dia de são nunca continuará...)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-2820114948658489327?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/2820114948658489327/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=2820114948658489327&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/2820114948658489327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/2820114948658489327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2007/02/deus-escreve-certo-por-linhas-tortas.html' title='Deus escreve certo por linhas tortas'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-116918434830385242</id><published>2007-01-19T02:34:00.000-02:00</published><updated>2007-01-19T18:34:30.790-02:00</updated><title type='text'>Todos os homens são mendigos da mais fina nobreza</title><content type='html'>Embora eu esteja com sono, o &lt;a href="http://soaressilva.wunderblogs.com/archives/022619.html"&gt;último texto&lt;/a&gt; do Lord Ass sobre a monarquia me inspirou a escrever uma coisinha aqui no post de número 200 do blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, vamos lá. Não tenho nenhuma opinião sobre monarquia, mas tenho sobre a mania que um monte de gente tem de buscar antepassados gloriosos. Acho isso de uma bobice fenomenal e um tiro no pé, porque, em primeiro lugar, virtude não é uma coisa transmitida por inércia, e, em segundo lugar, o fato de você ter um antepassado ilustre pode muito bem indicar que você é a decadência total desse mesmo passado glorioso, mais ou menos como se você fosse uma espécie de ruína, como os escombros que hoje podemos ver com alguma melancolia da outrora majestosa Babilônia ou da antiga Roma, capital do mundo. Além disso, na sua história provavelmente há algum tipo de contraparte dessa nobreza, se é que você mesmo não é essa contraparte. Pode haver uma série de indivíduos completamente irresponsáveis, bandidos e idiotas na árvore genealógica de qualquer um. Por que fazer abstração disso? Mas sempre é mais bonito imaginar que descendemos de um nobre... Ora, muito mais sábios eram os antigos nesse ponto, já que ligavam sua história diretamente a algum deus: esta linhagem teve origem em Asclépio, aquela em Vênus, aqueloutra em Hércules. E isso quando não resolviam tirar da cartola a idéia original de serem eles mesmos um deus, conforme imaginou o pobre e meio tantã Empédocles. Agora bem, nossa perspectiva é cristã, portanto não admite nenhuma idéia a respeito das origens exceto essa: se por um lado todos fomos criados à imagem e semelhança de Deus Onipotente e Criador do céu e da terra, por outro lado somos os degradados filhos de Eva, isto é, pessoas amputadas da glória que em princípio deveríamos possuir. Vindos do pó, adquirindo o pão pelo suor de nosso rosto, retornaremos ao pó na esperança que o Pai diga: "Eu vos conheço". O contrário é a perdição. Eis uma das perspectivas que temos e que os antigos nem sonhavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo sem o menor pejo que semelhante idéia é uma das coisas mais elegantes, mais belas, mais sábias que alguém já teve. O sujeito que a bolou foi tão feliz em concebê-la que muito propriamente foi considerado como que inspirado por algo divino. E foi, de fato. Se do ponto de vista natural podemos dizer que a história do homem começa quando ele mendigava pelo mundo, por outro lado há o dado sobrenatural nesse mesmo homem, o qual nos ajuda a entender como é possível que esse mendigo, esse ser aparentemente tão desprovido de atributos naturais, possa elevar-se acima de tudo que existe no mundo. É como num conto de fadas, onde um príncipe, por motivos de contingência, foi obrigado a se tornar um pedinte ou um escravo, mas, graças a seus esforços e ao auxílio de não sei qual criatura bondosa, vai aos poucos largando a sua condição degradante para retornar à antiga posição que lhe é por direito, e agora por mérito. Esse conto de fadas é a verdadeira imagem da nobreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, algo me diz que o texto ficou perneta, mas que pule num pé só. Espero que um dia a inspiração retorne para dar uma perna de pau ao texto. Bom dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-116918434830385242?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/116918434830385242/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=116918434830385242&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116918434830385242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116918434830385242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2007/01/todos-os-homens-so-mendigos-da-mais.html' title='Todos os homens são mendigos da mais fina nobreza'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-116849821538427227</id><published>2007-01-11T04:36:00.000-02:00</published><updated>2007-01-11T04:52:30.510-02:00</updated><title type='text'>MST e índios bravos, tudo a ver</title><content type='html'>Em seus &lt;a href="http://www.obrabonifacio.com.br/principais_obras/"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apontamentos para a civilização dos índios bravos do Império do Brasil&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, José Bonifácio, listando as grandes dificuldades para os "cathequizar, e aldear", diz certas coisas que poderiam muito bem ser empregadas a respeito do MST, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mutatis mutandis&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;[Algumas das grandes dificuldades para a catequização e aldeamento dos índios bravos no Brasil] provém 1° de serem os Indios Povos vagabundos, e dados a continuas guerras, e roubos: 2° de não terem freio algum religioso, e civil, que cohiba, e dirija suas paixões: donde nasce ser-lhes insupportavel sujeitarem-se a Leis, e costumes regulares: 3° entregues naturalmente á preguiça fogem dos trabalhos aturados, e diarios de cavar, plantar e mondar as sementeiras, que pelo nimio viço da terra se cobrem logo de matto, e de hervas ruins: 4° porque temem largando sua vida conhecida, e habitual de Caçadores, soffrer fomes, faltando-lhes alimento á sua gula desregrada: 5° para com as Nações inimigas recresce novo embaraço, e vem a ser o temor que tem que depois de aldeados vinguemos a nosso sabor as atrocidades contra nós commettidas: ou porque não tendo provado o devido castigo de seus attentados, desprezam-nos, confiados na sua presumida valentia: e achando ser lhes mais util roubar-nos, que servir-nos: 6° porque os mais valentes e poderosos d'entre elles temem perder a occasião de cobrar entre os seus naturaes o nome de guerreiro, que muito prezam, esperando ficar seguros das nossas armas no meio de suas Mattas e escondrijos (...)&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-116849821538427227?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/116849821538427227/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=116849821538427227&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116849821538427227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116849821538427227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2007/01/mst-e-ndios-bravos-tudo-ver.html' title='MST e índios bravos, tudo a ver'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-116816735858546021</id><published>2007-01-07T07:47:00.000-02:00</published><updated>2007-01-07T09:33:14.970-02:00</updated><title type='text'>Alguns avisos sobre a vida boa</title><content type='html'>Vou aproveitar esse post e apresentar ao leitor uma idéia que deu "olá" para minha cachola enquanto eu estava preparando misto-quente e Nescau (perdão, Nescau genérico). Aliás, por algum estranho motivo as idéias geralmente surgem quando a última coisa que faço no momento é ir atrás delas: na hora de dormir, ou quando acordo, ou quando vou tomar banho, ou quando como, ou quando minha mãe vem contar a piada que ouviu no rádio (como no dia em que ela contou uma piada e aí de repente entendi o que aquele Aristóteles quis dizer com as quatro causas). Freqüentemente na hora em que estou estudando a idéia não vem nunca, mas é só olhar para o céu e de repente pimba!, lá vem a idéia. Ela gosta de fazer surpresa. Por essas e outras que sempre agradeço, embora talvez na hora possa não parecer, a quem enviou a idéia, afinal de contas é que nem ganhar presente sem o menor motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a digressão, contarei logo a idéia, mas já me vejo na iminência de faz outro pequeno desvio, porque agora ela não me parece tão legal quanto antes. Parece agora até meio boboca, mas enfim, vamos lá. O que eu queria dizer apesar de toda essa enrolação é apenas o seguinte: se por ventura o amável leitor se ver de repente em meio a uma discussão onde passem zunindo que nem flecha ou bala perdida os Nietzsches, os Foucaults,  os Deleuzes ou os Montaignes da vida, jogue-se no chão e saia do recinto o mais corrido possível. Depois de passar na igreja para tirar qualquer resquício de encosto, em casa tome um bom banho para refrescar a cuca e em seguida vá direto à leitura do primeiro Chesterton que encontrar, ou simplesmente dê boa noite para seus pais e amigos, beba uma coca, tome um sorvete e veja como é bom conversar com gente normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo isso porque a influência daquela trupe (só não dou outros nomes porque senão aí vira carnaval), se você levá-la realmente a sério, pode acabar te fazendo mal. No final das contas, você talvez não conseguirá nem mesmo dar bom dia para ninguém exceto aos cavalos, e ainda por cima em tom sentimental, trágico ou simplesmente babão. Conheço inclusive alguém que levava a ciência tão a sério que, num belo dia, não conseguiu mais entender a razão de uma pessoa dar bom dia a outra na rua, nem o motivo de alguém ficar olhando perdidamente a paissagem. Achava que todo mundo era doido, menos ele, é claro. Infelizmente ele não havia cogitado a hipótese de estar padecendo da falta de senso poético. E nem poderia, já que se deixou levar por uns caminhos tortos. Mais uma vez parecia se repetir a cruel saga do tantã: levava tudo tão a sério que no final das contas virou a piada trágica de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes quem lê por ler algum dos membros da trupe não atina direito com o problema. É o caso do sujeito de boa vontade. O ruim disso é que se você realmente tiver boa vontade de encarar aquela trupe, vai ter uma hora em que você não atinará mais com o problema porque você se tornou parte do problema. Só através de um esforço quase miraculoso conseguirá sair disso ileso. Como diria um professor meu, parece pegadinha mas na verdade é mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, está dado meu conselho. Ao menor sinal da trupe, fuja como se tivesse visto o filhote de cruz-credo, e vá procurar um livro realmente útil ou uma companhia minimamente sensata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora o avesso do post.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que se você souber o nome do demônio você poderá controlá-lo e vencê-lo. Pois bem, da mesma forma que o vírus pode servir para combater o vírus mediante a vacina, a trupe pode servir como anticorpo contra si mesma mediante a sabedoria autêntica. Ainda aproveitando a analogia medicinal, eu diria que a trupe, se bastante diluída pelo contato com a filosofia autêntica - ou nem isso, porque o contato com uma vida sadia já basta -, pode mesmo fazer bem. Assim, por razões profiláticas, vale a pena conhecer a trupe para evitar males maiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pressuposto disso é que você esteja mais ou menos inteirado do que é a sabedoria autêntica ou vida sadia. Ora, da vida sadia basta o contato com gente minimamente normal (não subestime jamais isso). Da sabedoria autêntica a coisa é um pouco mais complicada, mas de qualquer forma não é um tormento pelo simples fato de ela também servir como aprimoramento da própria vida de quem realmente a leva a sério. Escute o que Platão tem a dizer e em troca você nunca mais terá vontade de explodir o mundo ou achar que poderia explodi-lo. Ouça atentamente Aristóteles e aquele cinismo em demasia que você por um acaso abriga no peito vai se tornar um verdadeiro bom humor. Preste atenção em São Tomás de Aquino e você perceberá que o mundo pode ser mais legal do que parece, simplesmente porque tudo fará sentido a partir de algo aparentemente obscuro. Leia devagar Ortega y Gasset e você poderá mergulhar na profundidade quase enlouquecedora do mundo, mas conseguirá retornar à superfície são e salvo com uma valiosa pérola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos esses homens podem, de um jeito ou de outro, apresentar algum tipo de escapatória da loucura aparente do mundo. Nenhum deles te aprisionará em loucuras forjadas pela mente deles mesmos. Porque mais do que a loucura do mundo, a loucura dos sábios é a mais tenebrosa. Há em comum entre eles qualquer tipo de idéia de salvação. Na medida em que vão compreendendo a realidade, idéias fantasmagóricas do mundo vão desvanecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você não estiver minimamente inteirado de nada disso, melhor nem se meter com aquela trupe. Vai querer cutucar onça com vara curta para quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o leitor for um sujeito curioso, talvez já tenha notado que as destruições da família e do exemplo do homem superior foram acompanhadas pelos ataques &lt;span style="font-style: italic;"&gt;kamikaze&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;s&lt;/span&gt; à inteligência. Numa palavra, a vida sadia e a sabedoria autêntica foram golpeadas juntas e sem dó. Não poderia ser de outro modo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levando-se em conta as circunstâncias, é mais do que natural que a impostura, em todos os sentidos e níveis, ganhe terrenos. A falta de modos vai desde as relações entre as pessoas até a relação com o conhecimento. Quem não consegue agir minimamente bem com o outro não pode cogitar nada a respeito de Deus, da beleza, da alma etc. É incrível o número de enxeridos que ignoram pomposamente essas constatações mais básicas e insistem em opinar a respeito do que só deveriam em última hipótese ou simplesmente não deveriam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-116816735858546021?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/116816735858546021/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=116816735858546021&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116816735858546021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116816735858546021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2007/01/alguns-avisos-sobre-vida-boa.html' title='Alguns avisos sobre a vida boa'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-116752853969960465</id><published>2006-12-30T21:50:00.000-02:00</published><updated>2006-12-30T23:28:59.783-02:00</updated><title type='text'>Cardeal Renato Martino, com pena de Saddam, pede clemência pelo ditador</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;OBS: Talvez eu mude alguma coisa nesse texto. Não o revisei. Não que eu costume revisar o que escrevo. Mas é que este foi escrito meio às pressas e com ira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geralmente guardo só para mim certas discordâncias quanto a opiniões do Vaticano sobre política atual, mas agora não consegui. Porque achei o fim da picada &lt;a href="http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2006/12/28/287211882.asp"&gt;este cardeal pedir clemência para o Saddam&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que palhaçada é essa? Se tem que pedir clemência, que seja a Jesus Cristo! Ele sim pode perdoá-lo, porque no nível da justiça humana não há a menor possibilidade, em minha opinião, de perdoar um homem como esse. Quer dizer, se ele fizesse uma maldade comigo, talvez eu pudesse até perdoá-lo. Cada pessoa que já foi torturada por Saddam também poderia vir a perdoá-lo, como queira. Mas seria no mínimo uma bravata se eu o perdoasse por ter feito um mal a outra pessoa. Pelo menos é assim que entendo o ensinamento de dar a outra face. Posso dar a minha outra face, não a do outro. Porque senão a única justiça que haveria seria a do diabo. E num caso como o do Saddam, a única pena justa é sem dúvida nenhuma a pena de morte. Não há nenhuma outra pena equivalente às brutalidades que ele cometeu. Que ele seja entregue à justiça divina, porque do ponto de vista humano não há mais nada a fazer por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou de saco cheio de um tipo de conversa fiada que chamo de "embora". É sempre assim. Quando alguém quer ser muito bondoso, até mais da conta, sempre começa com um "embora eu saiba que fulano matou várias pessoas, você há de convir que..." Outro dia mesmo eu estava conversando com alguém que veio com esse papo: "Olha, embora eu seja contra genocídio, você tem que entender que Stálin não tinha muitas alternativas". Que maravilha! O sujeito é tão racional e bondoso que chega a ver algo de justificável num genocídio! Conforme li num blog dia desses, o séc. XX esteve repleto de pessoas bondosas assim. Tão bondosas que não sabiam nem que estavam na prática agindo mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sujeitos assim querem sempre posar como mocinhos que sabem reconhecer os dois lados da questão. São os justos. Para falar a verdade, se dependêssemos do senso de justiça do Vaticano, assim como do Brasil, China e Rússia, ainda haveria gente sendo morta ou tendo membros amputados ou quebrados no Iraque, conforme você poderá ver &lt;a href="http://www.youtube.com/verify_age?next_url=/watch%3Fv%3DRt6MlKt8vaE"&gt;neste&lt;/a&gt; vídeo. Por causa desse maravilhoso senso de justiça, Cuba está como está, assim com a China. Enfim, na prática o "embora" é um aval a sofrimentos e humilhações sem fim. (Não duvido nada que o "embora" seria usado pelo cardeal Renato Martino a respeito de uma ação urgente e vigorosa no Sudão.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também estou de saco cheio desse papo sobre como é ruim os EUA serem a polícia do mundo. Se um país tem a capacidade de parar de uma vez por todas as atrocidades cometidas por outro, por que então não faria nada? Se eu tenho como impedir que meu vizinho espanque seu filho, por que eu não faria nada? Pelo contrário: seria imoral se eu desse qualquer tipo de desculpa para não agir, da mesma forma que seria imoral um país se recusar a ajudar a população de um outro que acabou se tornando refém de seu próprio governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse problema é discutido melhor pelo Mons. Dr. Emílio Silva de Castro em sua &lt;a href="http://permanencia.org.br/revista/politica/igreja%20e%20estado.htm"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Doutrina Católica sobre as Relações entre Igreja e Estado&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Conforme ele mesmo escreveu,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não é possível, por exemplo, permitir que um povo seja esmagado, exterminado, v.gr. em nossos dias na Ruanda ou Bósnia e Cuba, quando há meios de protegê-lo. Foi contra os propósitos e contra alguns excessos intervencionistas da Santa Aliança que surgiu em certos meios o princípio da não-intervenção. Sem embargo, este princípio é tão ineficaz e às vezes tão desumano que, na realidade, nunca foi estritamente observado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um caso de guerra, esta começa com dois países, no dia seguinte, já são quatro, e logo são inúmeros, como aconteceu na última guerra. E quando um país, como sucede muitas vezes, não quer intervir, é forçado pelos outros. O poderoso sempre intervêm onde quer, e se não é pelas armas, é pela guerra fria, pela propaganda, pelo suborno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue-se do dito que o princípio da não-intervenção se bem seja falso quando se toma na universalidade de sua enunciação, em vários casos é aceitável, e seus transgressores são réus de grave injustiça. assim, quando um país se comporta normalmente com outros países, sem estar lesado nenhum de seus direitos e no regime interno respeita as vidas e direitos naturais dos cidadãos, seria inteiramente contra a justiça a intervenção naquele país com o fim, por exemplo, de mudar seu regime ou usurpar-lhe a soberania. Assim imaginemos que os Estados interviessem no Panamá ou em outro Estado pequeno qualquer, para obrigá-lo a mudar de regime, sem causa alguma justificável, simplesmente porque o atual não é do agrado de Washington; isto constituiria um ato de intervenção imperialista e iníquo, sem justificação possível. Há, porém, muitos outros casos em que a intervenção é obrigada ou, quando menos, legítima, em se tratando da defesa de valores superiores, gravemente ameaçados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro exemplo esclarecerá esta doutrina: todos sabem que existe um direito, protegido pelas leis do Estado, que é a inviolabilidade do lar. Ninguém, sem mandato judicial, pode penetrar no lar alheio. Se, porém, um homem está matando algum de seus familiares, dentro de sua casa, e a vítima gritar pedindo socorro, a intervenção torna-se não só justa, mas indispensável. Este é o caso de um povo no meio do qual estoura uma revolução cruenta. É natural que outros países intervenham se têm meios eficazes para controlar a revolta. No caso de Cuba, para citar um exemplo, nós justificaríamos a intervenção eficaz armada contra o governo revolucionário com o fim de salvar os direitos dos cidadãos e as vidas de muitos inocentes, que morreram em mãos do tirano. Não obsta, no caso, o princípio de autodeterminação, que, bem entendido, com certas restrições é perfeitamente legítimo. Não obsta, digo, porque o verdadeiro sentido da autodeterminação refere-se aos povos, não aos que por qualquer circunstância detêm o poder. Em Cuba não existe a autodeterminação do povo cubano, privado de voz e de representação. Só existem as autodeterminações do ditador que subjuga a nação e asfixia sua voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em geral, a intervenção será sempre legítima nos dois casos seguintes, para a defesa dos direitos próprios do Estado interveniente e para tutela das vidas, ou dos direitos naturais dos súditos do Estado intervindo, justificada pela solidariedade humana universal. No &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Syllabus&lt;/span&gt;* foi reprovado o princípio da não-intervenção por lesar o mais geral e válido princípio cristão da caridade, que liga a todas as pessoas físicas ou morais, iguais ou desiguais. O que antecede faz referência particularmente aos casos de sociedades iguais, como o são duas nações, ambas sociedades civis e de fins temporais.&lt;/span&gt;    &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior de tudo é que não é de hoje que o Vaticano, sob pretextos de justiça, mete os pés pelas mãos a respeito da ditadura iraquiana. Em 1999, o arcebispo Jean-Louis Tauran disse &lt;a href="http://zenit.org/portuguese/archivo/9901/ZP990120.html#a4"&gt;que era preciso voltar a integrar o Iraque na comunidade internacional porque "isolar um país nunca é bom". Ele tinha essa mesma opinião a respeito de Cuba e Líbia.&lt;/a&gt; Nessa tentativa de se aproximar do Iraque, o Vaticano tinha a companhia de Rússia e França (e, quem sabe, da China). Já em 1998, a respeito de um bombardeio dos EUA no Iraque, &lt;a href="http://www.vatican.va/news_services/or/or_eng/index.html"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;L'Osservatore&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; saiu-se com essa: &lt;a href="http://www.zenit.org/portuguese/archivo/9812/ZP981223.html#a3"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ofensa contra a população iraquiana e contra a humanidade&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. O próprio papa João Paulo II disse em 2004 a Bush: &lt;a href="http://www.mre.gov.br/portugues/noticiario/nacional/selecao_detalhe.asp?ID_RESENHA=54215"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É desejo claro de todos que essa situação seja normalizada o mais depressa possível, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;com a participação ativa da comunidade internacional, em particular das Nações Unidas, para restituir rapidamente a soberania do Iraque&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; (grifos meus). Ora, o que a comunidade internacional, o Vaticano, e em particular as Nações Unidas mais fizeram foi retardar ao máximo a guerra contra um regime brutal e, uma vez ela havendo, evitaram que a situação fosse normalizada o mais depressa possível, seja simplesmente não oferecendo auxílio de peso, seja sabotando os esforços do governo americano em demonstrar a justeza do conflito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que as nações em geral metam os pés pelas mãos, é já de se esperar. Que o Vaticano cometa os mesmos equívocos, isso não se pode tolerar. Quando as coisas chegam a esse ponto, é difícil ter esperança de alguma coisa. Só nos resta rezar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Além do vídeo já linkado acima, assista também a &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=pPLd_ghpL2I&amp;search=iraq%20democracy%20prowar%20progress%20saddam"&gt;este&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ADQbhpfgVYo&amp;amp;search=iraq%20democracy%20prowar%20progress%20saddam"&gt;este&lt;/a&gt;. Mas antes de assisti-los, recomendo prudência, pois as imagens são muito fortes. São todos muito brutais, mas servem como uma espécie de ensinamento, tal como as imagens de campos de concentração nazistas. Depois de vê-los, sugiro também que você os compare com todas aquelas fotos e vídeos de soldados americanos colocando calcinhas na cabeça de iraquianos ou despindo-os e medite sobre a indignação mundial contra os EUA a esse respeito, ao mesmo tempo em que esses mesmos indignados não disseram nenhuma palavra a respeito daqueles vídeos, incluindo o cardeal Renato Martino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*O &lt;a href="http://www.rcadena.net/Syllabus%20-%20castellano%20-%201864.htm"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Syllabus&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; é aquela famosa encíclica que reúne uma série de proposições consideradas errôneas do ponto de vista doutrinário. O texto faz referência a proposição 62: "É correto proclamar e observar o princípio que chamamos de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não-intervenção&lt;/span&gt;." Ora, intervenção geralmente significa guerra. Portanto, é um equívoco e uma imoralidade não levar as armas a um país tirânico e brutal em nenhuma hipótese. O Vaticano, na ânsia de promover um pacificismo a todo custo, parece que esqueceu o que ele mesmo havia nos ensinado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-116752853969960465?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/116752853969960465/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=116752853969960465&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116752853969960465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116752853969960465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2006/12/cardeal-renato-martino-com-pena-de.html' title='Cardeal Renato Martino, com pena de Saddam, pede clemência pelo ditador'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-116707969414684830</id><published>2006-12-25T18:40:00.000-02:00</published><updated>2006-12-25T18:53:12.683-02:00</updated><title type='text'>Feliz Natal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3794/601/1600/965773/Geertgen%20tot%20Sint%20Jans%20-%20Nativity%2C%20at%20night%201484-90.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3794/601/400/181889/Geertgen%20tot%20Sint%20Jans%20-%20Nativity%2C%20at%20night%201484-90.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Geertgen tot Sint Jans - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Natividade, à noite&lt;/span&gt; (1484-90)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-116707969414684830?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/116707969414684830/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=116707969414684830&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116707969414684830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116707969414684830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2006/12/feliz-natal.html' title='Feliz Natal'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-116641870304933002</id><published>2006-12-18T02:44:00.000-02:00</published><updated>2006-12-18T03:16:07.890-02:00</updated><title type='text'>Rascunho de post sobre...</title><content type='html'>Como não queria deixar a idéia escapulir, vai ela aqui toda mal-acabada e primitiva, pesando ainda por cima o acúmulo de noites mal-dormidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há a melancolia, e ela basta. Se pensarmos a sério em todas as coisas, haverá um misto de desgosto e perseverança. Haverá a necessidade de jogarmos às favas um pouco da nossa pretensa importância e haverá a necessidade de nos mantermos de algum jeito firmes apesar de tudo. Não é uma questão de nos mantermos impávidos como colossos, negando tudo aquilo que provém das circunstâncias. Esta é uma idéia muito desagradável e presunçosa, e basta pensarmos na sorte do outrora todo-poderoso Colosso de Rodes ou da outrora memorável Torre de Babel para averiguarmos o quão insuficiente é semelhante coisa. O problema de fundo é, na verdade, aceitar toda uma série de restrições sobre ti mesmo e sobre o mundo, sem deixar de dar prosseguimento a tua vida até quando der. Não um prosseguimento penoso, mas com a bela sensação de pela primeira vez ter percebido como realmente tudo é, como tudo tem de ser e como tudo está em seu devido lugar. Naturalmente, portanto, tudo neste mundo parecerá inacreditavelmente belo e importante, quase necessário, expressão de alguma coisa muito verdadeira, embora talvez obscura para nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso vem às custas de certos sacrifícios. Você aprende, mas aprende quase violentamente. De certa maneira, talvez isso seja um aspecto bem particular do mal, não sei. Porque embora o mundo tenha qualquer coisa de verdadeiro, ele é insuficiente. Repito: não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então tudo se passa mais ou menos como Chesterton um dia escreveu sobre a coragem e a vida. Para sermos corajosos e defendermos valentemente a vida, há de se ter um certo desprezo pela vida. Claro, ele quer dizer que ninguém arrisca a própria vida para salvar a de outro(s) se tiver um apego desmesurado a si mesmo. O que, também é claro, não implica em ser completamente temerário. Acho que em relação a tudo podemos dizer o mesmo. Porque também daremos mais atenção para a importância das coisas à medida em que delas nos afastarmos um pouco. Se você percebe a tua inferioridade, saberá bem teus limites, e assim poderá ser melhor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, ficou este post maior do que eu imaginava. Embora ainda pequeno, termino por aqui, deixando-o assim todo mal-cuidado e exposto às contradições. Inté.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-116641870304933002?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/116641870304933002/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=116641870304933002&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116641870304933002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116641870304933002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2006/12/rascunho-de-post-sobre.html' title='Rascunho de post sobre...'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-116555576523150220</id><published>2006-12-08T02:56:00.000-02:00</published><updated>2006-12-08T03:37:08.620-02:00</updated><title type='text'>À Cris</title><content type='html'>Cris,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei escrever algo ontem e hoje, mas nada conseguia, até que pensei no seguinte. Os anjos levaram a bebezinha para junto dos pequenos santos inocentes, onde todos estão reunidos para a maior glória do Nosso Senhor Jesus Cristo. Porque estar bem aqui é passageiro e quase estranho, já que a gente não casa bem com este mundo. O que perdemos causa dor, mas por que haveríamos de ter algo? Se então temos algo, isso é já por si inexplicável e maravilhoso, e só há razão para agradecermos, mesmo que seja por pouco tempo. E se a bebezinha não pode estar mais aqui, está, com toda a sua inocência, com todos os anjinhos do Paraíso e amparada por Jesus Cristo. E lá do alto acho que todos estão unidos para te ajudar, e quanto mais você pedir auxílio, mais te darão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por coincidência, escrevo no dia da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem. Como você, ela foi mãe, e teve também de suportar as dores da perda do filho amado. Mas eu diria que da mesma forma que a Virgem pode suportar a perda do filho amado e reencontrar a alegria por causa de sua fé e dos desejos profundos de Deus, tua fé te servirá para suportar com firmeza a perda da pequenininha, porque nada existe sem a vontade de Deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tempo de tristeza e tempo de alegria. Se a filhinha não está mais entre nós, o que te causa tristeza, certamente ela está já nos braços de Deus, o que é motivo de alegria. Se não é possível você ensiná-la tudo de lindo que há no mundo, ela por outro lado está cercada da verdadeira beleza que está no Céu. Se não correrá mais aqui no parquinho, correrá no Paraíso junto a todos os outros pequenos inocentes. E eu diria até mais. Porque se a fé não for vã e houver a ressurreição, a bebezinha estará então a tua espera quando Nosso Senhor enfim retornar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdão por não ter me expressado de um jeito mais adequado, porque foi menos por vontade e mais por falta de capacidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que Jesus Cristo proteja a todos nós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um beijo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cassiano&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-116555576523150220?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/116555576523150220/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=116555576523150220&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116555576523150220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116555576523150220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2006/12/cris.html' title='À Cris'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-116494621121949005</id><published>2006-12-01T01:19:00.000-02:00</published><updated>2006-12-01T02:22:36.556-02:00</updated><title type='text'>Ainda pau que dá em doido: o relativismo cultural</title><content type='html'>Outro dia eu estava acompanhando uma discussão em uma comunidade do Orkut. A certa altura, alguém disse que não era correto criticar a cultura dos outros etc. Não contente, o camarada ainda disse que era algo nazista tal procedimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ignorar a última frase, porque é cretina demais. Em relação ao resto, supondo que a afirmação feita pelo camarada seja ela mesma alicerçada no plano cultural, provavelmente ele nunca se perguntou sobre o motivo de ele mesmo poder criticar quem critica a cultura dos outros. Além disso, uma coisa é relativizar suas próprias referências para melhor compreender outra cultura e talvez a sua própria. Outra é concluir daí que não existe nenhuma diferença de valor entre quaisquer sociedades. Isso é errado e maluquice pura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse relativismo absoluto é, claro, uma contradição danada. Pode ser também muito nefasto. Porque, a rigor, quem defende uma geringonça dessas tem de estar preparado para aceitar qualquer porcaria que exista no mundo sob a desculpa esfarrapada de ser uma manifestação cultural própria de tal sociedade e que, portanto, o que é correto para ela não é para nós e vice-versa. Assim, se os nazistas teimavam em envenenar judeus e depois incinerar seus corpos, não podemos dizer um "ai", pois aquilo é bom, belo e verdadeiro para eles. Criminosos seríamos nós, que chamamos aquilo de barbárie. O mesmo poderia ser dito quanto a nossa própria sociedade, porque ela é feita dos mais diversos elementos. Um bandido pode virar mocinho e um mocinho bandido graças à mágica do relativismo antropológico, como aliás costumeiramente acontece. Não é verdade que, ao aparecer um bandidão na tv, também aparece algum intelectualerda (termo criado por Corção) choramingando e dizendo que não podemos criticá-lo porque ele é &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;produto&lt;/span&gt; - notem que o termo subentende a falta de liberdade e controle do sujeito de sua própria vida - de circunstâncias ruins, as quais relativizam os atos do sujeito? Por outro lado, se a polícia é dura, não reclamam dizendo que ela tem de ser mais civilizada, pois órgão estatal? Em suma, segundo esse curioso modo de pensar, o policial tem de ser censurado porque ele vive em circunstâncias "boas", enquanto o bandidão não pode ser porque vive em circunstâncias "más". A este, os lírios; àquele, a forca. Da minha parte, milhares de bananas aos intelectualerdas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, nunca vi ninguém usar esse argumento para defender os maiores erros cometidos por cristãos ao longo da história. Nesse caso, vale o mais férreo absolutismo e anacronismo históricos. Quando o asteca abria o peito de um infeliz ainda vivo para retirar o coração pulsante, isso era apenas uma inócua manifestação cultural, quiçá meritória à sua maneira. Mas se o braço secular, instigado pelo Santo Ofício, transformava uma bruxa em torresmo, então isso é a demonstração arquievidente da intolerância e da maldade tradicionais da Igreja e da religião. A bem da verdade, eu até já vi um ou outro sujeito relativizar as práticas do Santo Ofício, geralmente com muita cautela. De qualquer modo, sempre em quantidade incrivelmente reduzida se formos comparar com aqueles que defendem, em nome do tal "relativismo antropológico", as práticas mais estapafúrdias praticadas por povos desapiedados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar, eu diria que quem defende uma idéia dessas faz pouco caso do que é o homem. Não sei se seria um exagero dizer o que direi, mas acho que o homem tem a capacidade de ser uma incrível variação de uma mesma nota. Embora houve, haja e haverá diversos tipos de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ser homem&lt;/span&gt;, todos provavelmente têm um eixo comum. E é a partir desse eixo que possivelmente podemos dizer o que é certo e o que é errado. Quando a coisa é torta ou se desvia demais do que deveria ser, nesse caso poderíamos ser contrários a tal modo deficiente e anormal de existência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-116494621121949005?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/116494621121949005/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=116494621121949005&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116494621121949005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116494621121949005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2006/12/ainda-pau-que-d-em-doido-o-relativismo.html' title='Ainda pau que dá em doido: o relativismo cultural'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-116382609441403026</id><published>2006-11-18T02:04:00.000-02:00</published><updated>2006-11-29T05:29:55.386-02:00</updated><title type='text'>Pau que dá em doido...</title><content type='html'>Questão: se o sujeito não consegue nem mesmo controlar o tamanho do próprio nariz, a cor da pele ou a espinha do rosto, como é que ele vai querer se meter a besta para "reformar integralmente o ser humano"? Novo homem? Se Marx, Hitler e assemelhados tivessem pensado seriamente no peculiar problema de transformar um homem por exemplo em uma galinha, talvez teriam um pouco mais de cuidado com o que escreveram ou fizeram. De qualquer modo, a quem deseja transformar seriamente a natureza humana, se é que esse trem existe mesmo, sugiro em nome da caridade o &lt;a href="http://www.rio.rj.gov.br/saude/pinel/"&gt;Instituto Philippe Pinel&lt;/a&gt;  como moradia sem prazo de retorno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota sobre Heráclito: é aquele que, levando-se em conta aquela história de nunca cruzarmos duas vezes o mesmo rio, devia ser chifrado eternamente, já que sua mulher toda a noite se deitava com um homem diferente. É provável que ele também acreditasse literalmente em troca-troca, porque se tudo muda, se de dia ele era Heráclito, de noite era Heráclita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só começarei a levar em consideração a reencarnação, o racismo e a ideologia no dia em que seus apóstolos humildemente disserem que são de uma raça, espírito ou ideologia inferiores. Alguém já ouviu falar em um entusiástico defensor de uma dessas coisas afirmando o contrário? Bem diz aquele que afirma que a raiz do pecado é o amor-próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A solução para a violência atualmente em voga pode ser resumida nos seguintes pontos: esporte, riqueza e livros. Dito de outro modo, se uma pessoa jogar vôlei, ter dinheiro ou ler um livro, ela será incapaz de cometer crimes. Assim, não é apropriado que a polícia combata ferozmente traficantes pesadamente armados e entricheirados, mas sim o florescimento de quadras de esportes, escolas e bolsas-família, cheques-cidadão etc. Se há relação direta mesmo entre fim da violência e os pontos supracitados, nada mais lógico que em meio a um tiroteio enviarmos o Ronaldinho Gaúcho a fim de coibi-lo, citarmos Malarmé assim que um trombadinha nos ameaçar ou deixarmos moedas de ouro em cada barraco como se fôssemos Papai Noel para que ninguém trafique drogas. E seria lindo imaginar guerras prevenidas ou terminadas pela declamação de um canto homérico ou por uma bicicleta do Pelé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já ouvi dizer também que combater o tráfico não é alternativa viável porque sempre haverá o danado do tráfico. Quem pensa assim deve achar que um dia ninguém mais roubará ninguém, nem ninguém será mais estuprado ou espancado. Porque se jamais cessar, então seria igualmente ridículo combater os estupros, os espancamentos e os roubos. Quem diz uma coisa dessas é 2/3 idiota, na melhor das hipóteses.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-116382609441403026?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/116382609441403026/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=116382609441403026&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116382609441403026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116382609441403026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2006/11/pau-que-d-em-doido.html' title='Pau que dá em doido...'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-116236396746376661</id><published>2006-11-01T03:26:00.000-03:00</published><updated>2006-11-01T03:52:47.690-03:00</updated><title type='text'>Uma opinião de Goethe sobre a literatura</title><content type='html'>Vou abrir o mês com Goethe. A passagem a seguir é do livro de Eckermann chamado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Conversações com Goethe&lt;/span&gt;. A tradução é de Luís Silveira pela editora portuguesa (bela terrinha!) Vega. Aliás, por que geralmente as pessoas só dão bola para literatura inglesa ou americana e deixam de lado a espanhola e alemã? Mas vejamos a interessante passagem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Quarta-feira,&lt;br /&gt;15 de Outubro de 1825.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui encontrar esta tarde com Goethe muito bem disposto e tive a satisfação de ouvir mais uma vez da sua boca opiniões importantes. Falamos do estado da nova literatura da qual Goethe disse as palavras que se seguem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Falta de caráter de cada uma das personagens que investigam e escrevem", disse ele, "é a origem de todos os males de nossa literatura hodierna."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Especialmente na crítica esta falta de caráter é prejudicial, pois espalha falsidades com o nome de verdades ou nos dá uma pobre verdade às custas de coisas grandiosas, que nos fora bem mais grato conhecer completamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Até hoje o mundo acreditava no sentido épico duma Lucrécia, de um Mucius Scaevola e agitava-se e entusiasmava-se por eles. Mas eis que vem agora a crítica histórica e diz que tais personagens nunca viveram, e que não passam de ficções e fábulas criadas pelo alto espírito dos romanos. De que nos serve, porém, uma verdade tão pobre?! Se os romanos foram suficientemente grandes para efabular tais coisas, devemos também ser pelo menos tão grandes que nelas acreditemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Até hoje tinha sido para mim sempre um prazer acreditar num episódio do século XIII, aquele em que o Imperador Frederico II, tendo tido de tratar assuntos com o Papa, deixara a Alemanha do Norte aberta a incursões inimigas; hordas asiáticas penetraram nela e chegaram até a Silésia; mas o Duque de Leignitz derrotara-as completamente. Os asiáticos dirigiram-se depois para a Morávia, mas foram aí batidos pelo Conde de Sternberg. Estes heróis viviam na minha imaginação como os grandes salvadores da Nação Alemã. Mas agora vem a crítica histórica e diz-nos que estes heróis se sacrificaram inutilmente porque o exército asiático retiraria em breve e se afastaria por si próprio. Assim se reduz ao nada um grande episódio patriótico e ficamos desolados por completo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois destas opiniões sobre críticos da História, Goethe falou acerca de investigadores e escritores doutra espécie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nunca teria conhecido a miséria dos homens e sabido como poucos se preocupam com os grandes objetivos", disse ele, "se não tivesse feito a prova com os meus estudos de ciências naturais. Reparei que para a maior parte deles a ciência só importa como modo de vida e que adoram até o erro desde que à custa dele possam viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Com as Belas Letras o caso não é diferente. Também nelas os grandes ideais e o sentido puro do que é verdadeiro e bom e o desejo de expansão destas coisas raras vezes surge. Elogia-se e suporta-se um segundo, porque se quer ser também suportado e elogiado por ele, e a verdadeira grandeza não importa a estes literatos que até gostariam de a extinguir do mundo, justamente para que eles pudessem conseguir a importância que não têm. A massa geral é assim, e os que dela sobressaem não são muito melhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A. W. von Schlegel poderia ter sido muito importante dado o seu gênio e erudição enciclopédica. Mas a sua falta de caráter não permitiu que a nação recebesse a extraordinária influência dele nem que lhe desse a atenção devida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Precisamos de um homem como Lessing; donde vem a grandeza deste senão do seu caráter e de sua constância! -- Homens tão inteligentes e tão cultos como ele há em quantidade; mas onde há um caráter desta natureza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Há muitos homens inteligentes e bastante sabedores, mas simultaneamente tão cheios de orgulho que gostam de se fazer admirar pelas massas de curta visão como pessoas espirituosas, e não se envergonham nem se temem de nada, nem consideram coisa alguma sagrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Por isso tem muita razão Madame Genlis quando protesta contra as liberdades e gracejos de Voltaire, pois, em boa verdade, por muito cheios de espírito que sejam nenhuma melhoria trouxeram ao mundo e nada sobre tal fundamento se pode construir. Antes, pelo contrário, pode ser bem prejudicial, porque desnorteia os homens e lhes tira o apoio indispensável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E para mais -- que conhecimento alcançamos, e que objetivos conseguimos com todos os nossos motejos?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O homem não nasceu para resolver os problemas do mundo, mas sim para investigar a que importa o problema e parar logo nos limites do que é compreensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Medir os problemas do Universo não é coisa permitida às suas faculdades e querer trazer ao mundo razão é para as suas possibilidades trabalho em vão. A razão dos homens e a razão de Deus são duas coisas muito diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quando defendemos a liberdade do homem fazemo-lo sob a égide da omnisciência divina, pois visto que Deus sabe o que eu farei, terei de proceder como ele sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Digo isto só como sinal do pouco que sabemos e de que se não deve tocar nos segredos divinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Devemos também só exprimir pensamentos superiores que tragam bem ao mundo. Os outros devemos conservá-los para nós, e devem iluminar aquilo que fazemos com um modesto raio de Sol, quando se vai esconder no poente."&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-116236396746376661?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/116236396746376661/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=116236396746376661&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116236396746376661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116236396746376661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2006/11/uma-opinio-de-goethe-sobre-literatura.html' title='Uma opinião de Goethe sobre a literatura'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-116011022245225371</id><published>2006-10-06T01:47:00.000-03:00</published><updated>2006-10-06T01:50:22.470-03:00</updated><title type='text'>O que você vai ser quando crescer?</title><content type='html'>Geralmente, quando somos pequenos, gostam de nos perguntar assim: “O que você vai ser quando crescer?” São tantas as opções que às vezes não damos uma, mas várias respostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha lembrança mais remota de quando me fizeram esse tipo de pergunta é da época do meu judô. Já faz um belo tempo. Acho que eu tinha por volta de uns sete anos. Foi quando o professor Ary, um desses sujeitos brincalhões que não perdem a oportunidade de uma distração, pediu para que deixássemos os tai otoshis e ippon-seoi-naguês de lado e disséssemos o que queríamos ser quando crescêssemos. Cada criança, sentada que nem japonês no tatame, foi dando a sua resposta, até chegar a minha vez:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você, Cassiano, o que vai ser quando crescer?&lt;br /&gt;- Astronauta, pipoqueiro ou motorista de ônibus! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele achou uma graça danada das minhas respostas. Eu havia respondido quase no automático, parecido com a vez em que me perguntaram, dia desses, qual era, na minha opinião, a mulher mais bonita:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E para você, qual é a mulher mais bonita?&lt;br /&gt;- Monica Bellucci, Ava Gardner e Audrey Hepburn!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que gosto de responder uma pergunta com variantes desde pequeno. Não faço muita idéia do que diria se me perguntassem o mesmo quando era pequeno. Mas me arrisco a cogitar uma opção:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mocinho, qual é a mulher mais bonita do mundo?&lt;br /&gt;- Mamãe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só quando a gente cresce mais um pouco é que começa a entender que mãe, tia, prima, esposa e filha são modalidades de um tipo de ser: a mulher. Mesmo quando estamos mais grandinhos, às vezes esquecemos dessa constatação óbvia e que tem várias conseqüências importantes. Mas naquela época eu era pequeno demais para ser magnetizado pelos encantos do belo sexo. Mamãe era a mulher mais bonita do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que o professor chegou a fazer algumas perguntas sobre como é que eu ganharia dinheiro com aquelas profissões... ou será que me perguntou como é que eu faria para ser astronauta no Brasil? A memória agora me trai. É certo que considerações de ordem monetária jamais passaram pela minha cabeça quando respondi, como de certa forma não passaram quando coloquei os pés na faculdade de História, o que já faz parte do passado e é outro assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que quase toda criança um dia já quis ser astronauta. Pelo menos o meu caso confirma. Na verdade, eu ora dizia que queria ser astronauta, ora dizia que queria ser cientista. Antes que o leitor pergunte que tipo de cientista, respondo que eu não fazia a menor idéia. Que eu me lembre, para mim cientista era um sábio que ficava num laboratório fazendo experiências, cercado por um monte de instrumentos, líquidos coloridos e ajudantes, sempre descobrindo alguma coisa nova. Ele adorava (presumia eu) misturar as substâncias mais díspares (e coloridas) possíveis, sempre descobrindo uma terceira a partir das duas anteriores. Nesse sentido, acho que o que eu entendia por cientista era na verdade um alquimista. Corrobora a hipótese o fato de eu vez ou outra misturar o que havia no banheiro para ver o que acontecia. Por exemplo, eu pegava pasta de dente, xampu, misturava com talco e pingava umas gotas de água, esperando surgir bem diante de meus pequeninos olhos algum fenômeno assombroso jamais visto antes. Como estranhamente nada acontecia, eu várias vezes mudava a proporção das substâncias empregadas no experimento, supondo que a causa do erro fosse a dosagem errada. Às vezes menos talco, outras vezes mais, outras tantas uma quantidade diferente de xampu e água... O máximo que constatei foi o surgimento de uma pasta de cor estranha na pia do banheiro e com cheiro e gosto igualmente esquisitos. Sim, é verdade: além de tudo, eu era cobaia dos meus próprios experimentos, como da vez em que tive a ingrata idéia de meter o dedo na tomada para saber o que aconteceria. Infelizmente, com exceção do choque causado durante o teste da tomada, a natureza jamais se manifestou ante as minhas provocações, e acabei abandonando a vocação devido ao tédio e ao orgulho ferido. A ciência jamais terá noção do talento que perdeu por causa de seus caprichos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a ser pipoqueiro, era evidente que eu queria é comer pipoca. Jamais levei em consideração questões de ordem econômica a fim de saber como é que raios eu iria ganhar dinheiro consumindo toda a mercadoria. E se eu levasse tais preocupações em consideração, certamente eu seria uma criança deveras anormal. Outra coisa que me levava a cogitar a respeito desse emprego era o intrigante carrinho de pipoca. Ele me parecia meio misterioso. Aquela produção incessante de pipoca me dava o que pensar. Como aquele carrinho produzia sempre pipoca? Por analogia, eu também cogitava com meus botõezinhos acerca da existência de carrinhos de outras comidas. Todas, é claro, gostosas. Quem é que ia querer saber de um carrinho que fabricasse incessantemente fígado ou língua de boi? Eu me perguntava se haveria algum que produzisse pizzas. Como eu nunca encontrava carrinhos desse tipo, mas cansava de ver os de pipoca, me parecia muito correto que o único tipo de comida que podia ser feita por um carrinho era a pipoca, embora as razões desse fato não me estivessem acessíveis. Ora, sem querer me gabar, o leitor talvez tenha percebido que eu aplicava certa metodologia científica nesse caso, embora ela fosse meio capenga, já que eu me lixava para a teoria explicativa sobre a existência dos carrinhos de pipoca em detrimento dos de pizza. Eu só recolhia dados. Se acaso o leitor for pesquisador, talvez possa formular alguma teoria a respeito e explicá-la para as crianças. Me furto a tão trabalhoso exercício porque agora estou preocupado tão-somente em relatar quais eram as minhas vocações mais antigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falei do pipoqueiro e do astronauta/alquimista. Contudo, a profissão que eu gostava mesmo era de motorista de ônibus. Eu achava a coisa mais legal do mundo ficar passeando para lá e para cá de ônibus. Eu disse “passeando”? Porque, na verdade, eu ficava é imitando o motorista. Gostava tanto de andar de ônibus que fazia questão de sentar naquele banco mais perto do motorista só para vê-lo dirigindo. Quando ele girava o volante, eu fazia um movimento semelhante no apoio em frente ao banco. Quando ele abria a porta para os passageiros, eu fingia que apertava um botão. Até o barulho da porta eu imitava, fazendo um TSSSHHHhhh! quando ela abria ou fechava. Os motoristas gostavam de mim. No ponto final eu era o primeiro a entrar. Mas tenho de confessar uma coisa. Que me perdoem os simpáticos motoristas, mas era eu quem dirigia os ônibus. Os motoristas eram só ajudantes que me substituíam quando eu tinha de ir embora. Era um emprego tão bom que eu labutava voluntariamente. Se eu exigisse hoje honorários não pagos, o sistema de transporte público do Rio de Janeiro entraria em colapso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gostava tanto de ônibus que uma das brincadeiras minhas prediletas era pegar um monte de carrinhos, colar neles o itinerário de todos os ônibus que eu porventura lembrasse e sair brincando pela casa como se ela fosse a cidade inteira. Eu era bastante criterioso. Passava não sei quanto tempo escrevendo quais eram os pontos finais de cada um dos ônibus, colava o itinerário na frente e ao lado dos carrinhos com fita durex, não permitia que os que transitavam em bairros diferentes se encontrassem (por exemplo, o 456 ficava no quarto e o 574 na sala), tentava, na medida do possível, casar as cores dos carrinhos com as das viações (se os passageiros vissem um 401 amarelo, poderiam confundir com o 170)... ah sim, e fazia questão do TSSSHHHhhh! Eu abstraía as ruas a partir do chão de tacos do meu antigo apartamento. E assim eu passava um tempão distraído, sendo uma espécie de secretário dos transportes públicos especializado em tráfego de ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso ao leitor que até hoje nutro alguma simpatia por esse tipo de transporte, embora não faça mais os TSSSHHHhhh! quando a porta abre e fecha, nem fique ao lado do motorista imitando-o, até porque se eu ainda fizesse tal gênero de coisas, certamente seria considerado uma pessoa excêntrica ou debochada – ou bêbado, maluco, ou ambos. E só para constar, não tenho mais vontade de dirigir ônibus. Também nunca tive muita vontade de aprender a dirigir carro ou moto. Me contento em ir andando sempre que posso de um canto a outro. Dependo sempre de condução, embora o horário do ônibus e o conforto da viagem não dependam nenhum pouco da minha vontade. Logicamente um carro poderia ser vantajoso, mas digamos que ainda não surgiu a necessidade de ter um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a vontade de dirigir um ônibus desapareceu, como desapareceu a vontade de ser pipoqueiro, ainda que eu continue gostando de pipoca, a simpatia pela ciência permaneceu. Mas permaneceu hibernando, por assim dizer. Porque se a minha vocação me levou para um outro rumo, nunca cheguei a desgostar dela. A cada dia que passa mais tenho gostado da ciência. Admito, contudo, que hoje em dia o seu encanto é diferente. Não acho mais uma coisa tão monstruosamente impressionante como achava quando tinha sete anos. Ainda que eu tenha nascido ontem, nesse pouco tempo de vida venho percebendo que sábio e cientista só de vez em quando se encontram. Mais: é meio difícil encontrar um intelectual inteligente. Às vezes encontramos um sujeito inteligente que não é intelectual, outras vezes um intelectual nada inteligente, e chegamos até a encontrar muitos que manifestam a tolice mais rasa, pois mesmo a tolice tem alguma profundidade. Não me pergunte o leitor a razão, mas hoje em dia é corriqueiro observar a burrice trotando onde há intelectuais, principalmente em seu principal celeiro: a universidade. Em todo o caso, já passei dos ingênuos tempos em que acreditava que cientista era sinônimo de sábio e ciência de sabedoria. Sem querer menosprezar a ciência e sem querer dar um testemunho público e ridículo de amor-próprio, eu diria que ela parecia muito grande porque eu era muito pequenininho. Agora que cresci um tantinho, ela não me parece mais tão grandona como antigamente. Justamente por eu crescer um tantinho, passei a ver certas coisas que meu diminuto tamanho não me permitia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de pensar em ser astronauta-cientista-alquimista, pipoqueiro e motorista de ônibus, o que mais eu gostaria de ser quando crescer? Ah, se eu puxasse pelo fio da memória, é provável que surgissem outras opções sem parar. É como fusca de palhaço: sai gente sem parar. Essas recordações, no entanto, não deixam de ser aparentadas com a senhorita melancolia, porque apresentam uma série de Cassianos postos de lado com o passar do tempo em prol deste aqui que vos escreve, leitor. Onde será que está o Cassiano motorista de ônibus? E o pipoqueiro? E o motorista de ônibus? Para onde foi toda essa gente? Ou será que estão todos aqui, dormindo, só hoje exigindo direito de se expressar, meio sonolentos? Deixemos essas especulações existenciais para outro instante, até porque este Cassiano atual quer fazer outras coisas da vida. E tenha um bom dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-116011022245225371?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/116011022245225371/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=116011022245225371&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116011022245225371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/116011022245225371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2006/10/o-que-voc-vai-ser-quando-crescer.html' title='O que você vai ser quando crescer?'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-115926106770511736</id><published>2006-09-26T04:58:00.000-03:00</published><updated>2006-09-26T06:04:40.070-03:00</updated><title type='text'>Duendes atacaram meu PC, mas em troca dou piparotes</title><content type='html'>Sim, é verdade: duendes estão atacando meu PC. Agora mesmo vi um desses infelizes se escondendo atrás da torre, porém quando fui acender a luz já era tarde demais. Parecem o Batman com essa mania de desaparecer de repente. Gente extremamente mal-educada ("sem humanidade alguma nem conhecimento da vida civil", diria Cícero). Como se já não bastasse o fato de terem acabado com meu mouse. É um inferno mexer no PC sem o mouse, mas a necessidade nos obriga a aprender. (Na verdade, em circunstância assim, se a necessidade fosse realmente tão necessária ninguém aprenderia nada. Isto até que dá um bom post, mas deixemos por enquanto de lado.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses dois últimos anos foram de reformulações forçadas. O monitor, aparentemente com problemas, me forçou a comprar um novo. Em seguida a placa-mãe pifou. Depois, nem mouse nem teclado serviam para a nova placa-mãe. Algum tempo depois tive de comprar outra placa-mãe. Aí o HD fez questão de pifar. Por último, há dois dias o mouse morreu. Tudo isso num intervalo de menos de dois anos. Em homenagem ao mouse, vou depois escutar algum réquiem, sim, a ele, assassinado por duendes, duendes homicidas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais estranho é que não em poucas vezes de repente me pego tateando bem ali onde ficava o mouse. Sinto saudade do amiguinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se minha preguiça deixar, amanhã (digo "amanhã" porque muito embora hoje já seja terça, meu dia oficialmente só termina quando durmo e começa quando acordo, de modo que meu calendário se desvia ligeiramente do calendário comum, o que talvez me faça ser uma espécie de super-homem das datas - übermenschenkalender), digo, amanhã ou quarta compro outro. E por falar em preguiça, compartilharei com o leitor um dos meus maiores temores. Ei-lo: ser abraçado por um bicho-preguiça. É verdade. Eu, o übermenschenkalender, sinto temor e tremor só de pensar nessa criatura. Aquele seu modo vagaroso parece dissimular algum embuste. Ela parece ardilosa. Associo a um capanga do Fu-Manchu. Não me perguntem a razão dessa extravagância. Mas não é por isso que temo aquele animal. É que não lembro onde ouvi dizer que se esse bicho te abraçar, cravará as unhas em ti e só te soltará se cortarem seus braços. Que coisa angustiante! É por isso que achei no mínimo uma temeridade quando vi um sujeito perto de uma preguiça em um comercial que agora não lembro mais qual. Aliás, já percebeu o leitor que toda a idéia que tentamos relembrar mas que toda hora nos escapa tem algo de feminino? A mulher, a boa mulher, tem algo de esguio, de fugidio. Algumas exageram até demais. Outras de menos. O curioso é que geralmente a mulher cujos traços parecem mais ariscos tem a tendência de ficar com os homens mais prosaicos. Geralmente as pessoas pensam que é por uma equação monetária que elas se casam com homens assim. Na verdade, tais pessoas trocam a conseqüência pela causa. Mas... isto é assunto também para outro post.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, escrevo essas coisas todas para demonstrar a vocês, duendes, que não os temo, por mais homicidas que sejam, por pior que seja a aparência de mata-mouros que possuam. E se não gostarem desse meu destemor, então digo como dizia o bom escritor: piparotes!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-115926106770511736?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/115926106770511736/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=115926106770511736&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/115926106770511736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/115926106770511736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2006/09/duendes-atacaram-meu-pc-mas-em-troca.html' title='Duendes atacaram meu PC, mas em troca dou piparotes'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-115906297007260958</id><published>2006-09-23T21:14:00.000-03:00</published><updated>2006-12-03T09:07:18.830-02:00</updated><title type='text'>O aborto ou: por que política em excesso é ruim?</title><content type='html'>Meu computador já está bom. Aliás, está bom faz um tempinho. Resolvi tirar férias do blog. Coincidentemente, acabei retornando junto com a Primavera. Que interessante acaso, não? De todo modo, se o leitor tiver se sentido ofendido por tamanho desleixo de minha parte, peço sinceras desculpas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, ninguém que se ocupa de escrever e ler, mesmo que de um modo tão amador, pode dizer que está de férias. Porque coisas desse tipo são feitas justamente quando o tempo está vago, isto é, nas horas de descanso e quando o homem está apenas consigo mesmo. Um homem que realmente lê tem necessidade de ler. Daí que se ficar mais de três dias sem pegar em algum livro já começa a sentir um progressivo desconforto. Chega mesmo a se considerar mais próximo da burrice. E a diferença do sábio para o tolo, como já dizia Ortega, é que o primeiro se vê a dois passos da burrice, concentrando todos os seus esforços para dela se afastar. O tolo é narcisista, compraz-se consigo mesmo, ignorando o que há além de sua visão míope. O tolo, portanto, passa uma calma e tranqüilidade quase invejáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria dizer outra coisa (caso o diacho do mosquitinho que está me infernizando deixe). A inspiração vem do comentário do post abaixo, onde um gentil anônimo citou parte de um texto recente do Olavo de Carvalho sobre o aborto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esses últimos dias tenho atazanado amigos por e-mail sobre o perigo de elegermos Lula e Jandira Feghali, candidata ao Senado no Rio de Janeiro pelo PC do B. Ambos venderam suas almas para implementar o aborto no nosso país. Talvez o leitor conheça melhor minha posição porque escrevi sobre o aborto faz um tempinho aqui mesmo no blog. Mas não é sobre isso que quero comentar agora. É que me espanta a violência da atual circunstância brasileira. Ela é de tal modo ensandecida que um sujeito como eu, que não sente o mínimo prazer em discutir sobre política, de repente se vê na obrigação de dizer alguma coisa a respeito. E não só uma vez, mas reiteradas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há certas ocasiões onde é preciso agir politicamente. Mas a peculiaridade de nossa época é que somos obrigados a viver permanentemente sob a tutela política, queiramos ou não. Somos como guardas de uma fortaleza assediada constantemente. Isso é um indício de um mal pior. Porque a política não é uma necessidade. Ela não pertence àquele último estrato para o qual as nossas energias se dirigem em busca do sentido da vida. A política é algo prosaico demais para se prestar à satisfação das ansiedades mais profundas que temos. Quando ela se converte em necessidade, em componente integral de um impulso profundo, há necessariamente um falseamento da vida. Questões de grande gravidade continuam a existir, porém sem tratamento adequado. Tudo é compreendido de modo torpe, quer dizer, apenas tendo como finalidade o lucro político. Já falarei sobre a falsidade intrínseca disso. O cúmulo é a politização radical da vida e até da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é mais triste é a aridez mental que a política pode provocar nos jovens. Há idades para tudo. Quem é novo não deve empregar suas principais forças em algo desse tipo. Primeiro, como já disse, porque não é algo imprescindível. Segundo, porque a política é apenas o desembocar de mil e uma atividades precedentes. Antes de buscar a reforma de todas as coisas, temos de nos preocupar com o nosso próprio interior. Mas o que ocorre é que nós jovens somos estimulados a buscar a modificação de todas as coisas. Primeiro se cria uma atmosfera de indignação ante o atual estado das coisas. Depois vem a excitação da vontade de modificar tudo. Então a gente age de modo estabanado, podendo permanecer assim para o resto de nossas vidas. Fechamo-nos tão só para esse aspecto, ignorando solenemente os demais. Mais de um jovem de talento se perdeu nesse afã ensandecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez para a política valesse o mesmo que para a filosofia segundo o velho adágio &lt;span style="font-style: italic;"&gt;primum vivere, deinde philosophari&lt;/span&gt;, primeiro viver para depois filosofar. Trocar os pés pelas mãos nessa situação significa apenas se ater a um palavrório destituído de significado. É ser seduzido pelo encanto que as palavras por si evocam, sem se ater realmente para o conteúdo. Essa é a máquina por excelência da destruição da inteligência e do analfabetismo funcional. O maior e mais flagrante exemplo disso é o problema do aborto. Pessoas como nosso presidente e a candidata ao Senado correm para legislar acerca do direito de vida ou morte que a mãe pode ter sobre seus filhos. Suponhamos que não sabemos se realmente o feto é uma pessoa. Há um problema filosófico para ser resolvido, porque não é da alçada da física nem da biologia. Essas ciências nobres apenas resvalam sobre esse tipo de problema. A virtude delas está precisamente em cumprir bem seu papel, ainda que nada possam dizer sobre questões mais tipicamente humanas. E antes disso há o problema fundamental da escala de valores, que implora também um tratamento filosófico adequado e diferenciado. Antes de nos atirarmos nessa aventura, antes é necessário algum virtuosismo interior. Quero dizer com isso que é necessário todo um treinamento que fortaleça nosso interior a fim de que, uma vez devidamente organizado e preparado, comece a alçar vôos mais altos, da mesma forma que a tensão enorme do arco permite que a flecha voe mais distante. Nada disso provém de questões utilitárias, e a política é o utilitário por excelência. O problema do aborto é discutido na maior parte das vezes tão somente tendo como base questões utilitárias.  Ora, questões dessa natureza sempre buscam adaptar a coisa discutida segundo os meios propostos. Isso nada mais é que falseamento. Porque o objeto não é visto em si mesmo, mas segundo alguma conveniência. O que lhe é exterior lhe força a se transformar em algo diverso de si mesmo e mais próximo do que é exterior. O problema todo da discussão do aborto é precisamente esse: parte de um falseamento radical. É tratado sob um ponto de vista eminentemente utilitário, ou, em outras palavras, eminentemente político. Daí que a discussão seja viciada intrinsecamente e que aparentemente não tenha mais fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente e a candidata ao Senado fizeram desse falseamento radical a razão de suas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que a política acaba se convertendo em algo terrível para o jovem. Ele acaba se apressando em julgar as coisas sem antes ter tido o devido desenvolvimento, ou melhor, amadurecimento de certas faculdades que, após milhões de giros, desembocarão só acidentalmente na política. E a pior coisa que pode haver para a educação dos jovens é comprometer suas almas desde a raiz na falsidade. Todos os erros subseqüentes (e haverá muitos, em progressão geométrica) surgem desse erro primordial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próprio Platão tinha toda a cautela para a formação de seu político, chegando ao cúmulo de propor que só os filósofos deveriam reinar. O mesmo filósofo também dizia que a própria dialética não era assunto para jovens com menos de 25 anos: para eles, ginástica e ginástica. Platão parece ter compreendido bem o espírito juvenil. Que dizer de nossos políticos, que insistem em criar em seus partidos núcleos que absorvem o que há de melhor nos jovens, dando-lhes em troca um deserto espiritual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já me alonguei demais e já toquei em assuntos que saíram até demais do tópico do texto. Fica aqui, depois de voltas e mais voltas, meu gemido. Espero ansiosamente que chegue logo o dia em que possamos sossegar nosso facho da política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei uma revisada muito &lt;span style="font-style: italic;"&gt;au passant&lt;/span&gt; no texto. Achei que haveria lugar para um outro assunto, pois tem alguma relação com o que escrevi. Vejamos rapidamente umas três ou quatro palavrinhas sobre a democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há regimes que simplesmente descuidam da opinião do povo. Há outros que transformam a opinião do povo na mais tacanha tirania. Entre os dois extremos, isto é, entre o enorme desleixo e a enorme opressão, suponho que a democracia seja o meio-termo ideal. Pois ela tempera todos os homens para um saudável comprometimento político. As pessoas nem são deixadas ao Deus-dará, nem são completamente absorvidas pelos afazeres políticos. Elas não precisam ser politizadas até a medula num regime deste tipo, e isto é muito bom. A política tem o seu devido reconhecimento, o que equivale a ter seus limites próprios claramente dispostos. Além disso, de modo geral, a democracia acaba exigindo uma maior responsabilidade das pessoas para os assuntos em comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses rápidos apontamentos que mencionei sobre a democracia pressupõem muitíssimas coisas. Não interessa para nós agora todos os seus pressupostos. Quero apenas chamar a atenção do leitor para este ponto importante: que a democracia não tem uma natureza por si mesma, não é um antes de mais nada, porque é produto de muitíssimas outras coisas. Sua existência é precária por natureza. Daí que não é lícito sermos antes de tudo democratas. Seria ridículo, tão ridículo quanto se fôssemos antes de tudo botafoguenses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mais imporante aplicação prática deste princípio, segundo o qual aquilo que é secundário e precário dependende daquilo que lhe é anterior e mais estável, pode ser mais ou menos resumida assim: de nada adiantará nos atermos a certas formalidades se elas não têm qualquer força que lhes dê vida interior. Voltando ao caso da democracia, eu diria que o Parlamento, o Ministério e o voto popular na verdade são como uma espécie de signos. Eles são manifestações visíveis de algo que não é palpável, de uma idéia. É essa idéia que lhes dá vida e sentido. Se por um acaso há uma dissociação entre essa idéia e seus signos correspondentes, estes começarão a não mais fazer sentido e por fim morrerão. Daí que a defesa da democracia não se dá apenas com a preocupação com o Parlamento, com o Ministério e com o voto popular. Há muitos exemplos de tiranias que mantiveram tudo isso. Só que o espírito por trás era completamente outro. Os imperadores não aboliram o Senado. O próprio Hitler manteve deputados e periódicas consultas populares. Tornaram-se meras sombras, alusões a algo que ninguém mais entendia direito. Este é o caminho melancólico de muitas coisas do homem. O que antes esbanjava vitalidade acaba esmorecendo e só permanece como fetiche. É precisamente este um dos maiores perigos da democracia, cujos efeitos já podem ser notados há bastante tempo. Ela vem se tornando um enorme fetiche, uma espécie de fórmula mágica que ninguém entende direito mas que produz um agradável encantamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente o assunto terá de ser deixado de lado meio que abruptamente. Peço desculpas mais uma vez ao bondoso e paciente leitor. Estou com um sono terrível (são agora 5h17 e estou bem mal dormido). Além do mais, este assunto é bem complicado. Quem sabe se um dia o retomo mais decentemente? Até, leitor, tenha um bom dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-115906297007260958?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/115906297007260958/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=115906297007260958&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/115906297007260958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/115906297007260958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2006/09/o-aborto-ou-por-que-poltica-em-excesso.html' title='O aborto ou: por que política em excesso é ruim?'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-115631652353968662</id><published>2006-08-23T02:12:00.000-03:00</published><updated>2006-09-04T03:03:36.540-03:00</updated><title type='text'>Variados</title><content type='html'>Meu PC, para variar, está ruim. Vai de novo para o conserto. Portanto, sabe-se lá Deus quando vou escrever aqui de novo. Mas como ele aparentemente me deu hoje uma bela folga, vou aproveitar, muito embora eu saiba do perigo que é cantar vitória antes do tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O perdão. O leitor já parou para pensar nessa prática admirável? Através do perdão nossos erros são apagados. O pecador se torna inocente. O ódio e o ressentimento se convertem em amor. O inimigo se torna leal companheiro. Tudo, tudo isso através dessa simples idéia: o perdão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que se tal é pecado, conseqüentemente tal será a penitência. Se gravíssimo o pecado, pesadíssima a penitência. E isto é belo. Porque não há mal tão grande que não seja passível de cura, exceto um: ter fé na impossibilidade de ter fé. Em outras palavras: ignorar clamorosamente a possibilidade de ser salvo. Ora, o perdão é um excelente indício de nossa liberdade. Negar o perdão é negar a liberdade e o amor. É o pior mal que há, o único que não é passível de perdão, como não poderia deixar de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu diria ainda mais. Dizem que fazer um cego enxergar é um milagre. Dizem que trazer à vida um morto também é milagre. Que dizer então de apagar a mancha do erro do espírito? Alguém comete um erro e apenas com perdão e penitência se redime: não é isto admirável? Você se virar para alguém e desculpá-lo, e então realmente a culpa se extinguir, isso tudo não é sublime? Os santos praticam milagres mais vistosos, mas também fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Temos algo de santo em nós. E prova disso é justamente isso: praticamos milagres o tempo todo, porque apagamos os erros alheios, enquanto quem apaga os nossos é Deus. E tão natural é essa santidade que nem notamos a sua enorme gravidade. Feliz quem pratica o bem como respira, tão naturalmente que nem percebe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou noivo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se por um acaso o leitor se lembrar, há tempos atrás eu disse que me casaria com a leitora que me desse um livro de Gustavo Corção chamado &lt;em&gt;Dois Amores, Duas Cidades&lt;/em&gt; (se fosse um sujeito que mo desse, apenas um aperto de mão bastaria). Pois não é que uma simpática amiga me deu o bendito livro? Sim, esse livro, que procurei em todos os cantos que pude conceber, armado como cavaleiro e lutando contra dragões. Não pude tomar castelos mas também não perdi minhas armas, o que foi, confesso, um resultado bem medíocre. A moça, pelo contrário, com discrição feminina típica, rapidamente o encontrou e generosamente mo ofereceu. Isto prova que as mulheres têm uma capacidade inata de desperdiçar menos energia que nós homens de boa vontade. A mulher é mais prosaica - uma de suas glórias, e que o leitor inteligente, portanto, não interprete mal minhas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que meus agradecimentos estejam gravados na alma da boa moça - e mais ainda gostaria de agradecer, se possível. Que fiquem eles também registrados aqui no blog. Porém... palavras gravadas no espirito valem mais que em bronze, se é que eu poderia dizer que escrever neste blog é como gravar minhas idéias em bronze.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus amigos, acho que a tragédia da educação é não sabermos nem quais são aqueles primeiros princípios que movem a nossa alma para o saber. Você não saber português, matemática ou biologia é uma coisa. Isto pode ser remediado de uma forma ou de outra. O problema é quando teu espírito não foi bem preparado para que você esteja apto à dedicação do saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tua alma não foi preparada, dê graças a Deus se pelo teu engenho natural você ainda consiga aprender. Mas antes dê maiores graças a Deus, porque você foi provido de algo raro. Talvez eu pudesse até mesmo dizer que foi um golpe de sorte. E mesmo quem tem engenho natural necessita de exercícios constantes. Ora, eu te pergunto: que exercícios você aprendeu sobre como se deve aprender? Meditação, humildade, solidão, ligação entre o saber e a vida... Até que ponto você aprendeu a respeito dessas coisas? Ser uma pessoa voltada ao estudo não é esse oba-boa de entrar na escola e depois fazer faculdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensava sobre isso enquanto folheava o &lt;em&gt;Disdacálicon - A arte de ler&lt;/em&gt;. Obra de Hugo de São Vítor, antiga de uns 900 anos e atual, pois verdadeira. Disse ele logo na primeira parte que basicamente o estudante precisa saber o que ler, a ordem que se deve ler e, por último, como ler. Mas não só isso. O espírito precisa estar preparado. Então Hugo de São Vítor indica vários preceitos necessários para o estudante, alguns dos quais já citei por alto: Ser humilde, dedicado, bom de memória, dedicado à pesquisa, meditativo, ter boa conduta, etc. São esses alguns dos preceitos para que alguém seja um bom estudante. Talvez seja possível resumi-los não muito erroneamente assim: é uma certa disposição de ânimo que pode (ou não) nos ajudar no estudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossos estudos estão entre Caríbdes e Cila. De um lado são praticados com fins utilitários. Do outro, para fins políticos. Como então seria possível salvar nossos estudos e conseqüentemente nossas inteligências sem que naufragassem nesse oceano de imposturas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo que estou vendo, ler Hugo de São Vítor já é um bom caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou atrasado em tudo. Quando comecei a jogar &lt;em&gt;Civilization III&lt;/em&gt;, já haviam lançado o seguinte. Quando comecei a ler contos fantásticos, já era burro velho. Justamente agora, quando comecei a me animar em ter um bloguinho, um monte de ótimos blogs foi acabando. E um atrás do outro. Agora foi o caso do &lt;a href="http://protensao.wunderblogs.com/"&gt;César Miranda&lt;/a&gt;. Isso é muito ruim. De qualquer modo, foi bom lê-los porque serviu como exemplo de como tem gente boa escrevendo por aí. Do jeito que digo parece até que não sobrou mais ninguém, o que é totalmente falso. Mas parece que muita gente foi tomando desgosto da coisa. Só espero não ser o último marido a saber das escapulidas da minha mulher, embora seja preferível que ela se mantivesse fiel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*** &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São quase 3h30 e alguém colocou uma música altíssima. Não era ruim, era só meia-boca. A questão é a seguinte: por que nunca ninguém coloca música alta que seja boa? O leitor já reparou que toda a música que colocam para tocar naquelas caixas de som de carro são horríveis? Lembro que foi assim que ouvi pela primeira vez a Eguinha Pocotó. Por que nunca ouvi assim pela primeira vez um quarteto de cordas? Nunca ouvi alguém aos berros recitando Fernando Pessoa no meio da rua. O barulho na verdade apenas indica o quão desprovido de bom-gosto o sujeito é. É como se gritassem que ele é um barnabé com sua aprovação tácita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Dessa vez será meu último arrazoado, prometo. E me despeço por antecipação do leitor, bom dia.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia desses eu estava vendo um filme onde um casal transava. Transar chega a ser eufemismo, porque era uma sacanagem danada que só. Estranhamente, o que me chamou atenção foi o fato de a mulher usar um cordão com uma cruz. Minha primeira reação foi achar aquilo horrível, porque indicava falta de respeito. Pensei depois um pouco melhor. Ainda continuo achando aquilo uma falta de respeito, mas não deixava de ser algo simbólico. São Paulo já disse uma coisa que Homero, se fosse cristão, alcunharia de "palavra alada". O Apóstolo afirmou que onde abunda o pecado, superabunda a graça. Belíssima frase! A cruz no peito da moça me fez lembrar disso. Ainda que pequemos, ainda assim há a possibilidade de perdão. Deus foi crucificado justamente para nos salvar. Portanto, não há erro tão grave que não seja passível de perdão, exceto aquele que já mencionei mais acima. Mesmo naquela cena onde a falta de respeito à religião mais do que sobrava, aquela cruz tão pequenina e que estava servindo de motivo de escárnio poderia servir como ponte para redenção. A marca da salvação estava ali. O problema era ignorá-la. De qualquer forma, a possibilidade da salvação foi oferecida. Mas sou o último a querer repreender alguém. Foi minha excessiva boa vontade que me fez escrever essas coisas, talvez salpicada com um poquinho de sono.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-115631652353968662?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/115631652353968662/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=115631652353968662&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/115631652353968662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/115631652353968662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2006/08/variados.html' title='Variados'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-115467447941718966</id><published>2006-08-04T02:50:00.000-03:00</published><updated>2006-08-04T04:02:17.250-03:00</updated><title type='text'>Comentário ligeiro sobre a opinião</title><content type='html'>Atualmente Israel está em guerra contra o Líbano, conforme aqueles que têm a paciência de ler um desses jornais chatíssimos sabem. E mesmo que você não quisesse saber de nada, acabaria sendo obrigado a ouvir alguma palavra a respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tipo de obrigação é um mal, em certo sentido, pior que a guerra, porque você é tratado feito escravo e retardado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mentes esclarecidíssimas acham que temos de saber algo? Então temos de aceitar. E se não quisermos? Bem, se houver resistência, você será forçado ainda mais a saber. Você sabe aquilo que acham que você deve saber, ponto. Essa obrigação é de tal modo bizarra que muitas vezes somos nós mesmos que nos sentimos obrigados a ter uma opinião. Isso lembra aqueles mecanismos de controle de mentes no estilo de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;1984&lt;/span&gt;. Agora bem: ninguém é obrigado a ter opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como somos atacados constantemente pelos jornais e suas inúmeras notícias, acabamos nos sentindo, quase intuitivamente, capazes de dizer alguma coisa sobre um assunto qualquer que está a léguas de nosso real interesse e entendimento. Ainda que não houvesse tantas informações em jornais, o simples fato de termos sido alfabetizados nos levaria a ter alguma posição sobre uma série de coisas. O problema é que esse esquema faz com que o sujeito só sirva como retransmissor do que foi dito. É como age o povo. Porque ele é como um sino: quando chocado pelo badalo, repica. É esta uma das características principais do povo, a retransmissão de idéias quando atiçado. Só assim, quando elas estiverem bem espalhadas, haverá como empreendê-las. Todas as loucuras no mundo tiveram início nalgum cômodo gabinete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A educação, neste esquema, é um paradoxo esquisito. Quanto mais gente passa pelas escolas, maior é o número de gente desinformada. Chegamos então na estranha situação onde uma quantidade inacreditável de gente fala demais sem dizer nada. Suas palavras não têm corpo nem conseguem pisar no chão. É o campo predileto da fantasia, ou melhor, do reino do disparate. Ele surge quando uma quantidade descomunal de pessoas se sente obrigada a dizer alguma coisa sem conexão com os fatos ou com seus próprios interesses. As pessoas falam só por falar, cada um contribuindo com seu quinhão para a poluição de idéias. Nessas circunstâncias, o trabalho de quem quer realmente ter uma opinião sincera, pessoal, se transforma em martírio, porque acaba se vendo obrigado a trabalhar incansavelmente nesse imenso entulho a fim de encontrar uma preciosa pérola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Quem quiser saber um pouco mais sobre o problema da opinião e da informação, recomendo as seguintes leituras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Século do Nada&lt;/span&gt;, de Gustavo Corção, pp. 119-138 (felizmente podem ser lidas &lt;a href="http://www.permanencia.org.br/gustavocorcao/Artigos/cientificismo.htm"&gt;aqui&lt;/a&gt;);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) &lt;a href="http://br.geocities.com/oteocrata/biblioteca.htm"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Rebelião das Massas&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, de Ortega y Gasset;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) a palestra do Prof. Olavo de Carvalho sobre a &lt;a href="http://www.olavodecarvalho.org/palestras/2001educacaoliberal.htm"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Educação Liberal&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-115467447941718966?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/115467447941718966/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=115467447941718966&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/115467447941718966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/115467447941718966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2006/08/comentrio-ligeiro-sobre-opinio.html' title='Comentário ligeiro sobre a opinião'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-115369114372092469</id><published>2006-07-23T18:01:00.000-03:00</published><updated>2006-07-23T18:49:59.106-03:00</updated><title type='text'>Mulheres com quem vale a pena se casar: Selma Blair</title><content type='html'>Na última sexta-feira passou na Warner &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Legalmente Loira&lt;/span&gt;. O filme era engraçado, mas não vi todo porque calhou que no mesmo horário passava meu tradicional &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Friday Night Fights&lt;/span&gt;. Se o leitor não conhece, é a tradicional noitada de boxe da ESPN de sexta. (Há também o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wednesday Night Fights&lt;/span&gt; - ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Miércoles de Combates&lt;/span&gt;, dependendo de quem apresenta.) Mas o que me interessou mesmo no filme foi que apareceu uma das moças mais bonitas do mundo. Ela se chama Selma Blair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/3794/601/1600/selma-blair01.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3794/601/320/selma-blair01.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei como eu havia me esquecido dela! Vi um filme dela que não me lembro mais qual. Só lembro que ela era uma fumante. Trabalhava acho que numa empresa. Bom, que importa? Ela podia ser até vendedora de caneta no ônibus. Pena que sou duro, porque se dependesse de mim, aqui haveria uma coleção de canetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, se o leitor ainda não percebeu, este texto é mais para encher lingüiça. Pois quem lá vai preferir ler um monte de coisas ao invés de ficar olhando para uma das moças mais bonitas do mundo, que é Selma Blair? Compare este post com o de baixo e adivinha qual que mais agrada de cara. E vou colocar agora mais uma foto logo abaixo de uma das moças mais bonitas do mundo, Selma Blair. Você não vai mais esquecer esse nome, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/3794/601/1600/selmalrg.1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3794/601/320/selmalrg.1.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Com essa não vale se casar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/3794/601/1600/Selma_Blair.0.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3794/601/320/Selma_Blair.0.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, não resisti. Mais uma aqui ao lado. Só não vale ter inveja, leitora. Admita, tenha bom gosto. Não te esqueça daquela história do belo ter valor trascendental, etc. Ainda mais quando vemos uma das moças mais bonitas do mundo, Selma Blair.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-115369114372092469?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/115369114372092469/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=115369114372092469&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/115369114372092469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/115369114372092469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2006/07/mulheres-com-quem-vale-pena-se-casar.html' title='Mulheres com quem vale a pena se casar: Selma Blair'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-115361588472413309</id><published>2006-07-22T21:31:00.000-03:00</published><updated>2006-07-22T21:51:24.816-03:00</updated><title type='text'>Senso poético</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Nota: O texto é de meados do ano passado, mas eu o reescrevi quase todo hoje.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em certo &lt;a href="http://despoinadamale.blogspot.com/2005_05_22_despoinadamale_archive.html"&gt;post&lt;/a&gt;, Ruy Maia Freitas, do ótimo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;a href="http://despoinadamale.blogspot.com/"&gt;Despoina Damale&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;, disse algo sobre a importância do senso poético. Curiosamente, eu também havia pensado sobre isso, porém em termos um pouco diferentes. Talvez alguém ache até mesmo inusitado o que direi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que eu seja cobrado pelo mais empedernido leitor: que raios eu quero dizer? Vou dar um exemplo que parecerá muito, muito idiota, mas não o é – creia em mim. Digamos que eu, ou mesmo você, faça uma troça ingênua sobre determinado assunto, por exemplo o teatro, afirmando que seria menos pior ele não existir a ser cuspido o tempo todo na platéia. Muito bem. Vamos continuar dando asas à imaginação e suponhamos que um sujeito de humor um tanto canhestro, tendo ouvido a troça, resolva logo em seguida explicar passo a passo a grandeza e o esplendor do teatro, cite de cor inclusive a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Poética&lt;/span&gt;, explique direitinho a história da tragédia, sua relevância para o homem, tudo sem nunca deixar de cobrar exatidão filosofia e quiçá escolástica sobre os conceitos empregados na troça, etc, etc. Ótimo, ninguém duvidaria que quem nos respondesse assim não é uma pessoa de todo mal-informada: quantos seriam aqueles que leram a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Poética&lt;/span&gt; e algo da escolástica? No entanto, e farei uma comparação com a música, é evidente que houve uma desafinação aqui, porque o que eu – ou você – disse com determinado tipo de espírito, em tom de pura galhofa, o nosso amigo entendeu de outra forma ou não conseguiu manter a conversa no mesmo tom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem discutamos se o sujeito é ou não pedante, ainda que pareça que sim. O problema todo é a maneira com que o nosso caro e suposto amigo encarou a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;circunstância&lt;/span&gt;. Mesmo tendo razão e mesmo tendo o direito de cobrar maiores explicações, o fato é que a situação não exigia de maneira alguma tal tipo de postura. Não sei se o que quero dizer ficará mais claro ou obscuro com a analogia que direi a seguir, mas é como se ele exigisse uma visão escolástica de uma intuição mística, o que seria absurdo. Claro que aqui no exemplo nem há mística ou escolástica, mas fazer cobranças desse tipo naquela circunstância é falta de senso poético. A resposta correta deveria vir mais ou menos na mesma clave. É como se cobrássemos  – mais uma analogia – de alguém que contou para a gente uma piada de judeu exatidões filosófico-históricas a fim de provar que a piada não faz jus aos judeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encarar as coisas sem o menor &lt;span style="font-style: italic;"&gt;espírito desportivo&lt;/span&gt; - espécie de variante do senso poético – é uma característica de duas classes de seres: os animais e os loucos. Sim, os animais, porque afinal de contas alguém já viu um animal irônico ou, fazendo aqui uma concessão a um leitor louco o suficiente para ainda teimar, pelo menos irônico de propósito? Quanto aos loucos, não é difícil entender o motivo: eles encaram tudo de maneira racional demais, colocam a razão acima de tudo, o que naturalmente leva qualquer um à demência. Já dizia Chesterton: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O doido é o homem que perdeu tudo, exceto a razão&lt;/span&gt;. Alguém lelé da cuca necessita de uma explicação sumamente racional para tudo justamente porque perdeu todo o senso poético do mundo. É sempre assim: começa elogiando até o exagero a ciência e a razão, depois não entende mais as razões das pessoas darem um simples “bom dia” umas às outras, acaba acreditando piamente em toda uma série de disparates (apoiados no que ele chama de ciência), até que, no fim, caso ele seja coerente consigo mesmo, termine seus dias num hospício. Daí haver duas classes de loucos: a daqueles que de fato vão parar no hospício achando que vivem no passado, em outro planeta e demais coisas intrigantes do gênero, e a de alguns intelectuais. A diferença de um doido que está no hospício e alguns intelectuais é que estes não têm coragem de levar suas idéias até as últimas conseqüências. Mas vez ou outra aparece algum mais corajoso e que vira lenda.  O exemplo que me vem à mente é o de Empédocles. Segundo uma anedota, após ter salvado os selinúncios de uma grave peste, Empédocles, durante um banquete em comemoração do fim daquela desgraça, foi honrado pelos habitantes da cidade como se fosse um deus. O sábio então teve a esdrúxula idéia de comprovar a opinião dos selinúncios jogando-se dentro de um vulcão ali próximo, o famoso Etna. Segundo alguns, o vulcão logo em seguida cuspiu uma de suas sandálias de bronze que ele costumava calçar. Bom, se dermos crédito à história, temos um belo exemplo de uma falta completa de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;senso poético&lt;/span&gt;, embora o cronista desconhecido tenha introduzido o elemento faltante na conclusão do episódio, ressaltando ainda mais o caso insólito. A falta de senso poético do filósofo fica então compensada com a ironia do cronista. O pobre Empédocles levou toda a história a ferro e fogo, até literalmente no caso do fogo e menos literalmente em relação ao bronze. Mas longe de ele ser um caso isolado dentre os intelectuais que embirutaram. Há pelo menos cerca de trezentos anos parece que alguém resolveu deixar que os loucos publicassem fartamente suas “reflexões”, muito embora, a bem da verdade, eu tenha de admitir que a loucura pareça rondar a vida de qualquer intelectual desavisado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos mais curiosos e badalados subtipos de intelectuais loucos é o cético materialista. Este de fato não consegue nem mesmo entender como é possível gostar de um poema, isso quando pelo menos o compreende ou imagina compreendê-lo. Note o leitor que não me refiro simplesmente àquele pasmo inicial daquele que ignora algo que de repente aparece na sua frente. Me refiro ao sujeito que só acha que algo está cabalmente explicado quando demonstrado quase de modo físico-matemático, científico. O louco que escolho para ilustrar este exemplo é Karl Marx. Dizem que ele gostava bastante de literatura, em especial a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ilíada&lt;/span&gt;. Mas vejam só que coisa curiosa. Ele ficava se perguntando como era possível gostar tanto de um poema feito num modo de produção tão diverso do seu. Santo Cristo! Ele tinha que encaixar o bendito livro que tanto gostava em seu modo de conceber o mundo mas simplesmente não conseguia. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Se os fatos contradizem minhas teorias, pior para os fatos&lt;/span&gt;, já disse um outro intelectual tantã. Tivesse Marx pensado suficientemente bem apenas sobre este pequeno exemplo e talvez nunca mais viesse com aquelas histórias sobre a cultura ser uma espécie de vestimenta enganadora de uma realidade mais profunda, a saber, a senhora economia e a luta de classes. E não faltam pessoas que raciocinam mais ou menos por este esquema, o qual muitos chamam de “científico” (lembremos mais uma vez daquela frase, “o doido é o homem que perdeu tudo, exceto a razão”): gente que acha que os genes, o sexo, a linguagem e demais excentricidades explicam absolutamente tudo da vida humana. Sim, excentricidades, termo muito próprio, porque tais coisas, embora façam parte de nós, não são de modo algum a gente; é como se vivêssemos através delas, ou mediante elas, embora em última instância sejamos anteriores a elas, que são só a nossa roupagem: são a nossa epiderme. Assim, o sujeito é biruta porque pensa que a nossa vida é tão somente o superficial. Mas a realidade, como não poderia deixar de ser, se apresenta lotada de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;apesares&lt;/span&gt;. Quando o indivíduo é confrontado com eles (os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;apesares&lt;/span&gt; teimam em aparecer), ele então sobe no caixotinho escrito &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Raison&lt;/span&gt;, bate no peito estufado e diz, todo categórico: “Eles não existem! Eles não existem! Vocês estão todos loucos! Loucos!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo do doido, embora pareça ser todo bem-amarradinho, todo explicadinho, é de um brutal desleixo. Tudo, tudo que é muito bem explicado só o é porque deixou alguma coisa de fora. A simplicidade se faz às custas dos elementos indesejados. É verdade que a ciência opera mais ou menos assim, porém há sempre um limite claro. O físico sabe (ou deveria saber) que seu afazer, embora nobre e valiosíssimo, não esgota todas as possibilidades da realidade. O que não está na alçada da Física, que outra ciência busque explicar. E assim por diante. Acontece que o doido é por natureza destemperado. Então vai andar por cima de tudo como um rolo compressor. Se algo não se encaixa em seu mundo, então é porque não presta. O cético materialista sempre passa uma sensação enorme de aridez mental, de uma pobreza franciscana tremenda, mesmo sendo aparentemente um sujeito bem-informado e instruído.  Na verdade, parece demais com um daqueles sujeitos pobres e muito mal-educados que de repente ganha dinheiro demais: com toda a riqueza à sua volta, continua grosseirão em essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa situação, justamente por ser tão errônea, nos leva a um paradoxo dos mais inusitados. É que o doido, quando corajoso, quando finalmente percebe que não consegue explicar tudo conforme a Senhora Razão, acaba acreditando piamente que este mundo é, em suma, irracional. É o caminho mais natural da “razão embirutada”. Ela começou crendo demais em si mesma e acabou perdendo o juízo e atribuindo os seus próprios disparates à própria natureza do mundo. Em face disso, surge toda uma filosofia que bem mais merecia ser chamada de antifilosofia. É o niilismo final. Nada mais faz sentido, não existe verdade, nem você é quem você é ou o que você pensa foi você mesmo quem pensou. Racionalmente você descobre que não existe razão coisa nenhuma. Uma antifilosofia desse tipo pode ter várias repercussões. Ora ela pode ser encarada de modo desesperado (ou destemperado, que o leitor escolha)– aí estão os suicidas para confirmar –, ora ela pode ser encarada de maneira resignada, com algum resquício estóico que todo o sujeito sentimental geralmente possui. Independente da posição tomada, o dado é este: o mundo é trágico. É por este motivo que imagino ser difícil encontrar um cético realmente bem-humorado. Se ri, é um riso nervoso, quase de desespero. Vive, ou melhor, sobrevive. Ele é como uma árvore seca, pois o senso poético é a seiva o que nos vivifica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por este motivo que, ao ouvirmos de alguém cheio de sentimento trágico, que o mundo é uma piada, devemos logo em seguida concordar e até agradecer pela pessoa ter dito tão sábia coisa. Porque apenas um ser dotado de muito bom-humor poderia criar coisas tão belas e boas. E se tudo for fundamentalmente um bem e for bom, então mais um motivo para isso tudo ser uma bela e espirituosa piada, porque tudo o que termina bem é uma comédia. Entre um mundo trágico, onde tudo é marcado pelo mal, e um mundo cômico, onde você pode se divertir porque as coisas são boas e terminam bem, há uma larga diferença. Peço inclusive ao leitor, caso tenha achado estranho o que eu acabei de dizer, que puxe pela memória acontecimentos que pareciam ruins, bem ruins, mas terminaram bem em sua própria vida. Hoje você não consegue até achar graça deles? Contudo, imagine agora se eles terminassem de fato mal: ninguém, ou melhor, nenhuma pessoa de bom-gosto costuma fazer piadas de morte de gente querida. Acho até que foi Machado de Assis que disse ser isso, a morte, um assunto sério por excelência. Mas voltando àquele ponto de vista sobre o fino humor que sutilmente marca este mundo, ele só pode ser percebido por quem possua uma visão poética da realidade, pois do contrário exigirá, como o chato que nunca entende uma piada, explicações pormenorizadas e por fim inúteis de algo que você deveria entender antes pelo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;espírito da coisa&lt;/span&gt;. Daí que uma pessoa inteligente é sempre, e antes de tudo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;espirituosa&lt;/span&gt;. E o que mais uma pessoa assim faz senão instintivamente dar as mais sábias, curiosas e devidas respostas nos momentos mais inusitados possíveis? Isso porque uma pessoa espirituosa entende bem sua situação e seu momento: é o tal do senso de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;timing&lt;/span&gt;.  E seus ditos podem ganhar tanta fama que, esquecido o sujeito que os proferiu, ainda assim eles continuam sendo usados por quem nunca o viu mais gordo e em épocas nunca dantes imaginadas, como é o caso dos provérbios, armazém do senso comum. Ser espirituoso é saber encarar a realidade com o devido senso poético, ou seja, uma espécie de sentido que a transcende e aponta como as coisas deveriam ser. Aliás, este é um outro motivo de tanta gente supostamente racional(ista) menosprezar os ditados, outra fonte do senso comum, pois não podem entender o fundo espirituoso subjacente aos mesmos. Quanta sabedoria e verdade não há naquele velho provérbio português que diz: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não há geração sem rameira ou ladrão&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para evitar qualquer mal-entendido, aviso de uma vez por todas que no parágrafo anterior não gracejei nem do mundo enquanto criação da boa-vontade divina, nem do senso comum, nem fiz abstração descarada da tensão trágica que também existe neste mundo. Quando digo que tudo aquilo é entendido melhor à medida que tenhamos uma visão espirituosa, acrescentando que o bom-humor está subjacente a isso tudo, não quero dizer que tudo está destituído de seriedade ou que não é para ser levado a sério. Neca de pitibiriba. Embora eu não goste muito de me expressar por idéias paradoxais, ao menos não em prosa, eu diria de um modo poético que a realidade é de tal modo séria que nos faz sorrir de satisfação. É justamente sua seriedade e seu peso que acabam nos dando a real medida da alegria. Isso é uma coisa que um cético não vai entender nunca. Sempre lhe parecerá um mistério como pode haver gente que se rejubila por causa do mistério do Deus pregado na cruz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, foi pensando mais ou menos nessas coisas que também percebi a importância do senso poético para lidarmos com o mundo. A falta dele faz com que invariavelmente representemos sem querer, também como Ruy M. Freitas comentou a respeito do caso particular de cem freiras marchando junto ao MST até Brasília dia desses, um papel tragicômico no grande palco do mundo. Ficamos naquele meio-termo que só serve para nos denegrir e nos confundir. Começa bem, começa sensato, mas termina muito mal, porque na verdade nem começou bem, nem sensato. Não é à toa que ao mesmo tempo que abundam os céticos, abundam também a loucura e toda a sorte de disparates. Mas não é nada, meu caro leitor, que São Paulo já não apontasse a solução. Porque, segundo ele, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;onde abunda o pecado, superabunda a graça&lt;/span&gt;.  A marca da alegria é sempre presente. O Apóstolo tinha mesmo um baita senso poético.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-115361588472413309?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/115361588472413309/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=115361588472413309&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/115361588472413309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/115361588472413309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2006/07/senso-potico.html' title='Senso poético'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-115303360844162630</id><published>2006-07-16T04:03:00.000-03:00</published><updated>2006-07-16T04:46:29.126-03:00</updated><title type='text'>Prosa filosófica concretista</title><content type='html'>Meus amigos, vejamos que coisa bonita de se ver. É a prosa filosófica concretista. O segredo é você dizer várias coisas que parecem inteligentes, provocando um sentimento estético  apropriado, mas que no fundo não signifique nada ou pouca coisa. E mesmo que tenha algum valor, a forma é mais impressionante. Aqui vai o primeiro exemplo, um clássico do gênero:&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;Podemos ver claramente que não há nenhuma correspondência biunívoca entre relações significantes lineares ou de arquiestrutura, dependendo do autor, e essa catálise maquínica multirreferencial e multidimensional.&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O artista em questão é Félix Guattari - Maguari para o público nacional -, vindo &lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=4442078"&gt;daqui&lt;/a&gt;. E não custa perguntar: você viu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;claramente&lt;/span&gt; mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, mais um outro. Dessa vez é Pierre Bourdieu. Esses franceses pós-década de 60 resolveram criar um idioma próprio, só pode. Eis o mestre:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;As condições associadas numa classe particular de condições de existência produzem o habitus, um sistema de disposições duráveis e transferíveis, estruturas estruturadas predispostas a funcionar como estruturas estruturantes, quer dizer, como princípios que geram e organizam práticas e representações que podem ser adaptadas objetivamente aos seus resultados sem pressupor um fim objetivo consciente ou um domínio expresso das operações necessário para o atingir, objetivamente 'regulador' e 'regulado' sem ser de qualquer forma o produto de obediência a regras, e, assim, que pode ser orquestrado coletivamente sem ser o produto da ação organizatória de um maestro.&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;E eu gostaria muito de fechar com uma citação de Paulo Francis sobre uma professora de literatura a respeito de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dom Casmurro&lt;/span&gt;. O texto do Francis se chama &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Capitu na Universidade&lt;/span&gt;. Eu o tinha, mas não sei onde foi parar. Se algum simpático leitor deste blog mo passar, ficarei muito agradecido. E tenham um bom dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685621-115303360844162630?l=asinum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asinum.blogspot.com/feeds/115303360844162630/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685621&amp;postID=115303360844162630&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/115303360844162630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685621/posts/default/115303360844162630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asinum.blogspot.com/2006/07/prosa-filosfica-concretista.html' title='Prosa filosófica concretista'/><author><name>Cassiano Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01746097083964667848</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685621.post-115174052861893740</id><published>2006-07-01T03:32:00.000-03:00</published><updated>2006-07-01T05:02:02.133-03:00</updated><title type='text'>Ambiente universitário</title><content type='html'>Hoje eu estava lembrando do mural do Centro Acadêmico da faculdade. Havia um monte de coisas nele, porém o que mais me chamava atenção era a parte sobre cultura. Não lembro exatamente o que havia escrito ali cotidianamente, mas eu sempre tinha a impressão de que por "cultura" os coordenadores do mural entendiam um amontoado caótico de gostos totalmente doidos que porventura tivessem alguma coisa a ver com política. "Cultura", no caso, era simplesmente um desregramento qualquer apoiado em algo que, em última instância, o justificasse, mas sempre tendo um fim político, ainda que remoto. Até a loucura tem algum método. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além daquele mural, outra coisa que me chamava a atenção era a mania excessiva de se possuir um trejeito. Era como se o mais importante, a meta almejada na faculdade não fosse o que se estudava, o saber, mas a incorporação de modos. Podia ser o modo de falar, de se vestir, até mesmo de se sentar e de olhar. E o que é mais estranho (ou de se esperar) é que isso ocorria quase naturalmente. De repente você estava todo "universitado", se o leitor me permitir tal expressão tenebrosa. O universitário geralmente se trái. Quando você ouvir alguém dizendo alguma coisa bizarra, como por exemplo "Eu, entrando aqui, será uma fogueira de paradoxos", pode ter certeza que é universitário. Claro que o bizarro admite graus, porém nunca deixa de ser esquisito. Em todo o caso, o camarada podia ser burro feito uma porta, mas ele haveria de conquistar, talvez por osmose, todo um repertório de ademanes que indicariam de onde ele era, quase como se fosse uma nova impressão digital. Isso não deixa de ser um caso interessante de estudo antropológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querem ver um dos rebentos desse estado de coisas? A TVE é um belíssimo exemplo. Com um pouco de prática você é capaz de dizer qual é a universidade, o curso, o período e as notas de cada um daqueles jovens apresentadores, ou mesmo se fazem pós-graduação e qual a tese. Posso até mesmo listar um conjunto de sujeitos mui apreciados pelos nossos simpáticos universitários: Raul (perdão, Raulzito), Francisco Buarque de Hollanda (perdão de novo, é Chico), Marisa Monte, os grandes poetas Caetano Veloso, Renato Russo e Bob Dylan, Sartre, Nietzsche, Bukowski, um poeta de boca meio mole e brasileiro que esqueci o nome mas vive aparecendo na TV dizendo que é beatnick, Paulo Leminsk, talvez algum rock... E tudo isso porque o camarada é culto. Mas ser culto é coisa esnobe. Então ele vai gostar também de coisas do povo, como um sambinha (não qualquer um, senão é esculhambação, tem de ser da época de D. João Charuto) e um pagode ("de raiz", conforme dizem, seja lá o que isso for). É assim que fica o intelectual depois de tomar muito sol na cuca. E há mais coisas. Fiquemos apenas nessas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A universidade é um enorme centro de recreação e terapia. Vira clube, onde os pais deixam seus pimpolhos. Lá eles fazem cabriola. Porque onde não há regras sobra bagunça. E aí percebemos o que leva esse povo alegre e festeiro a ter uma concepção tão troncha de cultura. Ninguém quer saber de regra nenhuma. Mas façamos aqui uma concessão. Há uma quantidade imensa de sujeitos que poderiam te dizer que gostam deste ou daquele grande escritor, deste ou daquele grande pintor, etc. Pode parecer mesmo que na verdade repudiam aqueles ademanes todos, conservando-os tão-somente como máscara para espantar a multidão de brutos e inconvenientes. Isso por si só já demonstra que a atmosfera ambiente te obriga a tomar uma determinada postura. Agora bem: quantos seriam capazes de sustentar suas opiniões de modo objetivo, racional, acurado, sem temor da multidão? Sabemos que os menos aptos a sobreviver em dado ambiente acabam morrendo ou tendo de proc
